A Corolla vem substituir a gama Auris. Tudo aumentou, foi melhorado e esta versão 2.0 TREK não deixa ninguém indiferente à potência e conforto que garante

Como pode alguém que tem um Toyota híbrido fazer uma análise ao novo Corolla sem ser acusado de ser, vamos lá, amigo da casa?

Bom, há duas formas: a primeira é esclarecer que o meu tem quase 10 anos e é um Auris. E o novo Corolla vem tomar o lugar do Auris que se lhe seguiu, portanto, existe um hiato de tempo bastante grande que pode ajudar à transparência principalmente porque estamos a falar de três gerações distintas.

A segunda forma é mais simples: comparar o novo Corolla com o melhor que anda por aí e ver quem ganha.

Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
Toyota Corolla 2.0 Trek Analise

TREK, a nova versão

Calhou-me a versão Touring Sport com motorização 2.0 HDF e versão TREK. Esta é a novidade de uma gama alargada com três carroçarias para gostos diferentes e apela aos sentidos dos mais aventureiros, pois tem elementos exclusivos, como uns muito bonitos bancos em tom duplo, alargadores, protectores e suspensão elevada em 20 milímetros.

Espaço a bordo

Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
À frente cabem dois adultos de estatura elevada
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Atrás podem ir três pequenos adultos mas com grandes pernas

Uma das razões que nos levam a optar por uma touring, é a sua capacidade de carga e o espaço para os passageiros. Esta Corolla é um pouco acanhada no banco de trás, pois há que contar com as baterias arrumadas por baixo desse banco, mas cabem três adultos de forma apertada, contudo convém não serem altos pois o tecto é baixo.

O lado positivo? Podem ser perna longa pois há muito espaço para as ditas. Para quem vai à frente, há espaço a rodos para dois gigantones e quem guia tem os comandos todos à mão e a arrumação lógica e normal que esperamos neste segmento e principalmente no design característico da marca.

Arrumos e capacidades

Quanto à bagageira, é enorme, e com 525 litros cabe lá tudo. Nesta versão ainda contamos com um alçapão extra de arrumação, escondido por uma tampa, e que em princípio albergaria o pneu sobresselente. Nunca se esqueçam que estamos a falar de uma versão híbrida e há sempre que contar com o muito espaço reservado para as baterias, daí esta capacidade ser tão importante.

Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
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O conforto a bordo não fica aquém de propostas germânicas bem mais onerosas e a qualidade de construção é francamente exemplar, com painéis de tacto mole, inclusive nas portas traseiras e ligeiros apontamentos que querem piscar ao cliente mais clássico, como um friso de madeira à escolha do freguês.

Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
Toyota Corolla 2.0 Trek Analise

Como não há bela sem senão, não se compreende a tampa do tablier que é em plástico duro o que poderia ter sido facilmente evitado e, por conseguinte, melhorado.

A direcção progressiva garante-nos bom controlo sobre este mastodonte, pois é um carro grande e pesado. Aliás, convém ter isso em conta, pois é enorme para o dia a dia numa cidade.

Mas é tão confortável e fácil de guiar que faz com que nos apaixonemos, quem ainda não está, por carros automáticos. Não é por acaso que a solução híbrida tem cada vez mais expressão no mercado nacional com a Toyota a ser protagonista.

Selector de comportamento e gastos

Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
Versão “Racing”
Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
Versão “Eco”
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Selector Drive Mode com três opções

Toda a informação está disponível através do tablier digital, muito informativo com painel central que nos passa toda a informação sobre as opções de segurança activa e passiva, mapa, fontes áudio, etc.

Desde ângulo morto à proximidade de radares, alerta de mudança de faixa aos peões que podem surgir de qualquer lado, há avisos para tudo e mais alguma coisa, inclusive, se preferirmos, acústicos mas nada intrusivos, um ponto muito a favor.

É um carro de nova geração e tem espaço para carregador de indução para o smartphone e que está posicionado num espaço seguro mas demasiado afastado do condutor.

O factor menos positivo

O ponto menos positivo é o sistema de info-entertenimento que nos atira com um grande ecrã táctil demasiado presente no bloco central do tablier. Percebe-se a intenção de nos facilitar o acesso, mas não é elegante, embora seja útil em quase todas as acções.

Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
O enorme ecrã táctil e todos os comandos da consola central

Se por exemplo emparelhar o smartphone é muito fácil, já o sistema de navegação deixa a desejar, principalmente numa época de Wazes e Google Maps. É difícil, por vezes até impossível, escolhermos o destino por nome, espaço ou marca, e a introdução dos dados é tudo menos intuitiva.

Por outro lado, o sistema de som é adequado para o segmento desta Corolla, com qualidade sentida e que se percebe que está contida dentro do habitáculo, o que reforça a percepção da qualidade de vida a bordo.

La Bomba!!!

Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
Toyota Corolla 2.0 Trek Analise

Vamos ao motor desta versão? Bom, é aqui que relembro que tenho um híbrido, portanto, estou habituado a gastar pouco mais de 5 litros em cidade e no pára arranca, com um motor 1.8 e que ronda os 140 cavalos, o que em modo pouco ético, tem alguma forcinha.

Mas esta versão 2.0 é qualquer coisa de extraordinária. Temos, atenção, 180 cavalos de puro gozo e adrenalina. E não nos podemos esquecer que esta é uma carrinha pesada, o que afecta todos estes valores muito, repito, eficazes.

Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
Volante multifuncional

Depois há que contar com o EV, o modo eléctrico automático, que entra em funcionamento sem darmos conta. A verdade é que em cidade, esta Corolla fez menos consumos que o meu hatchback de 2001 que é bem mais leve e pequeno em todos os aspectos. Podemos contar com uns 4.8 aos 5.2 por 100 kms.

Toyota Corolla 2.0 Trek Analise
Toyota Corolla 2.0 Trek Analise

Em auto estrada, e numa velocidade moderada, aos limites legais, anda pelos cinco e meio, o que é francamente bom.

A caixa de variação contínua, que é daquelas que estão sempre a “abrir”, ou seja, deixa-se ouvir quando utilizada em modo racing, está cada vez menos presente e é até muito silencioso em modo de condução prazenteiro.

Conclusão

Vou concluir com uma verdade: a Toyota tem nesta Trek 2.0 o seu trunfo contra adversários mais apelativos ao consumidor português, que se pela por um logótipo germânico.

Não lhes fica atrás em quase nada e, vamos lá ser sinceros, é a segunda marca mais fiável do mundo logo atrás da Lexus que, enfim, é da casa.

Dá mesmo muito prazer saber e sentir que estes 180 cavalos não estão ali para pastar mas sim para relinchar, dar coices e galopar ao sabor da aventura. Em família, claro está, e com bagagem.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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