Com um preço abaixo dos 200€, este Wiko View tem no formato do ecrã um grande trunfo que apela ao consumidor mais jovem


A Wiko é uma marca jovem e urbana, que quer estar na moda e fazer parte dela. Os últimos lançamentos caracterizam esta atitude, com acabamentos diferentes e até com alguma ousadia na escolha dos materiais. Admito, gosto da atitude e até do resultado, portanto, foi com alguma expectativa que recebi o novíssimo Wiko View, o mais básico desta nova gama, que aposta no que “está a dar” e que é altamente desejável: o ecrã em formato cinematográfico. Vamos à análise?

Porque estão as marcas a correr desenfreadamente para o formato comummente tratado por 18:9? Porque o mercado o exige? E quem é o mercado? Ora aqui está uma bela questão. Serão os consumidores ou os marketeers? É que a razão apontada para a escolha deste formato é o cada vez maior número de horas de conteúdos audiovisuais vistos através dos smartphones. Mas, sabemos nós, nem toda a gente quer ver Netflix num ecrã minúsculo e que cabe no bolso. Portanto, esta corrida ao novo formato é também uma moda e é muito devido a ela que vemos as marcas tradicionalmente associadas à gama baixa e média a fazerem uma aposta arriscada. E digo arriscada porque não podemos comparar um topo de gama de 1000€, em que um ecrã deste tipo faz mais sentido, com um base de gama que custa uma fracção disso. O problema? É que o consumidor compara e há que ter esta equação bem pensada.

Por vezes o wide não é assim tão wide.
Há que ainda ter em conta que nem todas as fontes são compatíveis.

Gastei todo este parágrafo para apontar simplesmente que o grande trunfo do Wiko View é… o ecrã. Por esta não esperavam, espero eu. Pois que esta janela para o mundo em formato 18:9 tem qualidade HD com 1440 x 720 e uma densidade de 282 ppi. Poderão pensar que é parco, mas é o suficiente para se ver vídeos com algum contraste e ter uma qualidade bastante aceitável, mesmo durante um dia solarengo. Mas, logicamente, e para a gama em que se insere, não faz milagres.

O problema é o som que é emitido por uma coluna colocada na traseira do equipamento cuja grelha fica mesmo tapada pelo nosso dedo quando estamos a segurar o Wiko na horizontal. Curiosamente, e ainda bem, o som não chega a ser totalmente abafado como em outros equipamentos, o que até me admirou, mas um ecrã deste formato pede outro tipo de solução. Mas, na verdade, nenhuma é melhor que duas colunas frontais estéreo, algo que o novo design 18:9 não deseja ver arrumado numa frente que se quer dominada pelo ecrã, certo?

O coração deste Wiko View tem um processador Snapdragon 425 que está muito bem acompanhado por 3 GB de RAM e 32 GB de armazenamento interno que podem ser aumentados com cartões microSD com até 128 GB o que já dá para guardar e transportar tudo e mais alguma coisa. Este conjunto tem força para fazer a maior parte das tarefas a que o normal cidadão acede no seu dia a dia, mas esqueçam as aplicações mais complexas como jogos densos e rápidos, pois o sistema engasga de vez em quando o que, muito sinceramente, não esperava devido aos 3 GB de RAM. Mas depois penso no PVP deste Wiko e não posso exigir mundos e fundos.Por falar neles, o View oferece as já normais funções que todos querem: sensor de impressões digitais, duas slots para cartões SIM independentes da entrada para o cartão de memória, mas que obrigam a uma tarefa diferente do normal. Dever-se-á pressionar uma espécie de travão para conseguir rodar a capa traseira e desse modo aceder aos espaços. Infelizmente, a unidade de análise deve ter conhecido um meu colega destas lides um pouco menos cuidadoso e o dito travão não constava no corpo o que me impossibilitou de pesquisar as ranhuras. Menciono o facto porque, pelos vistos, é uma parte menos sólida neste corpo de plástico com aro em metal a toda a volta e que pode vir a dificultar a operação.

Passando à frente, altura para me focar nas cada vez mais importantes câmaras fotográficas. Bom, na verdade, o factor preço desta versão do View provoca algumas escolhas que se compreendem, e o facto da marca falar muito do SuperPixel com qualidade até 52 MP (que não é mais que a junção de vários fotogramas para se conseguir o melhor resultado da soma das partes) não significa que as fotografias sejam extraordinárias. Pelo contrário, até prejudica quem analisa pois vai estar à espera de qualquer coisa fantástica que, simplesmente, não acontece.

Passando este (in)esperado contratempo, percebemos que a aposta da Wiko aponta para a juventude mais vaidosa, ou seja, optou por montar uma câmara frontal, para as selfies, melhor que a principal com 16 MP contra os 13 mais tradicionais que servirão para captar o mundo fora do ego do utilizador. Até tem “SelfieFlash” e, naturalmente, modos de beleza. De bom tom, o estabilizador digital para a unidade principal conseguir bons resultados em vídeo.

De salientar que a bateria de 2900mAh cumpre a sua função, mas quem optar por ver vídeos terá sempre de a recarregar antes do dia terminar, e que o equipamento vem com a versão Android 7 Nougat.

Com um preço abaixo dos 200€, este Wiko View tem no formato do ecrã um grande trunfo para apelar ao consumidor mais jovem para quem todos os euros contam mas que quer estar na crista da onda.

PVP: 190€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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