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O Renault Zoe foi uma agradável supresa, como podem ler no ensaio que lhe fiz, gostei do design e da robustez, qualidade de construção e espaço.

Finalmente, tive a oportunidade de guiar o Nissan Leaf, outrora o todo poderoso eléctrico (em paralelo com o Toyota Prius) e que conheceu recentemente uma nova versão.

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Esta segunda vida do Leaf é bem vinda e chega ainda a tempo para competir com os modelos mais recentes e cujo design é mais apelativo. Convenhamos que não se compra um Leaf pela sua beleza, mas pela de um mundo que urge salvar. Mas fiquei surpreendido pelo “meu” Leaf em preto, cor que contrasta em absoluto com os componentes azul-eléctrico que pontuam este Nissan que ficou com um ar mais adulto e, até posso dizer, elegante.

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Ao contrário da geração anterior, em que só esteve disponível um único nível de equipamento, podemos agora optar pelas versões Visia, Acenta e Tekna.

O Visia é o modelo de entrada com AC automático, Start/Stop, Hill Assist, faróis de nevoeiro, vidros eléctricos frontais e jantes de 16″ (em aço, o que parece estranho num carro que se quer leve).

Onde está a virtude, que é no meio, surge o Acenta que acresce ao mencionado, o sistema Connect 2 com seis colunas para um belo e envolvente som, app Carwings (muito útil), sensores luz e chuva, quatro vidros eléctricos, câmara de vídeo traseira, deflector traseiro com uma pequena célula solar, transmissão com modo B para maior recuperação de energia e as jantes passam a ser de liga leve.

Finalmente, no topo está o Tekna (o modelo ensaiado) que a tudo isto junta o sistema vídeo a 360º (também presente no Nissan Pulsar que também experimentei e que é de difícil habituação, mas de efeito extraordinário), as jantes crescem para 17″ (sim, em liga leve), a pele forra a maior parte do interior, inclusive os bancos (com aquecimento, assim como o volante que também sofre deste extra) e um fabuloso sistema de som da Bose com sete colunas mais subwoofer e amplificador escondidos na bagageira, sistema que foi desenhado específicamente para este Nissan.

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Porque me queixei do volante aquecido? Porque quando fui levantar o Leaf este estava ligado e apanhei um valente susto, pensando que havia um qualquer problema eléctrico no interior do Nissan. Uma rápida vista de olhos pelos comandos, percebi o que se passava e desliguei imediatamente esta função. Não deixa de ser curioso o facto destes extras de aquecimento num automóvel que deveria fazer tudo para poupar a bateria, mas alguém deve ter feito as contas.

A confusão dos preços: alugo ou compro a bateria?

Antes de saltar para o volante, há que explicar a problemática das baterias. Existem preços muito diferentes para quem compra um eléctrico e a bateria que nele vem e para quem compra o carro mas prefere o aluguer da bateria. Retirei uma imagem do site oficial para uma rápida comparação:

Nissan leaf preços

Assim de repente, sai sempre mais em conta comprar apenas o carro e optar pelo aluguer da bateria, pois neste sistema garantimos a troca da mesma quando fica nos 70% e assistência em descarga total ou avaria. O aluguer mensal começa nnum mínimo de 79€ mensais para três anos ou 12500 km, ao máximo de 122€ para os mesmos três anos mas até 25000 km. Há diversas opções pelo meio e vale a pena consultar os detalhes.

Ao volante

O Leaf é grande, com um espaço extraordinário para cinco ocupantes e ainda uma bagageira com 370 l de capacidade. A caixa automática CVT manobra-se com um dedo, estando colocada a meio dos bancos frontais. Mas convém fazer algumas manobras para nos habituarmos ao seu desempenho e características.

