O Galaxy S7 Edge tem um CPU 30% e um GPU 60% mais rápido que o antecessor, 4GB de RAM e um ecrã maravilhoso, mas só se fala da câmara. É assim tão espectacular?

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O S6 Edge de 2015 deixou-me um misto de sensações: gostei do formato e da novidade, mas desgostei do tamanho que achei pequeno. O S6 Edge Plus veio confirmar que essa minha crítica tinha fundamento e tornou bem mais agradável a sua operação. Mas continuei a ficar de pé atrás em relação ao conforto de utilização e melindrei-me com alguns bugs de software. Alguns meses depois, eis que me chegou o novel Samsung S7 Edge que promete atenuar, senão mesmo obliterar, as minhas anteriores críticas e receios. Vamos a isso?

“Despacho” já o coração da máquina, portentoso e sofisticado: um esplendoroso ecrã Super Amoled QHD de 5,5″ (2560 x 1440) é a alma de uma caixa em metal e vidro que abriga um processador Qualcomm Exynos 8890 Quad Core 2,3 GHz + Quad Core 1,6 GHz (outros mercados também apresentam a versão com Snapdragon 820), 4GB de RAM, 32 ou 64GB de armazenamento (unidades UFS 2.0, ou seja, mais rápidas que as convencionais EMMC), certificação IP68 que permite um “banho” de 30 minutos até 1,5 metros de profundidade e uma bateria com 3600mAh que consegue aguentar um dia de intenso trabalho com toda esta qualidade gráfica e rapidez de processamento. Sim, a máquina é mesmo boa.

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A grande reformulação, e um mea culpa oficial, é o regresso de uma das maiores vantagens dos smartphones Android em relação aos iPhones, ou seja, a entrada para um cartão de memória microSD (neste caso até 200GB) que, sabe-se lá porquê, desapareceu na geração 6. E digo “a grande” porque, fisicamente, são de pormenor as alterações entre o Edge do ano passado e o que neste momento experimento: continuamos a ter o belo binómio vidro/metal na construção, a objectiva está menos saliente (nunca me chateou) porque o corpo “engordou” uns milímetros e a parte traseira tem uma ligeira curva em ambas as laterais que “acompanha melhor a mão”, tornando o S7 Edge mais confortável de segurar, o que não implica alguns calafrios quando evitamos um possível trambolhão. É que o Edge é tão polido que facilmente escorrega da mão.

O sensor biométrico está colocado no botão central e existe um segundo sensor para medir a nossa frequência cardíaca, nível de oxigénio no sangue e ainda como está o nosso stress, este colocado ao lado da objectiva fotográfica principal. Ambos são rápidos quanto baste, e para acordar o S7 só temos de manter pressionado o dedo para saltar os dois passos (reconhecimento e destravamento). Temos ainda a possibilidade de carregamento sem fios e o sistema operativo Android Marshmallow 6.0 que começa a surgir nos mais recentes equipamentos. Claro que o já clássico User Interface TouchWiz marca presença mas, desta vez, menos intrusivo, o que garante uma relação com o dito mais simpática e até útil. A marca optou por não incluir neste pacote a nova e mais atraente (e rápida em todos os sentidos) ligação USB-C, mantendo a tradicional: há uma razão simples, a compatibilidade com os óculos Gear VR de primeira e segunda geração.

Ultrapassadas estas questões, vamos passar ao que realmente me impressiona neste Edge: os menus e barras de notificação laterais e a aclamada câmara.

Não há dúvida alguma que os Edges marcam a diferença e neste S7, finalmente, o ecrã curvo é verdadeiramente funcional, ultrapassando alguns problemas encontrados nas versões anteriores. Desta feita,  permite “puxar” um sub-menu realmente útil no qual podemos instalar diversas Apps, tanto da marca como de terceiros, o que facilita (e muito) a interacção com o dispositivo: desde um atalho para os contactos mais directos (com fotos), a ferramentas básicas (lanterna, bússola, régua), notícias (Yahoo, CNN, etc) e demais aplicações, tudo é rápido e eficaz. Um aplauso, Samsung!

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Por baixo desta aba lateral, surge uma outra sempre que perdemos uma chamada. É a partir dela que podemos escolher o tipo de resposta para comunicar de volta com a pessoa que nos procurou. Muito útil e faz um brilharete visual. Com o ecrã apagado, podemos também chamar barras de notificação lateral que vão passando notícias ou informações como se fosse um ecrã da bolsa de valores num efeito bem engraçado. Para culminar tudo isto, temos agora um ecrã “always on” que podemos configurar com algumas informações, desde o clássico relógio aos alarmes e calendário. Não se preocupem com o gasto energético pois é praticamente nulo.

