Nunca experimentei a anterior EX1, mas dois amigos continuam felizes com a sua “arriscada” escolha. E “arriscada” porquê? Porque a Samsung ainda não conseguiu um destaque evidente neste segmento de produto quando já está bem lançada (e de que maneira) em outros, como smartphones, tablets e Tvs.

Mas a EX1 apresentava credenciais dignas de registo e agora, a sua sucessora, a EX2F melhorou o que era melhorável e apostou em novos trunfos, como o Wifi e a lente com abertura F1.4 que, realmente, dão nas vistas. Muito nas vistas.

 

Design e características

Um sensor BSI CMOS com 12,4 megapixels é uma melhoria face aos 10mp da EX1 e a qualidade das fotos é notória até ao ISO 800. A partir daí nota-se grão e alguma indefinição, mas tudo é compensado com o que, para mim, é o principal cartão de visita desta Samsung com a sua muito boa abertura a F1,4 que deixa realmente entrar mais luz que o normal e que evita, por isso, a nossa tendência de compensar com o ISO.

O corpo da EX2F é cativante e enche o olho. O corpo está muito bem construído em liga de magnésio, há comandos físicos para os mais entusiastas, o ecrã OLED de 3” é muito bom e, à imagem de câmaras de segmento superior, é manobrável e multi-ângulo e depois existe a secção técnica que apresenta a lente mais luminosa no segmento das compactas (a par da Panasonic Lumix LX7), uma F1.4 com equivalência 24mm.

A sensibilidade ISO chega aos 12,800 e o modo vídeo é agora Full HD a 1080/30p.

Mas existe outra secção que pode ser um trunfo importante na altura de se fazer a escolha entre as muitas opções existentes no mercado: o “F” de EX2F significa que esta está preparada para todo o novo mundo das funções Wifi, aproveitando mesmo os ensinamentos da gama mais alta NX e estando equipada com complementos “Smart” como o Mobile Link, Remote Viewfinder, Email e Auto backup.

 

O sensor é 1/1.7 polegadas (maior que o encontrado na maior parte das compactas) com 24-80mm F71.4/2.7. O zoom, convenhamos, podia ser mais generoso, pois só tem um alcance de 3,3x o que é, para algum tipo de fotografia, muito curto. E se imaginarmos a qualidade dos zooms digitais de alguns concorrentes, como a Sony RX100 e a Canon S110, este passa a ser um problema e não um defeito.

E já que estou nos apontamentos menos bons, há que dizer que, sem entender muito bem a razão, esta Samsung é das poucas compactas da nova geração que não tem um anel rotativo e multifunções em redor da objectiva, mesmo se visualmente dá esse efeito. Uma pena, mas pelo menos, e retirando o anel de metal que lá está, podemos colocar-lhe filtros ou outros acessórios, o que convenhamos, do mal o menos. Mas “Samo”, os exemplos da Canon (que iniciou esta moda com a série S), Sony e até mesmo a Casio com a sua nova ZR1000 (que já passou por cá numa visita de médico e que terá de regressar com mais tempo e calma) são mesmo para seguir.

 

Operação

É uma câmara simples e directa, com muitos controlos manuais bem posicionados, o que garante rapidez e facilidade de utilização. O ecrã rotativo OLED de 3” tem uma cor vibrante e é muito nítido, sofrendo como todos os outros, um pouco mais quando está sob luz solar mais intensa. Mas mesmo assim, mantem algum nível para que possamos tirar um bom boneco.

O sistema de menus é muito simples e eficaz, com muita informação fácil de consultar e entender. O botão FN uma vez pressionado é a porta para a maior parte dos settings. O botão rotativo D-Pad encaixa na perfeição neste bonito corpo e desempenha eficazmente o seu papel.

 

Qualidades e Defeitos

 

Para além de podermos tirar 10 fotos por segundo em modo Jpeg, tal já não é possível em RAW mas, convenhamos, o utilizador mais familiarizado com este formato optará por uma câmara de gama alta.

Esta Samsung está recheada de funções como o Autofocus com focagem por zona, multi área, secção e até seguimento automático e tudo é suave e eficaz na maior parte dos casos. E é rápida, o que passou a ser um dos pontos a favor desta EX2F. Existe apenas um problema no caso do focagem por zona pois esta só permite um único ponto em todo o ecrã o que, por vezes, torna a resposta menos eficaz. O pequeno quadrado teimou também em perder algum tempo da cor vermelha para verde quando forcei algumas macros e tive de me afastar uns centímetros até o “plim” funcionar.

