Grave as suas cinzas num vinil. Depois de morrer, obviamente.

Jason Leach patenteou o Andvinyly, uma solução no mínimo curiosa mas que vem responder a algumas complicações.

 

Enquanto uns podem achar mórbido, outros são capazes de ver nesta solução uma memória quase física


É um assunto complicado, o da morte. As gerações mudam, os comportamentos e as noções também, o último desejo é expresso num papel ou a quem fica, e nunca, mas mesmo nunca, é uma situação que agrade a gregos e a troianos.

Inclusive, eu e a minha mãe temos falado muitas vezes na pós-vida (não confundir com pós-verdade) e ela, mesmo no alto dos seus quase 90 anos, sempre foi muito moderna em relação a estas coisas. E qual não foi a minha surpresa ao saber, recentemente, que tinha mudado de opinião em relação ao último dia corpóreo, se é que posso dizer assim.

Para a minha mãe, o ADN é demasiado importante e será através dele que, num futuro, as doenças serão erradicadas. Mas a ideia de ficar a apodrecer também causa impressão. Se não bastam as gravações vídeo que se fazem para prolongar as histórias da família, já bastante diluídas nos tempos em que pouca importância se dá ao passado, deveríamos ter opções para responder a todos os desejos ou vontades de quem parte. Tudo seria tão mais fácil.

De repente, um rapaz britânico patenteou o Andvinyly, uma fórmula no mínimo curiosa mas que vem responder a algumas complicações.

E o que fez ele para continuar o legado familiar sem perder o ADN? Deitou as cinzas do falecido para cima de um vinil durante o processo de gravação desse mesmo disco de vinil. E, para além das ditas ficarem coladas entre as ranhuras (lá está o ADN), o disco é também gravado com as próprias memórias ou conversas de quem se foi. Mórbido ou ideal? Escolham.

O autor deste conceito chama-se Jason Leach e já tinha sido notícia em 2010, mas foi com este vídeo intitulado Hearing Madge que o conceito ganhou um novo impulso e uma nova… vida.

Bom, agora que alguns de vocês já se preparam para saber mais sobre o conceito e o processo (basta clicar no link), visto o papel da grande ceifeira e adianto-vos que é melhor pensar em alternativas. Então porque estou a matar o Andvinyly? Por causa dos preços.

O pack básico custa 3500€ que nos garante 30 discos com estampagem individual R.I.V. (Rest in Vinyl) com foto, nome e datas do falecido, mais 24 minutos de áudio.

A partir daqui é tudo a aumentar: cada “artwork” são mais 3500€ e as musicas de fundo ficam cada uma a 280€ mas que podem chegar aos 500€.

Mas há mais: Podemos escolher só as cinzas de parte do corpo (imaginem alguém acidentado que perdeu um membro e quer ficar próximo desse ADN) e até mesmo fazer o processo com o animal de estimação (peixes será difícil). O preço é o mesmo.

Para terminar, que tal esta ideia: o disco pode ser gravado com frases dos entes queridos e dos amigos que relatam os factos da vida do desaparecido, entre gargalhadas e choradeiras. É todo um processo que envolve grande produção e cujo preço arranca nos 10.000€.

 

 

A morte sempre foi um bom negócio.

 

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