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Confesso, nunca tinha experimentado um automóvel movido a GPL, portanto, só a perspectiva da novidade fazia crescer água na boca. Mas tenho ainda outra confissão que penso ser transversal a todos os que tiveram a sorte de conduzir um Alfa: é que existe uma mística que envolve esta marca e que se apreende imediatamente assim que nos sentamos ao volante. Nem é pela extraordinária qualidade de construção ou acabamentos, nem pelo inconfundível luxo ou pelas performances extraordinárias… é outra coisa. É uma posição de condução perfeita, uma direcção precisa que nos faz sentir mais capazes, um ronronar de motor que nos permite um sorriso maior, uma envolvente de design ímpar… tudo isto junto faz um automóvel, não um carro. E por tudo isto, relembrei os meus queridos 145 e 147 quando me sentei neste Giulietta “vermelho alfa”.

 

 

 

 

 

 

Comecemos pelo motor

Este Giulietta recupera o emblema Veloce que traduz mais e melhor equipamento e é daqueles adjectivos que um Alfista procura como assinatura (ele há outro que até tem como símbolo um trevo de quatro folhas).

Mas até o mais fanático da marca pode achar bizarra esta solução de motorização. Afinal, em vez de um puro-sangue, surge um 1.4 turbo de dupla alimentação a gasolina e GPL. Mas atenção, com 120 cv (e agora lugar para os números que interessam neste caso:  Binário Nm 206 às 1750 rpm), este Alfa é o mais rápido GPL que se pode comprar neste momento em Portugal. E, garanto-vos, esse poder sente-se tanto em arranque como em recuperações e em marcha (não fiz muitos kms em autoestrada, mas deu para perceber que é um bom companheiro para longas viagens). De resto, um imenso prazer de condução acompanha a direcção muito precisa e directa, um amortecimento até bastante eficaz, algum luxo interior com materiais convincentes e depois… aquele design que enche o olho!

Este GPL tem muito que se lhe diga e exige alguma atenção para pormenores que não são comuns nas demais soluções. O depósito de gás dá para 32 litros que garantem (dados da marca) uma autonomia de 366 Km. Se fizermos as contas ao preço do litro do GPL (já tomando em consideração a ridícula e recente medida governamental que o vai agravar, isto depois de ter oferecido incentivos à sua compra), cada litro vai rondar os 70 cêntimos. Também por dados oficiais, gastamos 8,3 litros a cada 100 km (com emissões mais baixas, a 134 g). Ora se o litro de gasolina custa o dobro, isso significa (numa aritmética muito rápida) que o Giulietta gasta cerca de metade, ou seja, 4,1 litros aos 100 se fosse movido a gasolina. E, não se esqueçam, estamos a falar de um motor potente e desportivo com grande margem de utilização. Ainda restam dúvidas que esta é uma excelente solução?

O depósito de gasolina, no meu caso, foi quase igual como veio. Devo ter gasto, talvez, uns 2 litros em seis dias e isto devido ao pára-arranca do caos rodoviário que é o eixo Cais do Sodré/Santa Apolónia que fiz bastas vezes. Chegados aqui, há que explicar o conceito de funcionamento: o arranque faz-se a gasolina e é essa que gastamos até às 1500 rpm, a partir daí entra o GPL em funcionamento e é este constante diálogo electrónico e automático que faz sobressaír as vantagens deste motor e sistema.

Se podemos ver o ponteiro tradicional do depósito de gasolina, o nível do GPL é nos dado num conjunto que fica alojado por baixo do sistema de ar condicionado e ao lado do selector DNA (já lá vamos). Um simples botão muda o consumo de GPL para gasolina e avisa-nos com uma luz. As restantes quatro luzes verdes correspondem, cada uma, a 8 litros de gás e vão-se apagando conforme se vai gastando o combustível. No meu caso, ainda o entreguei com uma acesa. Como disse, não fiz viagens nem muitos Kms, mas deu para perceber que a poupança é por demais evidente e torna este Giulietta numa solução bem mais atraente que os Diesel equiparados e com a vantagem de ser muito menos poluente!

Ao conduzir este Alfa fui mudando o selector, convencido que ia perceber uma súbita queda de potência ou um arrasto no arranque (pensamentos típicos de quem não faz a mínima do que é um carro a GPL), mas para minha surpresa, guiar a gás ou a gasolina é, neste modelo, quase a mesma coisa. Percebi ao ler algumas noções oficiais que a Alfa tudo fez para minimizar essa diferença de comportamento e, atenção Alfistas, pareceu-me que este Ecoturbo é até um pouco mais rápido em GPL. Não me batam…

Ao ralenti, então, até parece que está equipado com sistema start/stop (não está), tal é o mínimo ruído audível a umas muito estáveis 700/800 rpm. Impressionante pela positiva. Antes que me esqueça, existe ajuda de arranque nas subidas.

Com tudo isto, o que diz a marca? Que conseguimos com estes dois depósitos combinados uma autonomia, agarrem-se bem, superior a 1300 Kms!!!!!!!! Leram bem… e sim, gasolina, não diesel.

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DNA

Este selector, já usual nos mais recentes modelos da Alfa, tem três posições D (dynamic) N (neutral) A (all weather) que modificam alguns parâmetros do automóvel de acordo com a nossa forma de conduzir ou preferência. Convido-vos para visitarem a página oficial que tem toda a informação sobre este assunto.

