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Em vésperas do lançamento de um dos modelos mais aguardados de 2013, o novo Peugeot 308, deixo as impressões que o modelo mais expressivo da marca me transmitiu.

Antes de mais, confesso que os desportivos não fazem o meu género. São demasiado vistosos, autênticos “pescoçometros” (como os brasileiros tão bem adjectivam) e pouco práticos. No entanto, transmitem sensações invulgares e alegram quem os conduz, pois garantem adrenalina que se estampa automaticamente no sorriso de quem vai ao volante e no sorriso… nervoso… de quem vai ao lado. Mais alguém? Não no caso do RCZ, pois os bancos traseiros estão lá só para mostrar no papel que este é um carro 2×2. Mais 2 do que 4, mas fica sempre bem.

 

Design exterior

 

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Este Peugeot RCZ é, no entanto, muito bonito e esta nova versão está a milhas da anterior no capítulo do design exterior, mantendo a originalidade das duas bossas na parte traseira do tejadilho, que lhe confere um destaque pouco comum neste segmento. A frente não é muito alongada e alberga o mesmo motor de 200 CVs que experimentei no (saudoso) 208 GTI, a traseira é mais longa que o normal num puro sangue, mas resulta bem com uma vantagem também não muito comum: a mala é grande (330 litros), não muito alta, mas profunda e pode transportar malas para mais que um fim de semana. Nota muito positiva. Antes da sua abertura, espaço para o aileron que faz o seu papel, levantando em dois ângulos de acordo com a velocidade (ou manualmente, com o botão na consola).

 

E por dentro?

No interior, vive-se um ambiente meio desportivo meio gama alta para chefes de família. Explico: alguns instrumentos deixam transparecer a não exclusividade que um desportivo merece, sendo decalcados de outros modelos do grupo, mas existem toques aqui e ali (como o relógio analógico central, o forro completo a pele, o túnel central, etc.) que mantêm esse espírito. Portanto temos um misto de sentimentos quando nos sentamos nas bacquets, por sinal muito confortáveis e adaptativas a cada corpo. Mas existe um problema: a dimensão do volante está errada para este modelo e para o tipo de condução a que convida (e para que foi pensado?). É demasiado grande, mesmo que ofereça bom tacto. Porquê, pergunto, já que os modelos que ensaiei (208 e 2008) têm volantes bem mais pequenos (e quanto a mim perfeitos) que o que costumamos encontrar em todos os carros? Bizarra situação que deverá ter uma razão técnica.

Mesmo com desenho mais tradicional que desportivo, os comandos estão à mão e o ecrã é legível, podendo ser fechado ou aberto mediante botões físicos o que é uma nota positiva. Um desportivo a sério não tem cá essas coisas dos ecrãs com mapas e títulos das músicas…

 

Tudo à mão

O equipamento é, como suposto, muito completo e não falta nada, desde os comandos eléctricos do banco do condutor que também tem aquecimento, às entradas de som mais modernas, passando pelo cruise control, computador de bordo, AC automático bi-zona, sensores automáticos de iluminação (faróis direccionais), chuva, pneus e tudo o mais que se espera num topo de gama. Aliás, a lista é muito extensa e pode ser consultada no site da marca.

 

Comportamento

O motor 1.6 16V Turbo com os já mencionados 200 CVs, empresta alguma desportividade ao RCZ, mas não faz dele um Ferrari. É rápido q.b. para todas as situações, embora se note um ligeiro lag quando se empurra com mais força o pedal direito. A caixa é directa e está bem escalonada, mas uma maneta mais “gorda” seria aconselhável. Um pequeno aparte: não compreendi o material usado na mesma. Deveria ser pele e alumínio, mas queimei-me nela depois do carro ter estado sob o agressivo sol deste Verão. Peugeot, há que rever este pormenor.

Voltando aos 200 CVs, e percebendo que o RCZ tem uma dinâmica diferente do 208 GTI, não tenho dúvidas em qual é o mais entusiasmante. Mas o RCZ é melhor estradista, pois mesmo com suspensão dura e pneus de baixo perfil, oferece algum conforto, o que é sempre bem vindo num veículo com estas características.

 

Concluindo

O resultado é um desportivo quase puro sangue que atinge nota 10 em “pescoçometro” mas que poderia ter um bloco que o elevasse a verdadeiro queima semáforos. É uma espécie de híbrido comportamental, eficaz em rolamento, rápido quando precisa e até confortável para o género. Talvez o desportivo ideal para quem goste de linhas ousadas e temperamentais, mas que não seja fã de grandes velocidades e sustos. Nesse aspecto, o RCZ está muito bem posicionado. E é bonito, ou se é.

 

Post scriptum: desta vez filmei mais do que fotografei, daí o pedido emprestado de duas fotos oficiais. O vídeo será publicado a seu tempo.

 

Caracerísticas Técnicas:
Modelo – Peugeot RCZ 1.6 THP 200
Potência – 200 cv
Binário – 275 Nm
Peso – 1411 Kg
Consumo – 6,7l/100km
Emissões CO2 – 155 g/km
Velocidade Máxima – 235 km/h
Aceleração – 7,5s 0-100 km/h
Preço – (versão ensaiada com extras) 39.400 €

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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