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Quero começar por dizer o óbvio: este novo Twingo é giro que se farta, principalmente nesta versão branca com os vinis decorativos. Era muito difícil recriar o conceito do Twingo original e a última geração provou isso mesmo. Contudo, a Renault acertou em cheio desta vez e o novo citadino tem muitas razões para vingar num mercado com boas propostas.

A originalidade do desenho, muito compacto mas de cinco portas, entende-se à configuração mecânica e à adopção de um novo motor tricilindrico, a nova moda transversal a muitos construtores.

A grande novidade é a colocação do motor atrás. Leram bem, a unidade está montada no eixo traseiro, mas ainda consegue oferecer algum espaço para uma pequena bagageira. Esta configuração tem dois resultados imediatos: a direcção fica mais leve e muito directa, oferecendo, confesso, um maior prazer de condução em cidade. O Twingo é mesmo um modelo que permite um ângulo de viragem (4,3 voltas) perfeito para uma cidade de vielas apertadas e parcos lugares de estacionamento, como Lisboa.

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O motor tricilindrico de 900 cc com 90 cavalos tem turbo de injecção multiponto e binário máximo logo às 2500 rpm, o que faz do Twingo um enfant terrible, pois empresta-lhe a potência que serve para umas pequenas diabruras. Mas também se faz ouvir, como em todos os motores semelhantes. Aquele barulho de mota sempre em esforço é característica e pode, a longo termo, apoquentar a paz de quem o guia.

Não tem conta rotações, o que acontece noutros automóveis que tenho ensaiado, como o Cactus (ler ensaio). Não entendo o porquê e estou muito habituado a esta, para mim, preciosa ajuda visual (e mecânica).

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A caixa de seis velocidades está bem escalonado e é muito directa, contribuindo para a boa sensação ao volante. Para menor fogosidade, convem pressionar o modo Eco e abusar do sistema Start/stop mas, mesmo assim, o Twingo é guloso. Mais de 6,5l em cidade para um carro tão leve é um valor acima do que se espera.

O capot, após destrancar duas presilhas na grelha frontal, é removível para acedermos aos depósitos de água e óleo. Dá imenso trabalho e ainda bem que são operações que só acontecem de tempo a tempo. Se a Renault poderia imitar a Porsche criando, nesta secção, um segundo espaço para bagagem? Talvez, mas seria necessário modificar  a arquitectura frontal e aumentar o peso por causa das dobradiças e demais necessidades. E como é um carro jovem para cidade, aquele espaço lá atrás deve ser suficiente.

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Mas… cuidado com os congelados. Como o motor fica mesmo por baixo da bagageira, mesmo com um grosso revestimento a dividir, a coisa aquece. E, quando fui ao supermercado, reparei que as compras estavam, enfim, aquecidas. Tenham isto em conta e uma pequena arca congeladora pode ser um extra necessário.

O último problema desta arquitectura é o facto de não existir espaço para um pneu sobresselente e assim temos de nos contentar com o kit anti-furo. Tenham muito cuidado com os buracos lisboetas. A abertura desta bagageira também é original: o botão está colocado, não na base do vidro/tampa, mas sim por baixo do para-choques. A princípio não dei com ele…

Resumindo esta primeira secção, temos velocidade, dinâmica, algum conforto e, na versão de ensaio, todo o equipamento necessário para uma vida moderna e conectada.

O interior e equipamento

O interior é luxuoso, moderno, atractivo. Um fabuloso volante digno de segmento superior, cores, bancos em pele, tudo bem organizado e arrumado, com três tons a dominar o habitáculo, tanto nos bancos como no tablier.

Existem alguns pormenores originais, como uma enorme caixa de plástico arrumada entre a alavanca das mudanças e o painel central. Esta tem tampa para esconder o lixo que vamos criando dentro de um carro e pode retirar-se e levar-se para casa, como se fosse um tupperware.

O target é jovem e já não passa sem as conexões digitais. O Twingo apresenta-se com o sistema de info-entretenimento básico R&GO que se utiliza de um curioso e muito útil suporte para o nosso próprio smartphone ou phablet. A partir destes, e por bluetooth, podemos fazer a ligação aos mapas, GPS, rádio por internet, listas músicais, etc.

Para quem desejar outra solução, existe o pack Techno que acrescenta um tablet de 7″ integrando o mais avançado sistema R-Link com navegação, câmara de visão traseira e sensores de estacionamento traseiros. Este “luxo” agrava o preço em 1000 euros.

 

Concluindo

O interior jovem que serve quatro adultos (os bancos, mesmo o do pendura, são rebatíveis para criar mais área), apresenta qualidade que se sente e toca (nesta versão), uma direcção sem paralelo e um design muito conseguido, trunfos que podem fazer do novo Twingo um best-seller. O conjunto é bonito e alterna entre o bom (os puxadores das portas traseias à lá Alfa Romeo) e o menos bom (vidros basculantes atrás), por exemplo.

Tem um ar racing e desportivo e está conectado ao mundo através de sistema próprio ou do nosso smartphone. Guia-se muito bem, é extremamente despachado e provoca olhares e sorrisos por onde passa.

Tem aqui e ali uns defeitos, sendo o mais complicado de gerir o aquecimento dos pertences na bagageira. De resto, é perfeito para subir e descer colinas.

 

PVP: entre € 11 950 e € 14 450

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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