Renault Mégane Coupé Cabriolet GT Line 1.6 130 DCi – ensaio

8 Conjunto
8 Equipamento
7 Condução
8 Conforto
7 Factor X5
7.6

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O primeiro cabrio em ensaio para o Xá das 5 até foi marcado com antecedência e, uma semana antes, fazia sol e 30 graus em Lisboa e Portugal. Como também tinha uma reunião marcada no Algarve, pensei “olha que ainda aproveito e tenho um fim de semana de praia, coisa que não fiz este ano”.
Eis chegado o fim de semana marcado e sim, acertaram, foi este que passou e em que choveram raios e corriscos com a temperatura a descer para a normalidade da época. Muitos de vós diriam “opá, mas que tremendo azar” mas eu, sempre de trato fino e bom acordar, aproveitei a situação e lanço a grande primeira questão neste primeiro ensaio de um CC na chuva e sob forte borrasca:

Entrou ou não água dentro deste fortemente apelativo Mégane?

A viagem, que deveria ter ocorrido em duas partes, foi afinal feita num dia, apenas com um intervalo de duas horas. Portanto, e antes de sabermos da capota, analiso o comportamento, conforto e nível de cansaço ao volante.

A capota

O Renault Mégane CC tem capota rígida o que, para um cabrio, garante uma reforçada rigidez do conjunto para além de uma maior insonorização do habitáculo. Se faz barulho acima dos 130 km/h? Sim, não nos conseguimos abstrair do ruído do rolamento, vento e motor. Mas é incomparavelmente melhor que um cabrio com tecto em lona, como o meu antigo MG F. São dois mundos distintos e esta capota, com a parte do tecto em vidro escurecido, funciona mesmo bem. Existe uma tela, tipo pára-sol que tapa todo o tejadilho e protege o interior de um calor excessivo, o que é muito útil e, quanto a mim, necessário.

Esta capota aloja-se dentro do porta bagagens que, sem ela dobrada, até permite o transporte de duas boas malas. Tem uma cortina que define o máximo de altura dos objectos a transportar e que serve como travão a toda a operação eléctrica do mecanismo. Se não está colocada, a capota não se movimenta. Descobri isto depois de um momento alarmista quando queria baixar a capota e nada acontecia. A Renault podia colocar no painel mais informação sobre estas operações, pois pensei que o sistema tinha avariado. Mas vá lá, o senso comum ultrapassou esta situação e, pelo menos, deu para comprovar que tudo funciona como deve.
Logicamente que, com a capota baixa, lá se vai mais de metade do espaço para bagagens. Mas isto é de somenos importância para quem quer mesmo ter um automóvel do género.

A operação é feita exclusivamente através de um comando colocado na consola central, com duas simples posições. A parte chata é que temos de ficar a pressionar o botão durante toda a operação o que, por exemplo, não me permitiu filmar a situação pois não levei tripé para estabilizar a câmara. E com chuva torrencial também não tive grandes hipóteses de inventar uma solução “à la desenrasca lusitana”.

O que é certo, e concluindo, podia ser mais prático se automático mas também não é por uma vintena de segundos que me chateio. Francamente, é a solução indicada para, de vez em quando, poder dar largas aos cabelos, com a vantagem de não se rasgar, perder a cor ou o óculo traseiro.

Comportamento

Continuo, e isto já vem da anterior geração do Mégane, a não encontrar a posição ideal de condução. Fica ali nos 90% mas nunca é perfeita para o meu corpo. Quem vai ao lado não nota nenhum tipo de problema, muito pelo contrário, aponta o Mégane como um dos mais confortáveis familiares do segmento. O problema deve ser apenas meu, pois fico um tanto desconfortável na zona lombar.
Por outro lado, e com 500 km feitos quase de assentada e com um regresso debaixo de tempestade idêntica à que Noé conheceu, só posso dizer “kudos” Renault, conseguiste criar um cabriolet que nos garante máxima segurança e um comportamento muito eficaz em qualquer tipo de condições de fraca aderência (descontando trilhos e estradas de lama, naturalmente).

