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Como já tem vindo a ser um saudável hábito, a Huawei lança dois flashgips por ano. Escolhe Setembro e a IFA berlinense e o mês de Abril. No ano passado, em Berlim, mostrou o que valia com o ainda hoje muito desejado Mate 7, um phablet que mostrou que a marca chinesa estava, não só no caminho certo, mas a lutar ombro a ombro com as marcas de topo. Em Paris, durante Abril, atreveu-se a inundar o mercado da moda e design conseguindo, com o elegantíssimo P8, unir homens e mulheres em redor deste seu muito bonito e sofisticado terminal.

E depois, o que se seguiria para Berlim, neste recente Setembro? Confesso que os gurus do marketing da casa fizeram um trabalho extraordinário. Ao mesmo tempo que os jornalistas pesquisavam pelo sucedâneo lógico do Mate 7 (principalmente após o convite de imprensa recebido bastante tempo antes do evento e que graficamente sugeria um 8), as imagens e os boatos que surgiam pela net mostravam as carcaças de um Nexus 6P como do Honor 7 (e mais tarde o 7i), mas nada de Mate 8. Pudera, o novo topo de gama denomina-se MATE S e, ao contrário do que se esperava, não é o puro substituto do Mate 7. Digamos que é uma ponte entre o “design fashion” do P8 (que resultou num estrondoso sucesso comercial) com características top do phablet mencionado. E o que acho dele? Bom, tirando dois ou três apontamentos, é um dos telefones do momento. E a concorrência nunca foi tão diversa e agressiva! A Huawei não só já chegou ao top como demonstra uma vitalidade fenomenal. Apples, Samos e Sonys, cuidado.

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Calhou-me um Mate S cinzento, masculino e mais discreto que as restantes opções. Logo que lhe tirei os autocolantes de protecção, percebi que ia ter alguns problemas com o grip. Mesmo que a capa traseira e o desenho seja arredondado, o alumínio muito polido faz-me ter medo em deixá-lo cair. Na caixa vinha uma capa activa, de cor dourada mate, que imediatamente lhe coloquei. Se me senti mal? Não, quando percebi que era a cor de todas as capas dos jornalistas presentes na mega acção. Só chegado a Lisboa, e não de imediato, resolvi arriscar a usar o Mate S sem essa divina protecção. Até agora tenho tido sorte e ainda não me arrependi. E vou sussurrar-lhes uma coisa: nunca entendi o dinheiro gasto num iPhone, um ícone do design, para imediatamente após a compra, escondê-lo numa capa protectora. Ou seja, um dos principais elementos que o tornam desejável, é imediatamente soterrado por silicone ou plástico. Foi exactamente essa sensação que vivi com este Huawei: é tão bonito que tem de estar fora de complementos ou seguranças, mesmo que isso seja demasiado arriscado.

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Mas vamos lá passar ao que é importante: a máquina!

Elegante, muito bem construída, com corpo em alumínio e uma frente totalmente em vidro arredondado nos extremos, ecrã Amoled de 5,5″ FHD e com a ultra protecção 2.5D Corning Gorilla Glass 4, tem apenas 7.2mm de espessura. É notável quando, ainda por cima, se colocam um par de câmaras de qualidade (frontal com 8 e principal com 13MP) e um sensor de impressões digitais na capa traseira. No topo a ficha 3,5mm e um microfone para cortar ruídos e interferências, de lado os tradicionais on/off e volume +/- e, na base, a ficha microUSB (julguei que já viria com ficha type C) e duas grelhas idênticas ao P8 e outros adversários. Uma é o microfone, outra a coluna. E esta é uma das minhas críticas negativas. Tal como no P8, a localização é facilmente tapada pelo dedo, principalmente quando assistimos a um filme ou qualquer conteúdo em formato horizontal. Chega ao ponto de me tapar completamente o som dos motores do jogo Real Racing 3. Huawei, é olhar para soluções com provas dadas, como os Xperia desde a segunda geração, ou até os Motorola de gama média e as duas colunas estéreo frontais.

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Deixando o exterior, concentremo-nos no coração: o Mate S está equipado com um processador Kirin 935 (oito cores divididos em partes iguais – quatro num processador Cortex A53 a 2.2GHz e quatro a 1.5GHz), reforçado pelo GPU Mali-T629 e 3GB de RAM.

O modelo que ficou à minha disposição tem uns confortáveis 32GB de memória interna (cuidado com as aplicações já incluídas e sistema de origem que “comem” quase 10GB), mas podemos optar pelo modelo com 64GB ou mesmo, e atenção que ainda está no campo das hipóteses, embora o tenha visto em Berlim, um super modelo com 128GB. Este será o único Mate S com o famoso ecrã sensível à pressão do toque, o Force Touch, que realmente funciona, mas a que preço? De qualquer forma, o Mate S tem entrada de cartões MicroSD com até 128GB.

Este novo topo de gama vem já equipado com Android Lollipop 5.1.1 e a versão mais recente do Emotion UI. Gosto deste ambiente, permite-me escolher temas que realmente mudam os ícones, é muito suave e rápido, temos notificações de um lado, atalhos para as funções principais do outro (em que podemos alterar a ordem), em duas palavras: bom e bonito.

