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Não gosto muito de dar nas vistas ao guiar um automóvel, mas já tive modelos vistosos porque a mecânica desculpava qualquer excesso visual (falo da Scoobie GT AWD versão carrinha, por exemplo). Não sou fã de ailerons, embelezamentos aerodinâmicos e rebaixamentos exagerados, mas, por vezes, algumas versões obrigam o construtor a ter mais cuidado com este tipo de apêndices. Então, podem perguntar, do que gosto? E respondo muito naturalmente: gosto deste Mercedes E 250 CDI Coupé com pack AMG mas… se pudesse comprar, optaria por uma versão numa cor mais neutra e também escurecia o prateado do spoiler inferior frontal e acompanhamento dos escapes na traseira. E porquê este preciosismo? Porque não quero atropelar inúmeros curiosos que pura e simplesmente paravam no meio das passadeiras a olhar para esta frente muito dinâmica e porque também levavam com o reflexo do sol, o que os encadeava…

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As linhas

Deslumbrantes, a meio de um clássico com forte pendor desportivo, ainda evocam o ar da gama E mas os designers da marca conseguiram criar toda uma traseira que acompanha a evolução lateral e que garante um ar poderoso que transpira potência e deixa adivinhar conforto e prazer de condução. As novas ópticas e a sua iluminação led acompanham as linhas do conjunto, o que ainda mais nos convence que estamos perante um modelo que se pode vir a tornar num desportivo… clássico, tão à imagem do que a marca procura nos seus modelos menos familiares.

Mas não tenham dúvidas: o kit AMG confere um ar diferente a este coupé olhando as versões menos exuberantes que circulam por aí. A cor vermelha do modelo ensaiado tem, logicamente, grande culpa no cartório, mas o carro dá mesmo nas vistas e foi alvo até de algumas fotografias.

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O interior

O primeiro modelo que ensaiei da Mercedes foi o A220 CDi BlueEfficiency AMG e achei-o bastante deconfortável para uma cidade como Lisboa, independentemente de ser uma pequena “bomba”. E lembrei-me desse factor pouco abonatório quando olhei longamente e pela primeira vez o E250. Confesso que fiquei com algum receio de me repetir nas críticas mas bastou-me um quilómetro, talvez nem tanto, para perceber que estava numa outra dimensão automóvel. Tanto que este E250 passou a ser dos automóveis mais confortáveis que já experimentei. 

Desde a posição de condução, com todas as ajudas eléctricas possíveis e imaginárias que a tornam perfeita, à suavidade de rolamento, à destreza da direcção e ao luxo conferido por todo o equipamento disponível (pelo menos nesta versão), guiar e viajar neste Classe E convida-nos a longas estiradas pela auto estrada mais próxima, como logo a seguir decidirmo-nos pelas curvas e contra curvas da serra longínqua. E muita atenção: este Coupé abriga e transporta confortavelmente quatro passageiros adultos e a mala não é acanhada, cabendo lá a bagagem de fim de semana.

Todos os comandos, e são muitos, estão à mão e habituamo-nos depressa ao seu posicionamento. O sistema de som é envolvente e fantástico, com colunas Harman Kardon a debitarem graves poderosos, médios presentes e agudos pormenorizados, mesmo a alta velocidade. As entradas auxiliares áudio existem para qualquer leitor, assim como o emparelhamento por bluetooth com o smartphone se revela muito rápido.

Existem bons espaços de arrumação na consola central, assim como lugares para garrafas à frente e atrás, tomadas de 12 volts e mais uns mimos aqui e ali. Os bancos são extraordinariamente confortáveis, com excelente apoio lateral e acabamentos em pele a condizer com o requinte de todo o interior. Sabe bem sentarmo-nos neste Coupé.

O ar condicionado bizona automático é um dos muitos equipamentos que nos mimam neste E250. A versão ensaiada tinha um tecto panorâmico cuja abertura tem um ângulo maior que o habitual e, como se pode ver pelas fotografias, o corta vento é de grandes dimensões, o que ajuda e de que maneira a qualidade de vida a bordo com o tecto aberto e em rolamento rápido. De salientar que há quatro vidros que se abrem completamente (em vez de dois), conferindo ao E250 um perfil quase “targa” com tudo aberto.

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A segurança

Basta carregar no acelerador e no travão (também são os únicos) para entender que estamos perante um automóvel que nos garante um nível de segurança incomum. Tanto sonora como visualmente, os avisos são dinâmicos, grandes, “altos”. Passo a explicar: desde triângulos que se fazem notar em amarelo ou vermelho (dependendo da proximidade do carro que surge em ângulo morto) nos espelhos retrovisores (sim, factor WOW aqui), a avisos por cima do tablier, aos sensores de estacionamento, tudo é acompanhado por uma estabilidade muito bem trabalhada (e tudo ajuda, desde a largura e peso do carro aos pneus e suspensão rebaixada) e o problema é perceber que há limites no código de estrada que não convém ultrapassar.

