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UMA DSLR SEMI-PRO POLIVALENTE PARA FOTO E VIDEO.

« Hervé, queres fazer o ensaio da Canon 70D? » perguntou-me o João;

« Claro que sim, até porque estou a pensar comprar uma » respondi.

 

Por isso, este ensaio veio na melhor altura.

Mas vamos a o que interessa. Esta nova reflex avançada promete muito. Equipada com um novo sensor CMOS (formato APS-C) com sistema de autofocus Dual Pixel que permite efectuar o foco de maneira muito mais rápida em modo « livewiew », tanto para imagens fixas como  video, está também munida pelo processador DIGIC 5+ e de um chip Wi-Fi.

O primeiro contacto é agradável, os materiais são de qualidade (alumínio e policarbonato), a borracha agarra muito bem e o peso de 760 g, sem lente, permite uma boa estabilização.
O posicionamento dos botões, não iluminados, é, como sempre na Canon, um mistério para mim.
Porque mudam constantemente os comandos dos locais dos anteriores modelos? Para mim, que trabalho com vários corpos da marca, torna-se uma confusão. E mesmo para os detentores da 60D vai obrigar a uma reaprendizagem (ver foto 70D e 60D).

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Por outro lado, um dado muito bom é o novo botão de acesso rápido ao autofocus situado no topo do lado direito próximo do obturador. É muito prático e bem situado.

 

 

 

 

 

 

A tecla “Q” (já presente no 60D) permite aceder às principais definições num só clique.

 

O ecrã de 3 polegadas, articulado em todos os sentidos, é muito luminoso e tem uma resolução impressionante (1040000 pixeis), além de ser táctil, o que permite um acesso rápido e muito facilitado à inúmeras funções. Espero que este ecrã também equipe os próximos modelos profissionais da marca e pergunto-me porque não está presente na 6D ou na 5D mk3…

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E como se comporta a trabalhar?

Para fotografias:

20Mp, 19 pontos cruzados de AF, 7 imagens por segundo, ISO até 12 800, Controle sem fios Wi-Fi, modo silencioso bastante eficaz….
Temos tudo o que é necessário para dar lugar à nossa criatividade e não ficamos desiludidos com a qualidade das imagens, tanto em Jpeg que em RAW.

Os 19 pontos cruzados seleccionáveis por ponto, zonas ou automaticamente, permitem uma focagem rápida e precisa. É muito fácil trocar de modo com o botão de selecção de zona AF dedicado.

As 7 imagens por segundo (até 65 imagens em Jpeg ou 16 em RAW) são o suficientes para captar cenas desportivas ou de vida selvagem.

Do meu ponto de vista, a qualidade das imagens com ISO superior a 1600 não é tão boa comparando com a 60D, mas o sistema de redução de ruído interno funciona muito bem e as imagens com ISO 3200 são razoáveis.

O controlo Wi-Fi é, para mim, uma das grandes vantagens desta máquina.
Oferece a possibilidade de visualizar o que queremos captar à distância e através de um smartphone/tablet (Android ou iOS) ou dum computador PC ou Mac. Quase todas as definições são controláveis deste modo, bem como o ponto de foco. Isto é muito útil para fotógrafos de vida selvagens, como para a minha utilização em estúdio que me permite não ficar escondido atrás da máquina e, desse modo, interagir melhor com os modelos.

Também permite transferir ficheiros automaticamente para o computador ou outras câmaras compatíveis, assim como partilhar nas redes sociais e imprimir sem cabos (e com impressoras compatíveis com a norma Wifi).

Também temos à disposição toda uma série de filtros criativos para dar um toque pessoal às imagens.

Existe também a possibilidade de ter um nível electrónico visível no ecrã que dá muito jeito.

 

Para vídeo:

HD 1080p (até 60fps em 720p), 2 taxas de compressão, som estéreo, Dual Pixel CMOS AF, detecção e seguimento de rosto e de objectos…

Esta 70D é um grande passo a frente no mundo do vídeo amador/semi-pro.

O sistema Dual Pixel é a grande novidade. Cada pixel é dividido em dois fotodíodos individuais, que são lidos separadamente para focagem automática de detecção de fase. Este sistema vai comandar o movimentos das lentes para efectuar o foco. Até agora o processo era o contrário: o motor movia as lentes da objectiva e o módulo AF validava (ou não) o foco ou que provocava, por vezes, o efeito de “patinagem”. O resultado é uma focagem rápida, precisa e suave.

Podemos definir uma zona de foco ou deixar actuar a função “seguimento de rosto”.

Com a função de seguimento de rosto e de objectos activada, o Movie Servo AF segue o motivo seleccionado à medida que este se vai deslocando ou quando estamos a recompor uma filmagem. Em alternativa, seleccionamos simplesmente áreas de focagem diferentes tocando simplesmente no ecrã táctil mesmo quando está a gravar. (ver vídeo)

A Canon recomenda as lentes com motor STM mais silenciosas, pois com as minhas da série profissional L com  motor USM, o ruído é insuportável e torna o som inexplorável, mesmo gravado com microfone externo colocado na sapata do flash.

Outra novidade é o facto de poder gravar mais tempo. A duração máxima é de 29 m e 59 s, tamanho máx. do ficheiro 4 GB (se o ficheiro exceder os 4 GB, será criado um novo ficheiro automaticamente). Mas atenção, a bateria aguenta 1000 fotos (o que é muito bom) mas só (no teste que fiz) 15/20 minutos de vídeo…
O grip (que tem um custo exorbitante, como sempre) é a única forma de atingir os tais 30 minutos de gravação. A bateria usada é o modelo LP-E6 que é igual a do 60D, 7D, 6D, 5Dmk2 e 5Dmk3 o que é uma boa notícia para quem vai fazer o upgrade de máquinas ou utiliza vários corpos.

É pena não ter dois slots para cartões SD, não ter saída para auscultadores para verificar o nível e qualidade do som gravado e sobretudo que a função Wi-Fi não funcione em modo vídeo, nem podemos enviar um comando de início de gravação. São características que, do meu ponto de vista, deveram ser corrigidos.

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

Há máquinas que dão um passo à frente e esta 70D é uma delas, com a tecnologia Dual Pixel AF que é a grande mais-valia para os amadores de vídeo e de fotografia em modo LiveView.

Mas esta 70D não serve só para vídeo e em não podemos esquecer que em modo foto está à altura dos critérios de qualidade a que a Canon nos habituou (ainda tenho uma 40D que continuo a usar…). Resumindo, é uma excelente câmara e está no mesmo patamar que a irmã mais velha 7D.

 

Ah, e para relembrar as primeiras linhas deste ensaio, sim, vou comprar uma 😉

 

PVP: 1100 euros (corpo), 1395 euros com o kit EF-S 18-135 STM

 

EXEMPLOS

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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