Ensaio Sony XSP-N1BT

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Desde que vi pela primeira vez o Sony XSP-N1BT que quis experimentar um. Minto, que quis imediatamente um! Uma das grandes vantagens em ser bloguer que experimenta e opina sobre gadgets, é a possibilidade de usá-los durante um período de tempo para poder conhecer as suas características, vantagens e pontos menos bons. E quando surge um equipamento tão diferente do habitual, tão apontado para a nossa própria utilização, ter esta profissão é a melhor coisa do mundo… pelo menos até entregarmos os gadgets de volta.

Antes de mais, um bem-haja à Sony por me ter enviado, de longe, um kit profissional para análise (um stand preparado com três modelos e colunas incorporadas). Não estava à espera de tal volume (e peso considerável), mas deu para poupar o dinheiro da instalação num mecânico electricista de confiança (ou pelo amigo Gustavo Dias, um craque doutor engenheiro destas andanças que está a lançar a nova publicação Motor Mais).

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Mas porque está a dar tanto nas vistas este Sony que, mesmo antes de ser comercializado, já era badalado e discutido nos fóruns, com questões tão directas quanto a facilidade de montagem até à mais técnica da compatibilidade com os comandos do volante do próprio automóvel? Quanto a esta questão, e porque não o montei no veículo (o meu volante também não tem botões), posso adiantar que o N1BT é compatível com a maior parte dos modelos (pode ser necessário um adaptador), mas não todos e convem esclarecer o assunto antes da compra, se isso for muito importante. De qualquer forma, é sempre necessário um bom profissional para que tudo fique bem ligado, inclusive o microfone externo que vem no pack (mas não na unidade de ensaio).

Exige-se agora uma pequena explicação sobre o N1BT. Trata-se de um auto-rádio de dois DIN que está preparado para receber um smartphone que funcionará como ecrã táctil e principal fonte de conteúdos. Como é Sony, logicamente que foi pensado para emparelhar de forma absolutamente imaculada com o novo Xperia Z2 (ler ensaio aqui). Mas devido a um curioso sistema de encaixe (bom, já lá vamos), pode receber os mais variados smartphones até aos enormes phablets de 6”. Estes já não cabem no espaço.

Agora imaginem a minha sorte em ter um Xperia Z2 para experimentar e usar todas as potencialidades do N1BT. Ele há coincidências interessantes.

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Mas funciona sem smartphone?

O N1BT é também um leitor de CDs, tem entrada para pen USB, Bluetooth para qualquer equipamento compatível, NFC e, logicamente, rádio. Através de um visor LCD, podemos usá-lo sem necessidade de ligação a qualquer smartphone, portanto, é apenas um autorádio com uma dimensão maior e uma frente bizarra.

Mas tudo muda quando encaixamos o Xperia Z2 no painel frontal. Este smartphone, assim como o Z1, aproveita um magneto estrategicamente colocado para ficar imediatamente preso à, vamos chamar-lhe, consola. Este magneto é também uma ligação permanente ao N1BT, visto que alimenta simultaneamente a bateria dos Xperia.

Um travão mecânico, que é uma aba superior em plástico que baixa ou levanta conforme o tamanho do nosso smartphone, prende-o à base de forma sólida. Não quero dizer que, acaso um acidente mais violento, consiga segurar o telefone, mas numa utilização normal, este fica bem preso.

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A ligação

A Sony não deixou nada ao acaso. Se com o Z2 tudo é perfeito e fica ligado e conectado automaticamente, com qualquer Android basta utilizar o Bluetooth ou NFC. E para qualquer Apple, usar o cabo que liga à entrada USB frontal (existe uma segunda no painel traseiro para deixarmos ligada uma Pen com muita da nossa música preferida, por exemplo, mas não nos podemos esquecer que será difícil de mudar). Não se pode pedir mais.

