P1100649
A Mazda renovou-se por completo, com uma gama transversal e muito dinâmica, dona de um visual espantoso alicerçado no conceito Kodo e senhora de apostas certeiras em tecnologia e segurança traduzidas por SkyActiv. Há que estar de olho nos novos 2, 3, 6, e, por fim, neste CX5, um belo SUV de características urbanas e que não esconde a preferência por campos abertos, umas estradas de terra dura, alguma gravilha e, também para o regresso, uma bela auto estrada e que nos explica, devido ao enorme sucesso, a razão pela aposta num segundo SUV mais compacto de nome CX3. A Mazda respira saúde por todos os poros.
mazda 3 capa
ensaio novo Mazda 3
Há carros que nos convidam a uma viagem, nem que seja ir e vir ao Algarve para um mergulho e uma salada algarvia acompanhada pelo peixe acabado de pescar e grelhar. É um dos prazeres da vida e uma daquelas razões que fazem com que um português goste da sua terra. Quando levantei o CX5 e me sentei ao volante, relembrei algumas estradas de terra na serra algarvia e decidi, naquele instante, ir tomar um mergulho. Escolhi dois ou três dias servem perfeitamente para ter este gosto e nem de mala precisei. O problema é para quem vai à pendura que não entende porque, com uma auto-estrada tão boa (e absurdamente cara), se vai pela nacional. Na verdade, quanto melhor o carro, mais me dá essa vontade. Esta opção serve também para tirar muitas conclusões sobre o veículo: como se comporta em curva/contra-curva, como trava, como acelera para as inevitáveis ultrapassagens aos TIR, qual é o nível de conforto nos buracos e solavancos, tudo isso. E com um SUV, quem me leva a mal por sair aqui e ali da estrada principal e optar por outras entretanto esquecidas pela vida e pelo Homem?
Não sei se foi do mar estar perfeito e a temperatura favoravelmente amena, como há muitos anos os não apanhava, mas que gostei deste SUV, gostei. Quem me conhece ou lê, sabe que não sou fã deste tipo de veículos e não os compreendo numa cidade com trânsito. Entendo o efeito segurança (em alguns casos dúbia), a alegria nas escapadinhas… mas na verdade, quem os tem pouco consegue escapar, pois há que trabalhar e muito para pagar um destes luxos automobilísticos. Mas até neste campo, a Mazda convida-nos a experimentá-la nem que seja pelos preços mais convidativos.
Mas vamos ao que interessa: exteriormente, são de pormenor as diferenças para o modelo anterior, mas conseguiu ficar mais bonito. A filosofia KODO, transversal aos novos modelos, simboliza “A alma do movimento” traduzida por linhas fluídas, modernas e aerodinâmicas. Esta Kodo está em perfeita comunhão com a tecnologia “SkyActiv” que pensa a engenharia, mecânica e segurança como um todo, para conseguir criar automóveis rápidos, económicos, seguros e, acima de tudo, que ofereçam prazer de condução.
Vou então começar por aqui, pois um SUV não é propriamente o tipo de automóvel que dê “gozo” conduzir. Este CX5, que venceu o troféu SUV do ano em Portugal, é maior do que se percepciona, mas bastante ágil e com uma direcção tão precisa quanto leve em cidade, que facilita as diversas manobras exigidas ao estacionar. O modelo ensaiado 2.2 SKYACTIV-D 150 2WD AT Evolve HS tem tracção apenas às rodas dianteiras e 150CV de potência, que parecem muito mas que, em algumas situações de necessidade de rapidez extrema, não são tão lestos quanto se poderia pensar. Portanto, há que adaptar toda a forma de conduzir um veículo pesado, alto e bastante largo (sempre são 1345 kg), o que implica antever alguns processos. Depois de o entendermos, o CX5 é desenvolto, eficaz e muito (muito, mesmo) tecnológico. Há ajudas para tudo, desde start/stop, hill assist, sensores de estacionamento, chuva, iluminação, segurança reforçada em ângulo morto com sinal sonoro e luminoso nos espelhos e um excelente sistema de “piloto automático”, como gosto de lhes chamar, para citar parte da lista.
P1100675
Calor e estrada, um íman para a bicharada
Outra ajuda preciosa para a cada vez mais estreita relação entre mim e o CX5 foi a transmissão automática de 6 velocidades SKYACTIV-Drive. Quando mencionei as ajudas à condução, há que mencionar a embraiagem anti-escorregamento de enorme amplitude que, realmente, se faz notar e ajuda sobremaneira o nosso esforço que passa a ser… quase nenhum. Podemos guiar este SUV com um dedo no volante durante dezenas de quilómetros, concentrados na conversa e estrada, pois podemos confiar nos (atenção) 27 sensores que equipam o novo set-up para a transmissão AWD com o “primeiro sistema de aviso e detecção de escorregamento da frente do mundo”. A lista de ajudas à condução, seguranças activa e passiva, é tão extensa que não vos massacro por aqui, mas convido-vos a checarem o link oficial do modelo para poderem ter a correcta noção do completo pack i-ACTIVSENSE. Estamos perante um veículo muito sofisticado mas que não é abusivo ao obrigar-nos a estar demasiado concentrados em luzinhas, avisos e botões.
Sabem aqueles carros que mal se entra ficamos logo à vontade? Este SUV transmite essa sensação! Se bem que os pés fiquem demasiado horizontais, posição que, confesso, me é estranha, o conforto é a regra. Acabamentos e materiais de qualidade, tudo bem desenhado, bancos perfeitos, garantem uma envolvência muito ergonómica e, posso até acrescentar, “orgânica”. Está tudo à mão, os comandos são de fácil apreensão, o sistema MZD Connect garante conexão perfeita com o smartphone e, atenção, até se pode ditar e ouvir mensagens de voz, para além de ler SMS, aceder à net e tudo o mais. A qualidade de som, para mim uma necessidade, está adequada ao tamanho deste grande carro. Existem poucos espaços de arrumação, o maior na consola central, muito moderna e onde marca presença o comando rotativo do sistema multimedia e computador e o travão eléctrico de… dedo.
Pelo volante, de tacto muito agradável, também comandamos diversos equipamentos, entre eles a velocidade de cruzeiro, muito prática e uma das melhores que tenho experimentado.
Deixo para último a questão do consumo. Não há milagres: é um SUV grande e pesado, e mesmo que o motor seja um Diesel de última geração, andei sempre na casa dos 7,5 litros. Mas, confesso, não fui poupado e abusei do AC ligado. A marca anuncia valores bem mais democráticos, na casa dos 4,5 Litros.
 PVP: a partir dos 31.711€  (versão ensaiada 37.216€)

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

View all posts