pulsar-4

Dei várias voltas ao Nissan Pulsar antes de nele entrar, pois era um modelo que queria mesmo experimentar. É que ao longo da minha vida tive dois extremos da Nissan, um 200SX e um fabuloso Micra e quase que comprei um Almera, não fosse o Alfa 147 ter saído e me arrebatado o coração. Depois andei afastado da marca e não gostei da “intrusão” francófona. Mas confesso que tenho percebido as vantagens desta aventura conjunta, principalmente nas propostas mais inovadoras, como os modelos eléctricos e uma joint-venture tecnológica que se expõe neste modelo com distinção.

IMG_0967

IMG_0951

Voltando ao Pulsar, parece um Qashqai para uma família menos aventureira, não acham? Tem semelhanças com o SUV mas apostando num desenho mais clássico, quase que diria, apontado para aquele casal já não muito jovem que pretende um imenso carro para levar toda a família (filhos ou netos, brinquedos, roupas, cão) e ainda ter espaço para dar e vender. E sim, entrar num Pulsar é entrar numa outra dimensão automóvel com os seus 4,3 metros de comprimento e uma largura assinalável. Nunca senti tanto espaço interior e nunca os passageiros traseiros ficaram tão afastados dos da frente num, reforço, hatchback tradicional de cinco portas. A mala acompanha esta realidade e oferece-nos 385 litros. Com os bancos baixados, acrescem mais 1000.

Os bancos são muito confortáveis mas o design, mesmo com a secção esquerda do tablier a mostrar as curvas de um Zoe (ler ensaio aqui), não conseguem ultrapassar o facto que tanta simplicidade também pode ser negativa. Está tudo demasiado arrumado e com um botão start/stop exagerado e mal colocado). Mas gostos não se discutem e o cliente tipo deste Pulsar procura simplicidade e qualidade. Em relação à primeira, todos os comandos são fáceis de memorizar e manobrar. Mas em termos qualitativos estava à espera de melhor, menos plásticos, mais envolvimento. Contudo, e como a marca aponta, o Pulsar não quer rivalizar com as referências do segmento (Golfs e afins) mas com propostas um pouco mais abaixo, como as sul-coreanas e nipónicas. Mas aqui é que as coisas ficam confusas: tendo à frente um novo Civic versus um Golf eu escolheria o japonês e nem teria a ver com o preço, muito simpático no Honda e absurdamente caro na VW. Portanto, esta coisa dos posicionamentos e dos targets não me seduzem nem iludem. Muito menos a força de logotipos, trabalhei demasiado tempo em publicidade para saber o que valem.

IMG_0960

Depois deste desabafo, e regressando à análise, se este exame é ultrapassado com distinção, o que dizer da tecnologia activa e passiva com que a Nissan equipou o Pulsar? Não é fácil entender tudo à primeira. É um carro que precisa de atenção e de umas quantas visitas ao manual de instruções, pois os botões não estão lá para enfeitar. São muitas funções “invisíveis” que fazem do Pulsar um carro diferente (para melhor): sistema de Escudo de Segurança que inclui nomeadamente o Aviso de Mudança de Faixa e o Aviso de Ângulo Morto; sistema de Visualização da Área Circundante (Nissan View 360 que nos permite ter uma noção circundante dos objectos que podem surgir em qualquer ângulo mas que é de habituação morosa e à qual não me adaptei durante os dias do ensaio) e sistema de última geração NissanConnect que fornece integração perfeita com smartphones e funções completas de navegação por satélite num bom ecrã de 5″.

A lista nunca mais acaba e para poderem ler tudo sobre as tecnologias presentes no post de apresentação que publiquei aqui.

Temos ainda a travagem de emergência com radar, câmara de ajuda a estacionamento com auto limpeza, Monitorização da Pressão dos Pneus, Start/Stop e os já normais vidros eléctricos e ar condicionado. Existem três versões do Pulsar com quatro graus de equipamento e designações já nossas conhecidas: Visia, Acenta N-tec e Tekna

IMG_0938

O Pulsar foi lançado com dois motores muito avançados e ambos sobrealimentados: um a gasolina DIG-T de 1,2 litros e um diesel dCi de 1,5 litros. Foi este último que experimentei e não esperava grandes velocidades destes 110 CV que cumprem muito bem o papel exigido pelo condutor mais calmo e que, acima de tudo, procura conforto e economia. Este motor, em cidade, gastou uns parcos 5 litros aos 100, resultado de uma condução a que ele obriga, ou seja, sempre dentro dos limites.

IMG_0961

Confesso que não é carro para mim, pois gosto de um modelo mais nervoso e não necessito de tanto espaço interior. Mas a cada dia que passava, achava-o mais atraente e equilibrado. É fácil de guiar, convida a boas e longas viagens e consegue ser prático para o dia a dia. A tecnologia e o equipamento são de nível superior e isto, aliado aos consumos baixos, faz do Pulsar uma proposta que tem tudo para ganhar. Em Portugal, só lhe falta um logotipo alemão.

PVP: 28.480,00€

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

View all posts