Chegaram três caixas: uma guardava o Huawei P30, as restantes traziam o Watch GT 2 e os FreeBuds 3. Serão os três equipamentos juntos um conjunto difícil de superar?

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A primeira marca a entender que o consumidor gosta que os seus equipamentos sejam complementares foi a Apple que continua a provocar o mercado com soluções engenhosas de que ninguém realmente precisa, como os auriculares sem fio.

Desde o surgimento dos Airpods que o mercado sofreu uma mudança radical, que pessoalmente considero infeliz, que foi sacrificar a ligação minijack na maior parte dos topos de gama para poderem criar, lançar e ganhar rios de dinheiro com auriculares sem fio que são, logicamente, sempre piores que os tradicionais.

Mas, como em tudo, a qualidade das soluções aumenta a cada geração e hoje podemos contar com alguns auriculares sem fio com qualidade respeitável, mesmo que custem o quádruplo dos seus concorrentes com fio.

Análise ao trio Huawei: P30 + GT 2 + Freebuds 3

O caminho da Apple

Mas o caminho traçado pela Apple teve de ser prontamente seguido pelas marcas mais poderosas e hoje podemos ouvir música com qualidade através de uma mão cheia de auriculares. Esqueçam as cópias baratas, pois tudo tem um preço e neste campo ele é alto.

Se há coisa com que embirro desde o primeiro dia é o design dos Airpods. Aquela antena invertida parece cera a escorrer dos ouvidos. É pavoroso, principalmente se tivermos em conta que o desenho do próprio auricular é único e não usa esponjas de diversos tamanhos o que, naturalmente, encaixa melhor nuns ouvidos que noutros. Chega mesmo a provocar dores a muitos utilizadores, o que é apenas mau demais.

Dito isto, como se safariam os Huawei que no desenho são uma cópia chapada dos Apple?

Auriculares de topo

A marca diz que os FreeBuds 3 têm Dolphin Bionic Design o que pode mudar as coisas.. Então, parti para o teste com mais entusiasmo.

Quando os coloquei nos ouvidos, perdi algum tempo a ajeitá-los e pressenti que a experiência não ia correr bem, o que não me admirou por aí além. Mas o interesse real era até que ponto os Freebuds 3 soariam bem.

Esta foi a primeira surpresa da experiência com o trio. A qualidade do som surpreendeu-me pela positiva. Aliás, posso até dizer, que fiquei algo pasmado, pois confesso que não a esperava. A reprodução é rica, estável, com boas dinâmicas e, empurrando-os um pouco para dentro, percebe-se que têm graves e um equilíbrio entre dinâmicas muito real.

Mas, lá está, disse empurrando-os para dentro. E é aqui que a experiência começa a não ser tão boa para mim. Já nos ouvidos ao lado, da cara metade que tem canais auditivos diferentes dos meus, o resultado foi muito satisfatório. O grande problema é que não podemos experimentar auriculares antes de comprá-los o que é sempre um risco com este tipo de construção e design.

Outro factor positivo é o cancelamento activo de ruído, controlado pela App própria, em que podemos escolher o nível de som exterior que queremos ouvir. Contudo, os Freebuds 3 têm um modo automático bastante útil que vai mudando este parâmetro dependendo do ruído ao nosso redor.

Quanto ao embrulho, ele é sofisticado e podemos escolher uma de três cores, branco, preto e um mais divertido vermelho. A caixa é bastante pequena e oferece mais quatro cargas completas, o que garante 20 horas de audição com pequenos intervalos.

Mas atenção, ao contrário das demais, e falo concretamente da Apple, Samsung e Sony, para o primeiro emparelhamento por bluetooth é necessário pressionar um pequeno botão, quase invisível. Depois desse primeiro passo, basta abrir a caixa para a ligação ser efectuada automaticamente.

A app é completa, possibilita alguma margem de manobra, mas onde percebi que os Huawei são mesmo um produto conseguido foi quando os emparelhei sem qualquer problema ao PC.

Fui ver a papelada para saber a razão e lá está o processador Kirin A1 e a tecnologia de transmissão de sinal por canal duplo. Esta é também a razão por trás da qualidade de reprodução que é, posso dizer, imaculada e sem latência, ao contrário de outros auriculares concorrentes.

E só por isto, os Freebuds 3 têm nota muito positiva. Acrescentem a qualidade de som e a Apple tem aqui um problema chamado concorrência directa a preço mais atraente.

Em resumo e para reter, os Freebuds 3 dão quatro horas de som com uma carga, têm cancelamento activo de ruído, carregamento por cabo USB-C ou por indução e uma belíssima qualidade de som…  para alguns ouvidos.

Smartwatch a dois tempos

O Huawei Watch GT2 era a segunda caixa que vinha no pacote e posso desde já adiantar que foi o que mais me impressionou.

Podemos escolher entre duas medidas e seis modelos, com acabamentos muito elegantes e distintos entre eles.

Com formato redondo e umas faces que vão do clássico ao desportivo, assim como as correias e cores, percebe-se automaticamente que a Huawei quer ter uma palavra a dizer neste segmento que sempre foi dominado pela Apple, Samsung e Garmin, cada uma com os seus atributos.

Calhou-me o modelo clássico com correia em pele castanho clara, quiçá o mais bonito, e durante as semanas em que o usei concluí que o GT 2 tem particularidades muito boas e outras tantas que deixam a desejar.

A grande vantagem, e que é um enorme motivo de compra, é o tempo da bateria. Habituado que estou a outros modelos, posso dizer que dá para ficar pasmado com o tempo que cada carga dura. A marca aponta duas semanas para o modelo maior, uma semana para o mais pequeno, mas podemos estender esse tempo se optarmos por desligar algumas funções.

É um smartwatch quase inteiramente dedicado ao desporto e a quem o pratica, pois aposta tudo no sistema GPS, na monitorização da frequência cardíaca em tempo real, está preparado para também fazê-lo numa piscina, pois a medição tem parâmetros diferentes, tem funções para quase todos os tipos de desportos, desde corrida a ginásio, enfim, é um personal trainer que está sempre connosco, inclusive enquanto dormimos, pois controla tudo, desde a respiração ao REM.

Mas nem tudo o que reluz é ouro

O GT 2 é muito limitado no que respeita a aplicações, portanto, não é o ideal para quem procura ter todas as funções no pulso. Mas o ponto mais negativo é não ser compatível com todos os smartphones Android, obrigando-nos a procurar e instalar uma versão de software actualizada, operação que posso desde já garantir que não é nada fácil.

Huawei P30: ainda vale a pena?

Finalmente, chega a hora do P30, um modelo iconográfico por duas razões: é o último de uma linhagem que conquistou mundos, através das excelentes capacidades fotográficas.

Sim, falo do enorme problema que é a guerra comercial entre Trump e a China que afecta particularmente a Huawei que se vê impossibilitada de contar com os imprescindíveis serviços da Google nos novos smartphones e restantes equipamentos.

Por tudo isto, e porque já passou bastante tempo do seu lançamento, comprar o P30 (ou a versão Pro) por um valor menos alto, pode muito bem ser a decisão mais acertada ainda durante 2020, pois o mercado está bastante conturbado pelo problema do vírus que afecta toda a produção e, por conseguinte, a economia global.

Do P30 já tudo se disse, portanto, deixo apenas um resumo: é um smartphone ainda bastante actual, tem um conjunto de câmaras fotográficas que o mantém no topo da tabela e é, sem sombra de dúvida, o modelo ideal para juntar aos Freebuds 3 e ao GT2, um trio que merece toda a atenção e consideração porque juntos são um trio difícil de bater.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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