Esta mesma entrada serve para Pens ou ligação directa a leitores de música mais antigos que não tenham ligação wireless e também dá carga ao smartphone ligado, o que é um dado muito positivo.kit

Para que tudo funcione, basta fazer o download da aplicação Remote, instalá-la, e emparelhar por Bluetooth/NFC. É este painel de controlo que transforma o nosso smartphone, já posicionado e preso, num vistoso e útil ecrã táctil que nos dá acesso à música que temos no próprio equipamento (com um cartão microSD vale toda uma discoteca), vídeos e fotos (não aconselhável enquanto se guia), mapas (isto sim, talvez a maior valia do sistema) e, atenção, chamadas de voz sem a necessidade de outro equipamento.

Num repente, o N1BT é um tudo em um. Percebem agora a minha vontade de ter um logo no momento que o vi?

Para reforçar a possibilidade de funcionar como um normal auto-rádio, o N1BT permite um conjunto de acções, mesmo que fisicamente apresente poucos botões na sua frente. O LCD garante a informação e um pequeno comando externo controla as operações a que não acedemos pelos botões físicos.

Mas é com um smartphone acoplado que tudo muda! Que tal controlar por voz a maior parte das operações básicas, desde aumentar o volume a procurar um nome na lista telefónica e iniciar uma chamada? Podemos ouvir as mensagens telefónicas, assim como as instruções do GPS, tudo pelas colunas embutidas do automóvel e sem tirar as mãos do volante.

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Um mundo novo

Se o nosso smartphone tem uma loja de aplicações, o N1BT também tem acesso a algumas, o que o transforma num auto-rádio apto para o futuro, solução importante pois sabemos que vamos trocar bem mais vezes o smartphone que utilizamos (talvez quem tenha o Z2 pense duas vezes, mas o Z3 e o Z4 devem ter este magneto em consideração) do que um auto-rádio.

Muitas das Apps já de raíz e a que temos direito não estão, infelizmente, disponíveis em Portugal, como é o caso do Pandora, quanto a mim e desde sempre, o melhor serviço de música online. Mas podemos sempre ir tentando o Mog ou o TuneIn. Preparadas para vídeo estão o Netflix (também complicado por cá) e o Youtube. Mas o Google Maps funciona às mil maravilhas, assim como as soluções da Apple. Em todo o caso, o som será sempre transmitido pelas colunas do automóvel o que nos leva a ter algum cuidado, não vá o “conteúdo” ser impróprio para quem nos está ao lado.

Power up

O amplificador Dynamic Reality garante 55 W x 4 canais. Infelizmente, o kit/stand onde vinha montado o N1BT só tinha duas colunas e posicionadas para fora, ou seja, deu para ter uma noção da qualidade e brilho do som, mas não permitiu perceber a imagem estéreo. Contudo, as duas vias são suficientes para perceber um baixo nível de distorção e uma potência poderosa, cujos graves estão bem presentes até à capacidade da própria coluna.

O N1BT está também equipado ligações de 5 volts para a montagem de amplificadores externos. Para os mais curiosos, o pré para o Sub-woofer tem um filtro low-pass. A malta do tunning não necessita sequer de montar um amplificador externo para utilizar toda a potência do “bomb the bass”. Mas estou a sair da minha zona de conforto, pois confesso que nunca fiz este tipo de ligações e utilizo sempre as colunas originais do automóvel quando são boas (que me lembre só montei todo um kit no meu primeiro carro).

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A conclusão

O N1BT é daquelas soluções por que esperámos toda uma vida e, depois de apresentada, questionamos o tempo que as marcas demoraram até produzi-la. É uma opção fantástica para quem tem um carro mais velhote ou, noutra medida, para quem procura um upgrade ao mais moderno mas que não trazia de origem o GPS e um sistema de alta-voz. Portanto, parece que é a solução para meio mundo.

A questão de obrigar a 2 DIN (dois espaços ou duas gavetas, como preferirem) pode impossibilitar a instalação em alguns modelos e há que ter em conta que, quem tem uma unidade com comandos no volante, pode enfrentar um problema de compatibilidade.

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Mas vamos ao que interessa: a qualidade de som está ao nível do que a Sony apresenta nos seus topos de gama, poderosa, forte, que enche a alma (neste caso não foi o habitáculo). Como unidade própria, reproduz CDs e CDRWs com MP3 e WMA, ou seja, basta levar um ou dois discos cheios de ficheiros. Mas como também recebe uma pen (duas, se contarmos com a que fica inacessível no painel traseiro) USB, a questão dos discos passa a ser secundária. O rádio AM/FM serve quem dele precisa ou prefere. No meu caso, obrigo-me a ouvir o “Tubo de Ensaio”.

