Mazda 3 Skyactiv-G 1.5 Evolve HS Navi – ensaio

8 Conjunto
8 Equipamento
9 Condução
8 Conforto
8 Factor X5
8.2
 mazda 3 capa
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Existe um automóvel de uma marca até respeitada que não se encontra nas ruas e estradas portuguesas. Um carro japonês, com um design fora de série, uma qualidade de construção e materiais de muito bom registo e comercializado a partir de um preço bomba: a partir dos 18 mil euros, podemos levar um Mazda 3 “para casa”. Logicamente que este valor aumenta conforme os extras e a unidade de ensaio estava particularmente recheada, só lhe faltando o HUD.
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Há uma razão simples para o insucesso comercial deste modelo: só se vende com uma única motorização e, horror dos horrores para o consumidor português, é a gasolina. Mais propriamente, um bloco 1.5 com uns parcos 100 cavalos. Deve ser esta razão, a única razão. E deve ser importante, pois a diferença de preço entre o litro do gasóleo e gasolina não compensa o esforço inicial. Também não pode ser pelas centenas de milhar de quilómetros que fazemos em quatro anos, a idade média da posse de um veículo. E o diesel é mais poluente. E as avarias de mais difícil resolução.
Então , porque razão não é este Mazda 3 um sucesso, partindo do principio que o consumidor português percebe mesmo muito de carros e mecânicas?
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Linhas exuberantes
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Confesso que gosto muito do desenho exterior, se bem que todo o conjunto seja visualmente prejudicado pela escolha de umas pequenitas jantes de 15″. O carro tem “muita pinta”, é másculo porque comprido e largo, gracioso pelas curvas laterais, imponente num pára arranca.
Dá a imediata sensação que é maior que a concorrência directa do seu segmento, mais encorpado, equilibrado. E já mencionei que é bonito? Fiz também o teste familiar, pois a minha cara metade é perfeita neste tipo de juízos, não tendo memória visual automóvel. Para ela são todos iguais, mas há uns menos iguais que outros. A conclusão? Depois do Peugeot 2008, este foi o modelo preferido de todos onde já andou. E gabou-lhe o interior e conforto de marcha, tanto que quer um.
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O interior
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A sensação que se entra num automovel mais caro está nos pormenores e materiais. Agradáveis ao toque, de tacto mole à excepção da consola central que oferece um plástico que, julgo, será riscado facilmente. Todos os controles estão à mão, numa consola central muito limpa e de fácil utilização, reforcada por um ecrã táctil de 7″ que desliga essa capacidade de toque em andamento. Na verdade, todas as funções passam a ser geridas por dois comandos rotativos colocados, e bem, na consola central. Rodamos o dito, manobramos com cliques para a esquerda, direita, cima e baixo e escolhemos a função com uma pressão central tipo “Enter”.
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Ao lado, um mais pequeno botão dobra a função do volume e áudio que também encontramos no volante multifunções. Por falar nele, é a secção com mais comandos por centímetro quadrado, pois está repleto de botões: telefone, volume, estabilizador de velocidade, computador, podemos controlar muitas funções sem tirar os olhos do volante, que é de excelente tacto e com design desportivo. Pena o acabamento plástico que tenta imitar alumínio.
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Equipamento
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A lista é vastíssima, mas aponto o que realmente me dá jeito e que gostaria de ter no meu próprio carro, um pouco mais despido destes luxos. Habituo-me muito facilmente aos sensores de iluminação e chuva, por exemplo. Também me dá jeito, principalmente para aparcar em Lisboa, uma direcção tão assistida quanto de fácil manuseamento. O ar condicionado automático bi-zona é confortável, assim como as ajudas à condução. Este Mazda 3 tem tudo, desde start & stop, hill assist, até aos sensores de estacionamento que nem chateiam muito.
Neste campo, um apontamento negativo: a visibilidade traseira é quase inexistente e uma câmara vídeo de assistência na marcha atrás deveria estar incluída no pack.