De realçar que se nota, verdadeiramente, o carro mais “agarrado” à estrada, com direcção mais directa (e pesada) para uma condução desportiva na posição D. Um convite sincero para ir dar uma volta sem passageiros…

 

 

 

 

 

 

O interior

A envolvimento com o condutor é levado muito a sério, neste veículo que é um familiar de segmento médio e, comparativamente, uma solução menos onerosa que muitos concorrentes que considero directos. As fotografias não lhe fazem justiça, pois temos mesmo de nos sentar e perceber, até admirar, os botões, os comandos, as linhas e a simplicidade deste tablier. Nem tudo são rosas. Preferia um volante de menor dimensão (fiquei fã dos utilizados nos novos Peugeot), mesmo que este seja em pele de excelente tacto e debruado a vermelho na parte interior e o botão + luzes GPL não é feliz (o sistema já surge inserido nas legendas principais no Fiat Punto GPL).

Faz também falta um ecrã de maiores dimensões com um sistema GPS, em vez de um rádio tradicional com legendas a vermelho que são muito presentes. Mas depois penso que se a Alfa tivesse optado por esse género de equipamento (vai ter de fazê-lo num futuro restyling, pois o mercado assim o exige) aqueles magníficos botões tipo avião (ou Mini) podem desaparecer, assim como o muito bonito e gráfico sistema AC (automático bizona nesta versão Veloce).

Existem alguns espaços para arrumação, não muitos, mas ainda temos um kit fumador, algo raríssimo hoje em dia. O travão de mão enganou-me algumas vezes, pois parece que não destrava até ao limite, mas é mesmo assim.

O sistema áudio convence pela positiva. O equipamento Blue&Me está presente, assim como uma ficha áudio mini jack/AUX e entrada para pen USB. Contudo, estão mal colocadas dentro do guarda luvas e com difícil acesso. Por outro lado, este mesmo guarda luvas tem uma dimensão generosa, pouco comum no segmento.

Os bancos traseiros são confortáveis e, mesmo com tecto forrado a tecido preto e vidros laterais de pequena dimensão, quem viajou atrás sentiu-se muito bem e sem claustrofobia (que já aconteceu noutros veículos com soluções semelhantes).

A bagageira é outra boa surpresa. Não sendo grande, esconde muito bem o tanque de combustível do GPL que está colocado onde é o habitual lugar do quinto pneu.

 

 

 

 

 

 

 

Conclusão

Não sendo, para mim, o mais bonito dos Alfas, ia gostando todos os dias mais um bocadinho do Giulietta, percebendo-lhe os pormenores, a fluidez de linhas e as soluções originais (foi a Alfa que introduziu os fechos das portas traseiras no pilar). No caso deste Veloce, é uma tarefa ainda mais facilitada pelas jantes em cinzento titânio de 17″, as ópticas escurecidas, os espelhos laterais em cinzento, o revestimento dos estofos, o ambiente em preto.

A cor vermelha fica-lhe muito bem e a iluminação é eficaz e muito original, principalmente os faróis traseiros que são um hino à diferenciação.

Mas é lá dentro que se sente a chama Alfa, o gozo que dá na sua condução, a relação entre a máquina e o homem. Atenção que estou a empolar estes dados porque falamos de um automóvel que ronda os 25 mil euros, portanto, não pode ser comparado a outros ‘maquinões’ que tenho vindo a ensaiar. Apenas reforço que esta experiência é notória, pois quem ia a meu lado percebia que eu estava… feliz. E não é também isso que procuramos num automóvel?

A grande questão é outra: como fazer com que os portugueses, confessos fanáticos da opção diesel, percebam que este sistema duplo GPL+gasolina é muito mais eficaz, menos poluente e mais poupado? Ah… um governo que não desse o dito por não dito também ajudava. Mas vão por mim, quem procura um carro sofisticado, bonito e diferente, com qualidade e uma solução que permite poupar muito dinheiro ao ano, marque um test drive nas instalações da marca. É que entrando lá dentro…

Quanto a preços, não há que enganar. Este Giulietta EcoTurbo GPL tem até condições vantajosas na sua aquisição e actualmente existem várias campanhas de desconto em vigor para os modelos GPL até ao final do ano: só para mencionar o Giulietta GPL, poupamos 3.000€ (que devem ser subtraídos ao PVP logo abaixo).

P.V.P. original sem promoções e descontos Versão 1.4 TB 120cv EcoTurbo Veloce: 25.200€

 

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Características técnicas

Nº. cilindros, disposição: 4, em linha;
Potência: 88 kW (120 cv);
Binário Nm – rpm: 206 – 1750;
Caixa de velocidades: 6 velocidades;
Cilindrada (cm3): 1368;
Potência máx. kW (cv-CE) a rpm (DYNAMIC): 88 (120) a 5000 rpm;
Binário máx. Nm (kgm-CE) a rpm (NORMAL): 206 (21) a 1750 rpm;
Binário máx. Nm (kgm-CE) a rpm (DYNAMIC): 206 (21) a 1750 rpm;

Prestações

Velocidade máx. (km/h): 195;
Aceleração 0-100 km/h (s): 10,3;
Consumos – Emissões segundo diretiva 1999/100/CE
Ciclo urbano (l/100km): 8,5 (BZ) – 10,9 (GPL);
Ciclo extraurbano (l/100km): 5,2 (BZ) – 6,8 (GPL);
Ciclo combinado (l/100km): 6,4 (BZ) – 8,3 (GPL);
Emissões CO2 (g/km): 149 (BZ) – 134 (GPL);
Classe ambiental: Euro 5;

 

 

 

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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