São estas as diferenças que tornam o S7 Edge único e muito desejável. Mas nem tudo são rosas: este ecrã é demasiado sensível ao toque e abre funções e aplicações ao menor contacto físico, o que me enervou bastas vezes pois o telefone fazia o que eu não pedia. Procurei um menu onde pudesse escolher um nível de pressão menor, mas não encontrei, e conheci o mesmo insucesso na busca pela tecnologia que alguns tablets empregam quando se trabalha com uma Stylus, ou seja, o reconhecimento automático de alguns pontos de contacto ou pressão que são feitos acidentalmente. Este é, a meu ver, o ponto menos bom em toda a usabilidade com o S7 Edge e que me obrigou a um enorme e constante cuidado no manuseamento.

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Antes de passar à câmara, deixo também algumas críticas para a ligação WiFi que tem de ser melhorada com um update de firmware. Perdi a rede em locais que a têm forte e foi um problema conseguir manter uma ligação telefónica com o sistema RLink2 da Renault (no ensaio recente que fiz ao novo Megane e que podem ler aqui). Pode ser da unidade testada, mas é um caso que tem de ser ultrapassado num equipamento básico, quanto mais deste valor.

E eis que chegamos à câmara com este primeiro exemplo fotográfico (mais no final do artigo)

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Exemplo tirado durante o dia e montada no Cinema Mount com a ajuda de uma Macro

A Samsung passou grande parte da apresentação durante a MWC de Barcelona a explicar o seu novo posicionamento técnico. Ao optar por baixar o número de megapixéis (de 16 para 12MP), aumentou o tamanho real de cada um, o que implica captar mais luz traduzindo-se em melhores resultados em situações onde ela não abunda (interiores, lusco-fusco, noite). Esta objectiva tem a abertura maior encontrada num smartphone, f/1.7, aliada à estreia da tecnologia Dual Pixel que permite efectuar disparos mais rápidos com uma melhoria significativa em rapidez (e resultados) de focagem. A tudo isto ainda acrescentarmos estabilização óptica de imagem (Smart OIS).

Existem muitos extras criativos: Panorama Interactivo (que permite fotografarmos uma panorâmica mesmo com um objecto em movimento, evitando aquele corte do elemento em cada fotograma), a Selfie Flash (permite ao utilizador o uso do ecrã AMOLED como se fosse um flash da câmara para garantir resultados em fraca luz), um filtro dedicado para fotografar comida e assim alimentar a ânsia “#foodporn” de cada vez mais instagramers, intervalo de tempo (time lapse), modo Rosto Belo que, aliado à câmara frontal de 5MP e também com abertura f/1.7 faz maravilhas pela nossa pele, tirando borbulhas e cicatrizes), para além da Wide Selfie que procura o grupo de amigos, abrindo o enquadramento para ninguém ficar de fora.

Tudo isto é muito bonito, mas como se traduz numa acção diária e para uma pessoa que já tenha algumas noções técnicas? Vou ser muito directo: é uma câmara f-a-b-u-l-o-s-a! Com ou sem modo HDR, com ou sem ajustes manuais (temos toda uma suite de controlo à disposição para fotografia e vídeo), os resultados enchem o olho e a alma. Pude fazer a comparação directa (muito ao de leve) com a dupla câmara com tecnologia Leica do novo Huawei P9 e garanto-vos que andam taco a taco, com uma a comportar-se melhor que outra em situações pontuais e vice versa, o que acaba por ser uma boa notícia para a marca sul-coreana.

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Existem ainda outros pontos de interesse nos novos S7, mas o tempo de ensaio, cerca de 15 dias, não foi amigo de uma análise mais profunda (aguardo uma experiência mais prolongada como gosto de fazer aos equipamentos que mais me seduziram). O serviço Galaxy Essentials é um plus para quem gasta bom dinheiro num S7 oferecendo acesso a vários aplicativos úteis, como sites de notícias (oferta de assinatura digital do Expresso e Público durante três meses, por exemplo, mas também a Bola para quem gosta do desporto).

As aplicações EA HUB e GameTmeTM garantem acesso a um bom número de jogos premium, como os Star Wars, Galaxy of Heroes, SimCity Build It, UFC, Real Racing, Need for Speed ou Minions, e a Samsung equipou o seu topo de gama com um processador gráfico muito potente para conseguir responder eficazmente a todo este esforço.

De salientar que os S7 (assim como os S6) são os únicos smartphones compatíveis com a utilização dos sofisticados Oculos Gear VR que foram ofertados em pré-lançamento de venda do terminal.

PVP: 799,99€

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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Analista ao volante do novo Mercedes Classe A

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