Se bem que a Samsung não queira perseguir a Casio, por exemplo, na rapidez de funcionamento, podia estar neste campo um tudo ou nada melhor. Mas, para uma experiência normal e quase sempre automática, nada disto é desesperante.

Outro ponto neste campo que também não vai agradar a quem gosta de fazer coisas de uma forma mais artística, é o sistema de focagem manual que, sim, existe, mas como não temos o anel exterior, somos forçados a utilizar o anel traseiro de selecção de funções o que não é uma solução rápida nem confortável. Mais a mais também não existe nenhuma ajuda de zoom auxiliar ou outro sistema para percebermos mesmo se está tudo como desejamos. Mas, atenção, mesmo com uma solução não muito imediata, está à nossa disposição e permite o seu controlo.

 

O Wifi, sim ou não?

Tem um smartphone consigo sempre que vai tirar fotografias? Não? Então esqueça esta funcionalidade pois ela necessita de uma ligação sincronizada com o dito cujo. Isto até é lógico, pois não há ranhura na câmara para um cartão SIM e de alguma forma temos de ter esse tipo de comunicação para lançarmos a nossa arte para o mundo.

Curiosamente, existem muitos consumidores que não previram esta situação e que depois vão para as redes sociais destilar algum desencanto, o que também não me parece justo para as marcas. Sim, a Samsung não está sózinha neste campo. De qualquer forma, e estando sob o alcance, tudo é possível através do Wifi.

Sendo assim, e como já mencionei, temos acesso a funções específicas para o cada vez mais omnipresente “sharing”: MobileLink, Social Sharing, Email, SkyDrive, Auto Backup e TV Link, mas deixei para último a melhor e a que nos possibilita algumas brincadeiras e que se denomina por Remote Viewfinder. Explicando de uma forma simples, esta função permite-nos deixar a câmara num certo local e, através do ecrã (e app) do smartphone, podemos tirar fotos longe da dita. É um convite para sermos marotos, mas também é uma função extraordinariamente útil para os amantes da natureza e que gostem de fotografar bichos sem dar nas vistas. Ou um pôr do sol diariamente para depois fazer uma edição catita… como se pode ver, as possibilidades com esta simples função podem ser grandes e diversificadas.

Por outro lado, e olhando para o Samsung Galaxy SIII que tem uma portentosa câmara incorporada, todas estas funções, por bem vindas que sejam, podem ser apenas um plus na hora da compra mas que, na verdade, poucas vezes irão ser utilizadas. Ah, e esqueçam a bateria… esvai-se num instante.

 

Então em que ficamos?

Gosto desta EX2F mas compreendo que não seja a opção para os mais entusiastas e conhecedores.

O corpo é muito apelativo e a qualidade de construção acima da média. Muitos controlos manuais estão à disposição, assim como aquela lente com imeeeeeensa luz que permite, realmente, excelentes fotos principalmente em ambientes em que teríamos de puxar mais pelos valores ISO e, com isso, criar mais ruído nos assuntos.

O ecrã OLED com ângulo multi-variável é muito bem vindo e facilita tomadas de cena mais complicadas em termos de equilibro. Logicamente que podemos mantê-lo arrumado e virado para nós, mas é sempre aquele tipo de extras que nos fazem sempre gastar mais algum dinheiro e que, neste caso, vem muito bem inserido.

O autofocus poderia ser melhor, pois tem uma ou duas manias e ligeiros atrasos, assim como toda a experiência Wifi que, para além de gastar bateria, não vai ser usada assim tantas vezes, sendo mais uma característica que sabemos que está lá e podemos, de vez em quando, mostrar aos amigos.

O zoom é curto. E, não nos podemos esquecer, que ao lado desta EX2F estão modelos que provaram uma qualidade extraordinária e capacidades invulgares. Se a Samsung quer entrar nesta guerra de formatos semi-profissionais, tem de ter em conta aquilo que referi e lançar rapidamente uma EX3 que ultrapasse estas dúvidas.

Resumindo, a EX2F é uma belíssima câmara para fotógrafos que vêm do segmento das compactas e querem ter algo bom, duradoiro, bonito e com alguma sofisticação. As várias capacidades técnicas vão entreter e ajudar  os futuros proprietários a conhecer este mundo que de tão clássico está a abraçar as tecnologias mais inovadoras.

Não a acho indicada para pessoas que já possuam alguma técnica e que desejem uma câmara com sofisticadas operações manuais sem sacrificar a dimensão e o peso.

O preço não é diferente da concorrência e 499 euros são um valor próximo das flashgips actuais e concorrentes directas. Mas um passarinho disse-me que pode haver uma ligeira descida brevemente.

 

fotos sem qualquer tipo de edição

Video samples

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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