Fui músico nos anos 80 e 90, em dois projectos desafiantes, um dos quais vendeu (e ainda vende) um pouco por todo o mundo. O primeiro projecto foi inovador: usou e abusou da tecnologia e não foi a lado algum. Já nos 90, o segundo projecto aliou tecnologia a instrumentos clássicos e a coisa “voou”.

A questão primordial foi sempre conseguir ultrapassar obstáculos que a própria tecnologia criou. Por exemplo e tão somente, como passar os dados midi para áudio e retransformá-los em impulsos, sem limite de distância, através de cabos de uma mesa de frente à mesa de palco. Conseguiu-se com magia, hoje é um problema que não existe. Também construímos o primeiro monitor plano (flat screen) para transportar mais facilmente nas malas de porão (hardcases).

Tocámos a loucura ao fazer um pad táctil que funcionasse como rato e ainda construímos, à imagem e semelhança de Laurie Anderson, uns pads rítmicos que despertavam com movimentos físicos. Como conseguimos tudo isto? Porque aliámos loucura e noções básicas de engenharia a muita, mas muita astúcia e também muito dinheiro gasto sem qualquer tipo de apoio.

A tecnologia na música é uma área técnica que músicos intemporais, desde os Kraftwerk aos Brian Enos, aprendem, inventam e usam.

Outra coisa é a indústria das vendas, a comercialização da obra e a sua divugação. Ora a Microsoft, com base na assinatura “The Future is Unwritten”, criada por Joe Strummer dos The Clash (curiosamente, uma banda que não usou tecnologia, a não ser em estúdio, mas isso todas usaram), desafia os “empreendedores a escrever o futuro da música“.

Sendo assim, associou-se ao Innovation Music Challenge, uma iniciativa organizada pela Brands Like Bands e pela iMatch, com o objectivo de descobrir e distinguir os “projectos mais inovadores da indústria musical“.

O streaming (ou outras formas existentes ou por existir) obriga as bandas a zelar pela própria sobrevivência. Portanto, o que faz falta a uma banda moderna é incluir, na sua formação-base, um programador. O ideal será ter dois profissionais: para além do programador, um analista de dados com conhecimentos globais de marketing.

O objectivo da Microsoft Portugal não é simples e pretende “criar valor para toda a indústria através do empreendedorismo e da demonstração de novas ideias nas áreas da Produção, Comunicação, Distribuição e Capacitação.” E para consegui-lo, convida “todos aqueles que queiram participar nesta revolução – desde amantes de música a empreendedores -, com novas ideias para apresentar.”

Os actores envolvidos nesta hercúlea tarefa também demonstram grande entusiasmo e passo a fazer um copy paste:

Para Luís Calado, Start Up Lead da Microsoft Portugal, esta é uma oportunidade para trazer à luz ideias únicas que nasçam num terreno fértil que alia tecnologia, inovação, criatividade e arte.  “A Microsoft tem estado ao lado do empreendedorismo em Portugal em diferentes iniciativas. Nos últimos anos participámos em múltiplos projectos, mas nunca abraçámos uma área criativa como é a música. Esta é uma excelente oportunidade, pois acredito que aliar a tecnologia e a música permitirá ver nascer projcetos criativos e inovadores. É com entusiasmo e muita curiosidade que aguardo os projectos que vão estar presentes no Innovation Music Challenge”.

Tomás Archer, da Imatch, defende que “o movimento de inovação que é sentido nas outras indústrias não pode ser ignorado pela musical. Assim, o Innovation Music Challenge é o momento para dar voz ao movimento de empreendedorismo nesta área, e que vai ajudar a criar um novo eco-sistema de inovação musical no país. Queremos que o futuro seja apresentado, debatido, criado, num ambiente de partilha, aprendizagem, co-criação e desafio quer para músicos, inovadores, empreendedores ou simplesmente amantes de música”.

Já para Fernando Gaspar Barros, da Brands like Bands, “o ambiente para a inovação e experimentação nunca foi tão vibrante e para nós será também importante analisar a relação entre quem ouve e faz música em Portugal, aferir ideias e massa crítica para os desafios estruturais desta indústria e, à semelhança de outros países, colocarmos na agenda mediática o futuro daquela que é uma das paixões número um das pessoas: a música”.

Para terminar, atentem aos escolhidos para júri desta acção: Hélio Morais, dos Linda Martini, Fred Ferreira, dos Orelha Negra, Tim – dos Xutos e Pontapés, Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio, Álvaro Covões, da Everything is New e Paula Homem, da Sony Portugal.

Mas faltam os pares tecnológicos, os disruptivos digitais, os Millennials, que podem fazer o contra ponto, discutir mais valias, ou outras valências, não concordam?

O prazo para a entrega de candidaturas termina dia 21 de abril, estando o anúncio dos finalistas marcado para dia 1 de maio e a final marcada para 6 de maio na sede da Microsoft Portugal.

As inscrições deverão ser feitas através do site – http://www.innovationmusicchallenge.com/

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

View all posts