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Na vida estamos sempre a aprender, principalmente se abraçamos uma profissão que depende e trata das tecnologias. Nos automóveis também é assim, cujos modelos são cada vez mais complexos e, recentemente, até conectados com o mundo através de aplicações e internet. Longe vão os tempos em que abrir o capot era meio caminho andado para resolver um problema mecânico. Hoje o melhor é nem tentar e convem chamar um profissional para além de um informático que perceba de sensores e todas as outras coisas.
Tudo isto para dizer que o Toyota Auris Touring Sports foi a minha primeira experiência ao volante de um automóvel híbrido e que…. gostei!

Compreendo todo o zumzum que este tipo de motorizações promove, pois a cada dia que passa é mais difícil manter uma viatura, quanto mais circular com ela.
O Auris é um modelo bonito, com linhas modernas e, pelo que a marca diz, pensadas de acordo com o gosto europeu. Neste caso, discordo. Em todos os pormenores percebo a origem nipónica, principalmente na traseira. Mas gosto francamente da frente muito dinâmica e agressiva, quase desportiva. É, quanto a mim, a secção mais bonita de todo o conjunto.

A versão carrinha é elegante, moderna e sugestiva. Percebemos imediatamente que foi feito um enorme esforço para apresentar um modelo que recupere o sucesso de antigas gerações, como o Corolla. No interior, um desenho moderno brinda-nos com materiais confortáveis, embora aqui e ali surjam secções mais duras que podem promover ruídos parasitas ao longo da vida que, como qualquer Toyota, se promete longa.
Toda a tecnologia “verde” enche o habitáculo, através dos instrumentos tradicionais, de belo efeito, ao ecrã táctil que vai mostrando como estamos a conduzir e se gastamos gasolina ou esgotamos a bateria.

Híbrido

Já presente nos modelos Prius, o sistema Hybrid Sinergy Drive (HSD) tem por base o bloco 1.8 VVT-i que está combinado com um propulsor eléctrico de 60 kW, cuja potência conjunta chega aos 136 Cvs. Esta solução permite não ultrapassar os 11,2 segundos dos 0 aos 100 Km/h e atingir uma velocidade máxima que ronda os 180 Km/h.

O Auris consegue percorrer dois quilómetros em modo totalmente eléctrico, logicamente se não ultrapassarmos os 60 km/h. A bateria vai-se recarregando através da travagem e das desacelerações e é somente desta forma que se consegue os resultados avançados pela marca: 3,6 l/100 km com emissões de apenas 92 g/km. Impressiona, de facto.

Deste modo, e numa condução cuidada (o Auris incentiva-nos a adoptar um comportamento mais ecológico ao volante), podemos obter médias de consumo verdadeiramente extraordinárias, em especial em circuito urbano.

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A caixa E-CVT

Por muito que seja agradável e de funcionamento silencioso numa condução muito económica e passiva, há que mencionar a falta de rapidez com que engrena a relação acima numa aceleração mais convincente, ou seja, o motor parece que esgota as rotações antes que se decida a escolher uma mudança acima. É algo estranho, precisamente por todo o conforto de utilização estar tão patente numa toada menos vigorosa. Isto faz pensar que esta versão Auris é uma excelente estradista mas… em auto-estrada, ou seja, se precisarmos fazer uma ultrapassagem com pouco espaço e tempo, temos de pensar duas vezes. E, claro está, sem bagagem. Depreendo que o comportamento não melhore com mais peso…

Conforto e equipamento

Temos tudo o que precisamos para o nosso dia a dia. Esta Auris é de uma facilidade de condução exemplar, muito devido à caixa automática sequencial, e tem um trabalhar muito directo e simples. Basta memorizar três posições para dominarmos com facilidade todo o processamento e a sua maneabilidade é muito rápida. Dá gosto guiar este Toyota e, mesmo sendo uma carrinha com algum volume, torna-se fácil qualquer tipo de manobra.
Todos os comandos estão bem à mão e as mais modernas tecnologias ao nosso dispor, tanto no sector audio digital, como telefónico e GPS muito fácil de programar. Nem tudo é perfeito: não se entende a colocação de um relógio tipo anos 80 e um aviso luminoso sobre os cintos de segurança de design antiquado e demasiado intrusivo.
Este Auris está também pensado para longas viagens, com um excelente ambiente a bordo, bons assentos, espaço mais que suficiente para quatro adultos viajarem à vontade e com uma bagageira que arruma bem todos os pertences com 530 litros que aumentam para uns impressionantes 1658 litros com os bancos rebatidos, referenciais no segmento (até à chegada da Civic Tourer).
Reparei, contudo, numas vibrações vindas do eixo dianteiro em pisos de menor qualidade que deixam antever alguns ruídos ao longo do tempo de vida do modelo.

Conclusão

A gama Auris Touring Sports disponibiliza também os blocos 1.33 e 1.6 litros a gasolina, o 1.4 e 2.0 D4D turbodiesel, para além deste ensaiado híbrido. Gostei francamente desta experiência e senti-me em casa, ou seja, a habituação é tão imediata que sugere ser o nosso automóvel de há vários anos. A Auris é  confortável, espaçosa para o segmento e, na versão ensaiada, não se pode pedir mais equipamento, com aquele fantástico tecto panorâmico em vidro que enche o habitáculo de luz. O rolamento convida a grandes viagens, sabendo que também não vamos gastar tanto dinheiro em combustível. É solução familiar mais que óbvia, mas também garante ao condutor diário e do pára arranca um conforto de utilização superior.

Mas atenção para quem pensa que tem aqui a galinha dos ovos de ouro para poupar muito dinheiro ao fim do mês. Os consumos são francamente bons se guiarmos numa toada muito calma. Se puxarmos um pouco, chegamos facilmente aos 7/8 litros em circuito misto e existem outras soluções no mercado que conseguem valores melhores. Aqui a questão é se estamos ou não preparados para adequarmos a nossa forma de estar ao volante para uma toada sem grandes aventuras, sabendo que podemos poupar e muito em distâncias pequenas.

PVP

1.8L HSD (Híbrido) MultidriveHYBRID COMFORT26.875,00 €
1.8L HSD (Híbrido) MultidriveHYBRID EXCLUSIVE29.035,00 €

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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