Volvo V40 Cross Country, o ensaio que junta emoção à razão

8 Conjunto
9 Equipamento
8 Condução
8 Conforto
9 Factor X5
8.4

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No mundo existem as pessoas,  muitas, que se regram por logótipos e pela pujança comercial de uma determinada marca.  Seja por status social ou qualquer outra particularidade (a qualidade paga-se, por exemplo),  o que é certo é que os portugueses vivem fascinados por um grupo de marcas automóvel que pouco têm mudado com os tempos. Quase todas germânicas, vêm conhecendo uma concorrência extraordinária,  até mesmo, pasme-se, de produtos oriundos de países que sempre viveram arredados destes parâmetros, como é o caso mais recente da Coreia do Sul.
Depois, bom, depois existem marcas que encaram o automóvel como um receptáculo que serve para transportar alguém de A a B mas que deverá fazê-lo da forma mais segura possível. O design e a performance serão sempre factores extra, de segundo plano, com menor importância, pois um cliente com a cabeça no lugar tenderá sempre a preferir um bom veículo pensado para a sua máxima protecção e conforto, ao invés de preferir velocidades espampanantes ou linhas extraordinariamente sedutoras.
A Volvo tem ousado transmutar esta realidade, juntando a mais pura racionalidade à diversão e ao encantamento emocional, e esta nova V40, na versão Cross Country, responde a todos os meus desejos e exigências. Amigos, este é o automóvel que destrói a mística que ainda resiste em Portugal sobre a tal importância social dos logótipos. Melhor, torna ainda mais cool quem escolhe um temperamento sueco (mesmo que tenha passado por mãos que lhe deram um boost económico mas que não compreenderam bem a essência da marca) em detrimento de um seu semelhante germânico.

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Visualmente, a nova geração V40 não mudou a essência do modelo e continua, quanto a mim, como um dos mais belos automóveis da actualidade respondendo com muita emoção à conquista de novos clientes para a marca. Esta carrinha não prima pelo espaço, a mala não é referencial e até é pouco prática como veículo familiar. Mas disto já sabíamos. Escolhemos uma V40 pela beleza exterior, qualidade de construção, conforto em rodagem e, acima de tudo, com uma “desculpa” que a todos converte, mesmo aos mais racionais lá de casa: o equipamento e tecnologia de segurança pensado para sobreviver ao pior momento de uma vida.

Ao volante

Primeiro estranha-se e depois, bom, depois vamo-nos habituando. Do que falo? Das muitas ajudas à condução. Para quem, como eu, gosta de ter total controlo sobre um carro, guiar esta V40 pode ser uma experiência assustadora. Porquê? Porque existe uma espécie de piloto automático que vai corrigindo, a cada metro, os nossos deslizes. Ao mudarmos de faixa e ao pisar os traços, o volante estremece três vezes. Quando estamos a fazer uma curva e deixamos o carros pisar o traço contínuo paralelo à lomba, o próprio carro desvia-se para o que considera a rota ideal. Ora quando não estamos à espera disto, apanhamos um susto, mas depois é como a… Coca-Cola.
Todo o cockpit mostra uma extraordinária qualidade de montagem. Nesta versão ensaiada, a pele em tom Camel transfigura o segmento, oferecendo uma experiência ao nível de um modelo bem mais oneroso. O banco tem múltiplas regulações, sendo fácil encontrar a perfeita. Os comandos são já os habituais na Volvo, com um painel de instrumentos personalizável (cor e design) e com uma ilha central que apresenta muitos comandos e que requer alguma aprendizagem. A Volvo deverá rever esta situação e acompanhar a simplificação de processos.

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E quanto ao motor, um 2.0 diesel de 4 cilindros com 150cv? Rápido, generoso, com força. Sim, força, é o adjectivo mais adequado. Basta carregar no pedal com veemência para que, em conjugação com a caixa automática Geartronic 6v, esta V40 mostre que tem garra e vontade de ultrapassar os adversários que surgem pela frente, sejam automóveis em estradas, como algumas subidas mais exigentes numa qualquer viagem pelos caminhos de uma serra. E quanto aos consumos? É, numa palavra, comedida. Em modo casual chic (passear pela cidade com tempo para gastar) anda pelos 5 litros aos 100. No modo Bold and beautifull (guiar com genica e sem olhar a empecilhos mundanos) supera os 6,5.

Conforto

Escolhi visitar um local que descobri pelas memórias da minha mãe, uma praia fluvial com parque protegido em redor que deu para perceber o “factor Cross Country” desta Volvo.  A minha anterior experiência com a XC60 (ler ensaio), pelas estradas de terra da Serra algarvia, apresentou-me ao luxo de poder “voar” sobre terra no mais puro conforto. Por seu turno, a V40, mesmo com enormes e magníficas jantes (Metallah 18” que custam 916€) e pneus de baixo perfil, mostrou grande apetência pelo Off-road… desde que não seja muito aventureiro. É carro para montes e vales, mas prefere o conforto de um tapete de alcatrão. Perfeita para quem ainda tem um “monte alentejano” ou goste de perceber por onde vai aquele caminho mais sinuoso. Contudo, cuidado, não é um jipe e nem pretende sê-lo.

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Conclusão

Adoro esta V40 CC. Pronto, é isto, fiquei rendido! É linda, cheia de charme, cosmopolita, urbana com toque aventureiro, extraordinariamente bem equipada (vejam os preços no final da peça), transmite uma segurança que faz inveja a muito topo de gama que já experimentei e tem todas aquelas ajudas à condução que podem realmente ajudar quem mais precise. Contudo, toda esta comunhão tem um preço e, neste caso, é bastante alto.

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CARACTERÍSTICAS

Nível de Equipamento: Summum

Caixa de Velocidades: Geartronic 6v.
Cor: luminous Sand (763€)
Estofos: Couro – Âmbar
Jantes: Metallah 18”(916€)

Packs:
Business Pack Connect (1.722€);
Xenium Pack (1636);
Climate Confort Pack (320€);
IntelliSafe Pro Pack (2.091€)
Total dos packs: 5.769€

Opcionais:
Alarme (461€);
Keyless Start (277€);
Ponto de fixação da cadeira de segurança na zona dos pés;
Desativação do airbag do passageiro (80€)
Total dos opcionais: 818€

Preço de entrada da V40CC: 30.785€
Preço de entrada da V40CC D3 Summum: 39.846€
Preço da viatura ensaiada: 48.112€

 

O veículo foi cedido pela marca para esta análise;
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