Existem outras características que me agradam e sei que vão ser um sucesso (por exemplo, algumas estão presentes no novo Asus Zenfone 2): com o nó dos dedos, o Mate 7 permitia tirar uma snapshot ao ecrã. Essa funcionalidade mantém-se no Mate S mas foi elevada à décima casa: agora tiramos a snapshot e automaticamente podemos editá-la (um coração ou circulo, por exemplo). Mas não ficamos por aqui: se tocarmos com os nós de dois dedos, entramos em modo vídeo. E se vos disser que podemos escolher parte dum vídeo e editá-lo com este tipo de acção?  Mas há mais: ao desenharmos novamente com o nó do dedo um W entramos imediatamente na página do estado do tempo e temperatura (Weather). Um C abre a câmara principal, um E abre a internet e um M a música. Não há mais opções, embora tenho a sensação que os futuros upgrades mostrarão algumas novidades. O Mate S é também sensível ao movimento e permite controlar funções através deles. Atender ou travar uma chamada, mudar o registo, desligar o alarme, tudo pode ser feito “à força” do pulso. Podemos ainda acordá-lo com um knock knock, mas se tivermos a opção de segurança ligada (qualquer delas), teremos de passar mais esse passo.

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Por outro lado, cuidado com a função de reconhecimento por voz. A ideia é boa, por exemplo, serve para “chamarmos” o telefone quando não sabemos dele. Para isso, o sistema convida-nos a escolher e ditar uma palavra ou pequena frase para ele reconhecer a nossa voz e só assim activar a função. Depois de muitas tentativas falhadas, devido à proximidade da minha boca com o microfone extremamente sensível, acabei por conseguir gravar “Open Sesamus” (sim, só pode ser em inglês, dizem que por enquanto). A sorte foi ter o telefone pousado ao lado do sofá, pois quando estava a ver um filme, uma qualquer frase dita pelo actor “acordou” o Mate S e fê-lo ligar para as últimas chamadas. Eram duas da manhã…

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Se o Mate 7 surgiu com o scanner de impressões digitais, o Mate S elevou a fasquia e posso dizer que tenho mantido essa opção ligada, coisa que não fiz por muito tempo no phablet. E porquê? Porque é tremendamente eficaz! O processo é quase instantâneo e podemos memorizar até cinco impressões para quem deixa usar o telefone pelos mais novos, o que permite abrir e fechar operações e pastas ou, como fiz, memorizar mais do que um dedo e assim poder destravá-lo com maior facilidade e ambas as mãos.

Mas este sensor não se fica por aqui. Abre e fecha notificações, passa fotografias e serve como obturador que facilita, e muito, a tomada de selfies. Podemos, através do menu, escolher as acções que pretendermos fazer deste modo. É um dos pontos top deste Huawei e que me viciou. Os sensores da Samsung estão a milhas desta realidade.

Passamos para as câmaras, um dos campos em que a Huawei aposta fortemente. E se a câmara frontal é poderosa, com 8MP e ajudada por um flash próprio, a principal de 13MP consegue óptimos resultados… mas não tão bons quanto as câmaras dos adversários directos LG G4 e Samsung S6. Mas explico: durante o dia e em situações bem iluminadas, os resultados são fenomenais. O problema é quando a noite cai ou estamos numa sala pouco alumiada, onde se regista maior saturação, principalmente nas cores mais vivas.

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De qualquer forma, esta câmara possibilita o total controlo manual, o que é apenas fantástico e um convite para algumas brincadeiras (e melhorar as fotografias nocturnas, o que exige algum conhecimento técnico). Reparem bem na lista de aplicações: Super Night Mode, HDR, Panorama, Embelezador de caras e comida (pois), filtros para pintura de luz e Intervalo de tempo, sem esquecer câmara lenta e time-lapse. Sim, há muito por optar e os resultados só dependem da capacidade criativa. Esta objectiva tem ainda a ajuda de um sensor RGBW e estabilizador óptico, um luxo.

Bom. Mas então qual é o ponto fraco deste terminal? Preparados? A bateria!!! Com 2700mAh dura, em plena e constante laboração, menos de um dia. E percebam uma coisa: este Mate S convida ao constante manejo e consulta, pois tem o poder de um pequeno computador e, com o Office instalado, permite arrumar o laptop em casa ou na redacção enquanto se vai para um evento ou viagem de lançamento. Percebo que o corpo fino e leve não permita incluir uma melhor solução, principalmente a que está dentro do Mate 7 (mas que é bem mais encorpado), mas esperava um pequeno milagre da marca chinesa neste campo.

O Mate S foi apresentado e lançado hoje mesmo em Lisboa

Outro problema é o preço, pouco democrático e que entra directamente na prateleira dos topos de gama actuais. Não é que o Mate S seja pior ou melhor que Apples, Galaxys ou Xperias. Não tem ainda o brand awarness que essa prateleira exige. Mas falta muito pouco para lá chegar.

É um terminal bonito, super elegante e muito poderoso. Tem funcionalidades raras e algumas originalidades. Está bem construído e não aquece muito na mão, mesmo quando se guia um Porsche numa pista cheia de adversários. O sensor de impressões digitais é o melhor do mercado e multi-funcional. O nó do dedo passa a ter funções que nunca pensámos e é um bom companheiro para fotos e vídeos.

Pena que o Force Touch não esteja incluído neste modelo de base. O preço pedido seria facilmente justificado se essa fosse a realidade.

PVP modelo ensaiado e livre de operador: 699€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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