Ford Kuga 2.0 TDCi 140cv Titanium – ensaio

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O Ford Kuga é daqueles automóveis que nos enganam. Parece maior do que é, mas depois ficamos com a noção de que, afinal, é maior do que o que parece ser. É um SUV urbano que se porta extraordinariamente em cidade, mas que gosta de dar os seus passeios pelos ares campestres, no meu caso, bem próximos de Lisboa. Sugere peso acrescido e difuldade em manobra, mas tem temperamento dócil e refinado. E depois tem uma designação que, no caso português, quase que pode ser depreciativo se trocarmos a primeira consoante. Mas à medida que as horas passam, o K ficará para sempre ligado a esta experiência.

E para terminar, outro factor que engana: o preço. E se dúvidas houvesse que o Kuga é uma excelente proposta, quando sabemos que podemos adquiri-lo a partir dos 26 mil euros, as contas mudam de figura e o sorriso preenche-nos a cara. Mas cuidado, pois facilmente chegamos a valores na casa dos 40 mil euros, o que, dada a concorrência, torna a sua vida comercial mais difícil (o BMW X1, por exemplo, passa a ser concorrente directo, assim como o Volvo XC60).

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O conforto é a regra do Kuga. Maior que um familiar tradicional, mais alto e encorpado, com boa mala (456 litros), é um companheiro perfeito para uma família que goste de viajar e de levar bagagem a condizer. Tem muito espaço para todos os passageiros e úteis espaços de arrumação.

Para esta realidade, não é estranho o aumento das medidas em relação à primeira e anterior versão: este novo Kuga mede mais 8cm, ficando agora com 4,52m e aponta como adversários directos o VW Tiguan e Nissan Qashqai, para citar apenas alguns dos mais desejados modelos no mercado nacional.

É vigoroso e presta-se a algumas aventuras. Nesta versão Titanium, o motor 2.0 TDCi com 140cv responde bem, tem genica e poder para compensar o elevado peso do conjunto, o que resulta num conforto de utilização acrescido. Conforto que é reforçado pelo muito bom ambiente a bordo. Os materiais são de boa qualidade, os instrumentos de leitura tipicamente Ford, os comandos bem colocados e ao alcance rápido das mãos. Gosto mais deste interior do que o que preenche os Focus e Fiesta, em termos de design (entretanto, a Ford renovou por completo o design da consola no novo Focus, podem ler aqui).

 

No caso do Kuga, a consola central está menos americanizada o que, quanto a mim, é logo um factor a levar nota muito positiva. Nunca escondi que a linguagem escolhida para o interior dos Ford não é do meu agrado, mas os gostos não se discutem. Fico, portanto, mais agradado com esta solução.

Existem factores que devem ser revistos, como a colocação muito profunda do segundo e central ecrã informativo que depende de inúmeros comandos para poder ser funcional. Numa altura em que quase todas as propostas, até em segmentos inferiores, percebem que a solução táctil é a mais acertada, o posicionamento da Ford continua a alinhar pelas opções Focus e Fiesta. E para um carro que se diz bem mais seguro, activa e passivamente, ter de esforçar o condutor em algumas tarefas não é positivo. Mas sei que também é uma questão de habituação e, mesmo para os mais teimosos quanto eu, depressa deveremos memorizar todas as regras e comandos.

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O conforto

Mal fechamos a porta ouvimos aquele som pesado e abafado, o que demonstra que o carro está bem insonorizado. Aliás, a Ford afirma que levou muito em conta esse factor na nova versão do seu SUV urbano, melhorando em muito os materiais para abafar o compartimento do motor e reforçando-no nas cavas das rodas. E isso nota-se no silêncio em rolamento. Pela lista de características técnicas, ficamos também a saber que os vidros são mais espessos cerca de 20%.

Por falar nele, e como já mencionei, o Kuga é um carro muito confortável e deixa-se conduzir com uma facilidade espantosa. Um 4×2 (típica opção para o mercado luso) é também mais brando na afinação das suspensões, privilegiando o conforto em detrimento da eficácia. Devido à altura, pensava que ia adornar mais em curva, mas não a senti, o que elevou também a segurança e o conforto.

A versão que guiei não é das mais baratas. O pack de extras é quase total, desde GPS a cruise control, dos sensores automáticos de chuva e luz às entradas de áudio suplementares, sistema de estacionamento paralelo, um muito útil detector de ângulo morto e a chave inteligente, ou seja, basta tê-la no bolso para as portas de abrirem. Curioso, mas que custa quase 600 euros, é a função extra para abrir o pesado e enorme portão traseiro. Com a chave no bolso, basta pôr o pé por baixo do sensor (em baixo e centralizado com o portão), para o abrirmos e fecharmos automaticamente. É pena ser um extra, pois dá um jeitaço.

Já encontrado noutros modelos, revisitei o “chato” sistema de alarme contra colisão. E, no caso do Ford, ainda bem que podemos regular a intensidade, pois com o tamanho do Kuga numa cidade apertada como Lisboa, todos os sensores reagem intempestivamente a qualquer coisa que lhe esteja próximo e é um apitar constante que irrita até o mais calmo dos condutores.

Conclusão

Escolhendo de entre todos os factores, desde o motor aos extras, podemos comprar um Kuga por um valor muito aceitável, tendo em conta o que “levamos” para casa. É um carro muito competente, agradável de conduzir, confortável e extremamente espaçoso. É também seguro e oferece condução em altura, o que é importante para muitos condutores. Tem umas linhas arrebatadoras para este género de veículos e não foram poucas as vezes que vi pessoas a admirarem-no nos semáforos ou onde estacionava. A Ford tem nesta nova versão do Kuga um modelo que não se sai nada mal em comparação com os modelos mais vendidos em Portugal e pode, quiçá, reverter um pouco a situação que conheceu com o insucesso do primeiro modelo.

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É um faz tudo familiar e, consoante a motorização, até consegue ser poupado em estrada. Em cidade, e devido ao tamanho e peso, não há milagres e é fácil gastar uma média entre 7 a 8 litros aos 100. Mesmo assim, é comportável.

E para terminar, outro factor que engana: o preço. E se dúvidas houvesse que o Kuga é uma excelente proposta, quando sabemos que podemos adquiri-lo a partir dos 26 mil euros, as contas mudam de figura e o sorriso preenche-nos a cara. Mas cuidado, pois facilmente chegamos a valores na casa dos 35 mil euros, o que, dada a concorrência, torna a sua vida comercial mais difícil (o BMW X1, por exemplo, passa a ser concorrente quase directo na versão de entrada).

Se procuram um SUV com estilo, bem construído, competente e equilibrado, podem também meter este Kuga na lista.

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Principais características do modelo ensaiado:

Ford Kuga 2.0 TDCi 140cv Titanium

Potência: 140 cv; Binário: 320Nm entre 1750 – 2750 rpm

Cor exterior: Sterling Gray; Estofos: Tecido-Couro

Motor 2.0; Cilindrada: 1997;

Caixa: Manual (6 vel); Tracção: Dianteira

Consumos (urb./estr./comb): 6,3/4,7/5,3 lts/100km

Emissões de CO2:139 g/Km (Estágio V); Velocidade máxima: 190 km/h

 Aceleração 0-100 km: 10,6s

PVP: (versão ensaiada) 36.780€ (s/despesas)