Mas é fácil guiar este Mercedes que faz todo o trabalho sózinho se o deixarmos, desde a caixa automática 7-G Tronic (que está presente no modelo de ensaio mas é um opcional que custa €2650) aos limites de velocidade e cruise-control.

A lista de equipamento de segurança é extensa e podem dar uma olhadela nas características técnicas (ficha completa no final do post), mas o aviso sonoro e visual do ângulo morto nos espelhos retrovisores é, quanto a mim, a mais preciosa das ajudas e, estando num coupé numa posição mais baixa que o normal, confesso que houve duas ou três situações em que mostrou a sua mais valia ao avisar-me que existia qualquer coisa que eu não vi: duas foram carros, outra um motociclo. Fiquei fã do sistema e agora que não o tenho no meu carro de todos os dias, sinto-lhe a falta.

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O motor e a condução

O aspecto desportivo e radical do kit AMG não é transportado para a unidade que equipa este E250. Aliás, temos debaixo do pé o já conhecido turbodiesel com 2,2 litros e 204 Cv com 400 N.M. de binário máximo. Poderão perguntar-me “mas 200 cavalos não chegam?” e é claro que chegam e sobejam para uma condução aqui e ali mais rápida, mas é um motor que convida a toadas mais de passeio, com calma a desfrutar de todo o conforto do automóvel.

Aliás, há um pormenor menos bom neste Mercedes que é a insonorização do motor. A caixa automática tende a meter uma mudança acima do que fazemos de forma manual, o que eleva bastante as rotações e, logicamente, o ruído que não esconde estarmos a guiar um diesel. E isso não condiz com o E250 vermelho e AMG. A caixa automática poderia ser reprogramada para não estender tanto as relações. Às vezes parece que passa uma eternidade até que se decida a subir uma mudança. Os resultados de gozo de condução e rapidez nas passagens é muito mais eficaz se usarmos as patilhas para uma condução “manual”, pois assim sentimos bem os timings e podemos até ser bem mais rápidos quando necessário. Nesta toada mais desportiva, convém (porque nos é permitido) mudar a regulação da suspensão para o tornar mais duro e mais eficaz em curva, mesmo que com isso o conforto a bordo deixe de ser uma das notas máximas que este Coupé tem.

E os gastos? numa toada calma mas com auto estrada um pouco acima do limite imposto, consegue-se andar ali por volta dos 6,7 aos 7,5 litros/100 o que, tendo a noção de quanto pesa este conjunto, não me parece nada mau. Aliás, um depósito chegou e sobejou para fazer uns 600 km em todo o tipo de piso e condução, e quase sempre com o AC ligado. Logicamente que em circuito urbano, as contas são um pouco diferentes com os valores a subirem cerca de mais 1 litro a cada 100 km.

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O preço e a conclusão

Esta versão CDi Blue Efficency com extras (e são bastantes) e caixa automática ronda os 60 mil euros. A lista de acessórios é, à imagem da Mercedes, extensa e dispendiosa, mas quem procura um automóvel de elite e um tanto ou quanto egoísta, não se preocupará muito com alguns gastos.

Foi um dos automóveis que mais prazer de condução me ofereceu e, nesta versão e com todo este equipamento, ficaria já com ele (num cinzento escuro). Garante extrema satisfação numa toada mais calma e oferece a potência necessária para uma ultrapassagem mais in extremis, mas há que contar com um certo atraso nessa resposta no modo de caixa automático.

É luxuoso e muito confortável, principalmente se tivermos em conta que não se trata de um familar. No entanto, oferece quatro espectaculares lugares e uma capacidade de mala suficiente para um fim de semana. E, para compor o ramalhete, digam lá se não é muito bonito?

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Características técnicas principais

Motor 2143 cm3, 4 cil. em linha, turbodiesel, duplo turbo em sequência
Potência 204 cv/4200 rpm
Binário 500 N.m/1600-1800 rpm
Transmissão Traseira com caixa automática de 7 velocidades
Suspensão Duplos triângulos à frente e multibraços atrás
Travagem DV/D
Peso 1700 kg
Depósito 66 litros
Velocidade máxima 247 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h 7,3 segundos
Consumo médio anunciado 5,3 l/100 km; verificado (média): 8,0 l/100 km
Emissões CO2 138 g/km

Clicar aqui para abrir o PDF com a Ficha técnica completa classe E 250 CDI Coupé

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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Analista ao volante do novo Mercedes Classe A

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