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O Leaf começa a andar assim que tiramos o pé do travão, portanto, há que levar em conta também este comportamento. Ao pisar o acelerador, somos num repente, os reis do arranque, ao deixar todos os outros carros presos ao chão. Este motor tem 109 CV e 254 Nm de binário. Está agora mas pequeno e leve, e tem a seu lado o carrregador da bateria, muito mais pequeno que o anterior e que passa agora para debaixo do capot.

Em arranque imediato, os eléctricos são estrelas, mas depois perdem para os demais. Contudo, 11 segundos dos 0 aos 100 não é nada mau. O pior é o limite máximo que nem aos 150 km/h chega.

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Se me queixei do excesso do aquecimento eléctrico, há que mencionar outra diferença do novo Leaf: conta com um sistema de recolha de energia térmica muito capaz e que distribui ar frio para dentro do habitáculo sem ser necessário a utilização do ar condicionado. Como é habitual, o sistema de regeneração energética em travagem ajuda a conquistar quilómetros de autonomia e é mais eficaz que na primeira geração. Tudo para poupar bateria.

A Nissan redesenhou a direcção, agora mais leve, escolheu pneus de baixo atrito e poupou 30 kg em cabos eléctricos, reforçando a robustez de toda a instalação. O modo ECO faz também o seu papel, mas torna o Leaf demasiado lento e pouco reactivo, doseando fortemente o curso do acelerador. Mas houve uma altura em que tive de guiá-lo assim…

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Tudo isto fez com que a autonomia apresenta uns mais risonhos 200 kms por carga, mas não sei se é o valor real, pois sei e abusei de todos os equipamentos e não fui meigo nas acelerações. De qualquer forma, e não há qualquer dúvida, é ainda um stress ter um eléctrico em Lisboa. Tenho um tomada e-Mobi mesmo no largo próximo de casa e nunca consegui estacionar nos lugares devidos… nem próximo. Numa manhã, bem cedo, lembrei-me do conjunto das estações próximas à reitoria da Universidade de Lisboa. Cheguei pelas 8h30 e estavam vazias e consegui lugar para o Leaf. Quando regressei, todos os outros espaços dedicados estavam ocupados por viaturas diesel e gasolina. Uma falta de noção cívica total que se tem de ultrapassar em Portugal para os eléctricos poderem ter alguma hipótese de sucesso.

Deixando estas considerações de lado, mais uma vez, pois também me aconteceu com o Renault Zoe, adiei uma viagem a Leiria com receio de não chegar ao destino. Mas isso são contratempos episódicos, pois um eléctrico puro é um carro de cidade ou, quanto muito, ida e volta trabalho / casa. A questão é saber se precisamos de um carro tão grande e familiar para esses trajectos.

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Mas há razões, e muitas, para gostar deste Leaf. O silêncio a bordo é total, o que garante duas coisas: muito conforto e, paralelamente, a dúvida se os barulhos que passamos a ouvir são algum problema mecânico ou eléctrico. Por exemplo, ao passar por um pedaço de estrada com gravilha, ouvi todas as pedras a baterem no fundo do carro, coisa que é raro numa motorização tradicional.

É muito espaçoso e confortável, com tudo o que precisamos ao toque do ecrã, navegação, áudio, menus muito informativos, sistemas automáticos e uma caixa irrepreensível pela suavidade. Porém, temos de ter muito cuidado em relação aos peões e à nova classe de ciclistas que teima em utilizar todos os centímetos do asfalto, muita vezes em contra mão. O silêncio que se vive no interior, passa para o exterior com a ausência do barulho do motor. Será devido a isso que a Nissan equipou o volante do Leaf com mais botões para buzinar que o típico central.

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O carregamento da bateria, principalmente devido à falta de educação dos automobilistas portugueses, é um problema para qualquer eléctrico. Para podermos viver sem esse alvoroço, que me afectou durante os dias do ensaio, convém poder ter um lugar numa garagem para montarmos a “wall box” que permite, com um cabo com ficha 220V e transformador próprio, utilizarmos a nossa rede eléctrica. E assim valerá muito a pena.

 Pvp: 31,400 €

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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