Senti-me sempre seguro, mesmo que, por vezes, com esforço e sentidos acrescidos ao percorrer a 70 à hora uma auto estrada em que nada se via. Esta situação comprovou que, mesmo com os tais 90%, o Mégane é muito confortável e um belo estradista.
Existem dois lugares para crianças, ou pessoas de baixa estatura e peso, lá atrás. São acanhados e o espaço para as pernas é quase inexistente, mas são dois verdadeiros bancos que até prometem algum conforto numa viagem esporádica e urbana desde que quem vá à frente puxe o seu banco adiante.

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Será um futuro clássico?

Equipamento e motor

Não se pode pedir muito mais, está lá tudo, desde o sistema R-Link que funciona muito bem e rapidamente, a todas as ajudas na condução e sensores automáticos que dão, realmente, mais qualidade de vida a quem conduz. No entanto, e devido à pouca visibilidade traseira, a Renault devia equipar de base o CC com câmara de vídeo traseira. Os sensores apitam furiosamente a cada centímetro de manobra, o que nem é mau, pois a traseira deste Mégane nunca mais acaba, como podem comprovar através das fotografias.

O computador de bordo é muito informativo e tem diversos modos de visualização, até conta quilómetros digital. O controle automático de velocidade é também muito fácil de  operar, embora a colocação do comando On/Off na consola central seja estranho. O ecrã central de grande dimensão é uma mais valia e também é táctil, o que com o carro parado (aliás, ele não se deixa “tactear” em movimento num modo de segurança extra) possibilita a entrada de dados (moradas no GPS) de forma mais rápida que o comando central colocado ao pé do travão de mão, muito útil, bem posicionado, mas de funcionabilidade mais lenta. Pena é que faça reflexo no vidro numa condução nocturna, o que distrai de vez em quando.

Quanto ao motor, já o tinha experimentado na versão oposta a esta, na carrinha e cujo ensaio publicarei brevemente. É um diesel com 1.6 de cilindrada e uns gloriosos e mais que suficientes 130 CVs. Se bem que demora a entregar a potência, é em estrada aberta que lhe percebemos o real valor e – não vos disse nada – mas ouvi dizer que foi fácil chegar aos 200 sem queixume algum (e o mostrador mostra uns fenomenais 270 de máximo, só para mostrar aos amigos, naturalmente).

Este motor é também poupado. Fiz uma média, se bem que com 70% em estrada, de 5,6 litros aos 100. E com o esforço que a borrasca implicou, ou seja, sempre com mais rotações que o devido.

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Cabelos ao vento, mesmo que esteja frio

Conclusão

Tive a sorte de poder ter um cabrio na altura certa, bem antes da crise da meia idade, o que me deu razões para nunca mais pensar neles. Mas as capotas rígidas são uma solução fabulosa para se ter os dois mundos num e este Mégane CC já me deixa com as pazes feitas, pois resolve quase todos os dramas que os descapotáveis transportam. Não precisamos de garagem nem de cuidados com o sol.

Por outro lado, e respondendo à questão da abertura deste ensaio, o Mégane CC não deixou entrar uma gota, uma única gota no seu interior, mesmo que cavalgando estradas sob intenso temporal.

É um carro para homens… ou evitando o sexismo, para mulheres com muita força de braços. Levantar e baixar o portão traseiro não é mesmo nada fácil, para além de nos obrigar a cuidados redobrados: as ligeiras marcas e arranhões existentes na esquina do porta bagagens mostram isso mesmo, pois atinge uma altura que não estamos à espera e pode roçar, por exemplo, num tecto baixo de uma garagem à lá El Corte Inglês.

Gostava de ter tido a oportunidade de rolar a céu aberto, para entender um outro comportamento, mas tal só foi possível durante parcos quilómetros e a baixa velocidade. Peguei o CC com tempo quase chuvoso e entreguei-o sob borrasca. Pelo menos não me molhei e a reunião até correu bem.

PVP: 36.500€ (versão GT Line)