Com um smartphone conectado, o N1BT é único. Passamos a contar com um ecrã táctil que comanda inúmeras Apps. A Sony fez um excelente trabalho com a sua aplicação Remote, compatível com Android e iOS e é fácil de emparelhar por Bluetooth ou um toque de NFC, abrindo num ápice toda a lista telefónica, biblioteca de música, fotos e vídeos, o mundo do facebook e outras redes, a internet, os mapas, o GPS.

Logicamente que, para quem guia, o GPS e a alta-voz (atenção à instalação de um microfone externo que se pode colocar mais próximo da nossa boca), para além do rádio e música preferida, serão as aplicações que podem ser utilizadas enquanto se guia. Portanto, atenção e muita segurança!

Mas nem tudo é perfeito. Por vezes não foi tão fácil prender o meu Xperia Z2, afinal, o smartphone perfeito para o N1BT. E se vamos já em trânsito, o procurar o magneto pode tornar-se complicado. Aconteceu-me por uma ou duas vezes. O facto do N1BT alimentar a bateria do X2 também faz com que o corpo deste fique deveras quente o que me questiona em relação à “qualidade de vida” a longo prazo do próprio telefone.

Por outro lado, devemos ter sempre em conta a dimensão do smartphone e aconselho que visitem uma loja e façam a experiência com o vosso antes de comprar o N1BT de forma compulsiva (há outras soluções no portfolio da Sony que também merecem a nossa atenção, como o muito válido e bem mais em conta MEX-N5000BT (com NFC / 130€).

Mas, agora e só cá entre nós que ninguem nos ouve, o N1BT é apenas sensacional.

E como funciona com ou sem smartphone, temos dois mundos numa mão… aliás, no tablier do carro.

Oferece tudo o que precisamos para estes tempos modernos de ligação constante ao mundo, uma qualidade de som ao nível dos melhores, conectividade extra com as duas entradas USB e ainda o microfone e o comando externo.

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O menu é extenso e permite alguma personalização, como a cor escolhida nas poucas teclas do painel. O ecrã LCD permite a leitura de informação simples, como os tradicionais nomes dos grupos, títulos das faixas, tempo decorrido e para decorrer, etc., ou a informação RDS.

A instalação é simples e pode ser feita por qualquer um de nós que esteja habituado a este tipo de operação, mas já requer um especialista para ligar o N1BT às funções da maior parte dos volantes com comandos. Portanto, há que adicionar mais essa despesa aos 250 euros que custa o N1BT, quanto a mim, um valor bastante apelativo para a solução apresentada. Podem dizer-me que é demasiado dinheiro para um auto-rádio que necessita também de um smartphone para mostrar todo o seu potencial, ao que respondo que é esse mesmo potencial que faz dele a solução perfeita para quem necessita de um determinado conjunto de funções.

 

PVP: 250/275 euros

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App Remote
SIM
Potência saída (4 ohm, 1 kHz,16 V)
55 W
Saída pré-amplificada
27
Potência de saída nominal (DIN) (W)
x 3
Aux-In
NO
Alinhamento de tempo predefinido
SIM
Melhoramento dos baixos (traseira)
SIM
Filtro passa-alto
SIM (DESLIGADO; 50; 60; 80; 100; 120)
Advanced Auto Volume
SIM
Ligação direta do subwoofer
SIM
Digital Sound Enhancement Engine
SIM
ClearAudio+
SIM
Modo de bloqueio de CD
SIM
Saída de subwoofer
SIM
Saída pré-amplificada de alta tensão
5 V
USB
SIM (Frontal)
EQ
SIM (EQ10)
Loudness
SIM
Filtro passa-baixo
SIM (50; 60; 80; 100; 120)
Conetor Sirius/XM
NO
Alinhamento de tempo personalizado
SIM (Ajuste)
  • Conector ISO
  • Conetor de antena (JASO)
  • Anel de regulação (rebordo rígido)