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Quando fui buscá-lo, fiz uma aposta em qual seria a cor que a Renault tinha reservado para o Xá das 5 e não me enganei. Fiquei automaticamente CAPTURado por este grande Clio (será que posso chamá-lo assim?) com corpo em cor muito quente entre o laranja e o vermelho e tecto branco. E isto porque as possibilidades de personalização deste veículo são tantas que nem me atrevo a estender-me numa listagem.

Mal entrei percebi que o carro é maior do que parece ou, pelo menos, transmitiu-me essa sensação. Já tinha achado o novo Clio um utilitário com dimensões interessantes (ler ensaio aqui), mas não estava à espera desta transformação tão evidente.

Talvez seja pelos 12 cm mais altos que o Clio ou pela distância ao solo de 20 cm, mas o Captur é um outro carro na mesma plataforma do mano mais velho (não muito) e tradicional. De qualquer forma, é uma aposta da Renault para o cada vez mais preenchido segmento dos Crossover compactos, a nova moda (ou mania) dos portugueses que são urbanos mas gostariam (ou até têm) casa de campo ou quintas para poder passear o carro ao fim de semana. Estou talvez a ser um pouco invejoso, porque, sinceramente, até eu pisco o olho a estes veículos que têm um apelo imediato para uma aventura ou uma escapadela não estradista e que nos pode levar a descobrir caminhos alternativos e interessantes.

Interior e equipamento

O ambiente a bordo é jovem, dinâmico, atraente e divertido. Se baseado no Clio e com o mesmo tipo de apresentação gráfica e instrumentos, existem aqui e ali aquelas diferenças que se notam e que se gostam, como o imenso porta luvas (um verdadeiro gavetão que até tem nome, “Easy Life” com 11 litros) que convida ao arrumo de tudo o que anda solto pelo habitáculo, desde a típica tralha às garrafas de água, passando pelo forro dos bancos (laváveis na máquina lá de casa e que estão disponíveis em oito padrões) que são facilmente removidos através de fechos-éclair, até ao grande tablet táctil que ocupa a consola central e é o centro de informação multimedia dotado do sistema R-Link que qualquer condutor deseja ter.

Aliás, este ecrã de 7″ é de fácil utilização, devido ao muito simplificado sistema Media Nav estendido às legendas e comandos de grandes dimensões, que controlam até por voz (sim, existe um comando por voz) desde o GPS Tom Tom, ao telefone e às múltiplas aplicações áudio, com entradas AUX e USB no próprio painel frontal (prefiro quando estão escondidas numa qualquer gaveta) e cuja entrada para o cartão SD recebe os mapas da Tom Tom.

Este Captur ainda pisca o olho a quem gosta de chaves modernas, com o já conhecido cartão mãos livres. O Ar Condicionado automático tem os filtros contra tudo o que faz mal e, para pouparmos algum dinheiro ao fim do mês, o modo de condução Eco até nos fornece alguns conselhos úteis.

 

O motor

Guiei a versão TCe a gasolina com 90 CV no ensaio do novo Clio e achei-o muito divertido para uma condução urbana, contudo, é guloso quando o esticamos numa autoestrada e não há milagres. Foi com alguma curiosidade que experimentei o Energy 1.5 dCi também com 90 CV que conta com preciosas ajudas como o sistema Stop & Start, EGR de baixa pressão e gestão térmica, etc.
Este dCi promete um consumo de 3,7 l a cada 100 km de ciclo misto e tem um binário de 220 Nm a partir das 1750 rpm. Não estive propriamente a medir os consumos, porque também não tive muitos dias com o Captur, mas deu para perceber que é comedido em cidade e entreguei-o com pouco gasto no depósito, tendo feito cerca de 200/300 km em Lisboa e conseguido uma média próxima dos 6 l sem ter o mínimo cuidado no que respeita a condução mais desportiva, o que demonstra que é poupado mesmo sendo grande e pesado.

Contudo, não é um carro de corridas, estando apontado para uma condução jovial e descontraída.

Conclusão

Este Captur consegue reacções extremas. Metade das pessoas adoram-no e ficam cativadas ou “capturadas”. A outra metade pura e simplesmente detesta-o. Faz lembrar as reacções ao Nissan Note e à sua frente que sugere um sapo. Aliás, o Captur vem combater este seu “irmão” no mesmíssimo segmento (podemos ainda juntar o Dacia Logan, mas o target não é o mesmo) e pode até canibalizar as vendas do Nissan.

Gosto francamente do Captur embora não seja o carro que eu escolhesse para uso diário e pessoal. É muito jovem e atrevido, mais que eu em ambos os sentidos. Mas percebo o apelo à malta mais nova e o sucesso que tem, principalmente devido às inúmeras possibilidades de personalização tanto exterior como interior, uma das suas maiores valias.

O espaço é muito bom e a mala grande q.b. e com alçapão (os bancos também são deslizantes o que oferece um nível de carga muito interessante, o que pode ser útil para o pessoal dos desportos radicais).

O comportamento é eficaz, embora adorne ligeiramente em curva, o que é normal devido à distância ao solo e à altura do conjunto. É bastante confortável e oferece uma posição de condução muito alta o que reforça a segurança em trânsito.

O motor porta-se bem, é comedido nos gastos e responde com genica em cidade, mas não faz deste Captur um carro de corridas ou que ofereça sensações mais fortes. Serve, contudo, o pessoal que gosta de passear e escolher um caminho menos direito que uma autoestrada. E são exactamente essas sensações que temos e esse desejo pela aventura que sentimos quando olhamos o Captur, todos os dias, antes de entrar nele.

E um carro conseguir isso é já muito bom.

 

Preços

Quanto a preços, o Renault Captur está disponível a partir dos 15.450€ (Energy TCe 90 Expression), enquanto a versão diesel de entrada de gama poderá ser adquirida por 18.950€. A exemplo da restante gama Renault, o Captur é abrangido pelos 5 anos ou 150.000 quilómetros de Garantia Renault.

 

Captur ficha tecnica

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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