O sector média é perfeito e a qualidade áudio notável para este nivel de preço. Temos conectividade bluetooth de fácil e rápido emparelhamento e, escondidas no pousa braços, duas entradas usb, auxiliar, e cartão SD. De salientar, o que vai sendo raro em novos modelos, a presença de um leitor de Cds que, confesso, nem experimentei.
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Motor, o tal drama da gasolina
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Pois que este bloco tem 1.5 de cilindrada (1496 cc) para 100 cavalos de potência. Sim, é manifestamente pouco nos tempos que correm, mais habituados aos grandes números debitados por blocos com menos cilíndros. Mas relembro uma lição ainda dada pelo meu pai, quando se apercebeu que eu gostava destas coisas dos carros: um motor nunca se traduz pelos cavalos que debita, mas sim pelo equilíbrio que consegue. E acho que ele continua certo nos dias de hoje. O Mazda 3 1.5 não é carro de corridas, está feito para durar e para servir condutores calmos, sem pressas e que sabem que não é por fazer um arranque à Villeneuve que chegam mais depressa ao destino. Se podia ser mais lesto e ter maior capacidade de resposta? Claro que sim, podia perfeitamente ter 120 ou 130 cavalos. Mas não tem e temos de viver com isso. Há quem consiga, há quem prefira outro tipo de solução. Mas, por enquanto, se quiserem comprar um Mazda 3 em Portugal, terá de ser com esta exclusiva motorização.
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Chegamos à questão de ser a gasolina. E vamos fazer contas… qual é a diferença de preço entre 1 litro de gasóleo e 1 litro de gasolina? Será que compensa o enorme investimento na diferença de motorizações? Se posso comprar este Mazda 3 por pouco mais de 18 mil euros, quantos Kms terei de fazer para justificar os euros gastos a mais num qualquer concorrente similar a diesel? Pois que faço contas e para uma pessoa como eu, que vive em Lisboa e faz 15 mil kms anuais, não compensa. Talvez seja por isso que nunca tive um carro próprio a diesel e que prefiro motores menos complexos.
Se o motor deste Mazda chega? Bom, muito sinceramente, é o grande defeito que lhe aponto, principalmente se me lembrar do 1.4 biturbo bi-fuel que me ficou no goto do Alfa Giulietta e que, quanto a mim, é o motor mais interessante da actualidade.
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O sistema Start/Stop, proprietário da marca, é apenas notável pela suavidade e silêncio. Ajuda também à poupança no gasto de combustível e emissões nocivas para a atmosfera. Numa toada mista, fiz uma média de 7l/100 km. Sim, estarão já os “dieseldependentes” aos urros entusiásticos, não apresenta os valores mais poupados dos adversários, mas também custa menos 5000 euros em média. Mais uma vez, é fazer as contas. De qualquer forma, preferia que este motor Skyactiv tivesse um pouco mais de chama nos arranques, mas também tenho de ter em conta que este automóvel pesa 1265 kg.
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Concluindo
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Fiquei fã. Adorei guiar este Mazda 3 com todo o vasto equipamento desta versão de ensaio. É muito confortável, duro q.b. nas suspensões (independentes nos dois eixos), com uma direcção tão suave quanto directa. Fiz uma centena de kms em autoestrada só para confirmar todo o potencial desta carroceria e comprovei que é um automóvel para todas as necessidades. O espaço para os dois passageiros traseiros é enorme (cabem três, mas o ideal são dois), o que se reflecte negativamente na capacidade da bagageira que só oferece 350 litros.
Mas esses pormenores são facilmente esquecidos pelo conforto que vivemos, pelo design simples e puro da consola, pela qualidade de construção e materiais escolhidos. A insonorização é excelente e não me apercebi de ruídos parasitas, mesmo numa unidade que tem servido o parque de imprensa.
Resumindo, se é para comprar carro novo, tenham em conta esta opção.
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O modelo ensaiado, 1.5 Evolve HS Navi, ronda os 22.325€.
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