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Este é um adeus a toda uma geração Miata, o cognome do Mazda MX 5, que adorei e desejei a cada restyling. E faço desde já uma confissão: já há muito tempo, optei por um MG-F porque… era mais em conta e, enquanto novidade, tinha umas linhas mais britânicas, prometendo grande prazer de condução com o seu motor central. Era também um delírio visual na sua cor british racing green, mas arrependi-me para todo o sempre e faço aqui um mea culpa.

Este ensaio não vai ser igual aos demais porque guiar um MX 5 também não é, infelizmente, uma realidade para a maior parte de nós. Vou apenas transmitir as sensações únicas que este automóvel garante, com ou sem capota, faça chuva e faça sol.

As linhas sedutoras deste “último” Mazda MX 5 1.8 Zen Edition, comemorativo 25 anos, são uma assinatura já clássica e não perdem beleza nesta versão com capota eléctrica (muito rápida). Mantêm a posição extremamente baixa de condução com todos os comandos mesmo à mão, a caixa curta e muito directa (sem bem que lenta para um desportivo). Tudo encaixa connosco, parece que foi moldado, trabalhado para o nosso corpo. É um carro extremamente egoísta, pois nem queremos saber da capacidade da bagageira (até dá para levar duas malinhas ou um saco grande) ou se quem vai ao lado desespera com o vento (o corta vento é útil e está bem pensado) ou com o som que as colunas debitam. Nada interessa… a não ser aquele pedaço de alcatrão que se estende à nossa frente e nos convida para, pura e simplesmente, ir embora.

Esta é a verdadeira capacidade deste pequeno Mazda: o constante convite para deixarmos a lufa lufa do dia a dia urbano, escolher uma estrada nacional ou secundária, vestir um cap, baixar a capota e guiar. Temos à disposição um motor bastante agradável e que nos permite, graças à leveza do conjunto, percorrer km sem sequer pensar na sua potência. O comportamento (perfeitamente dividido em 50/50) é tão divertido quanto eficaz. As curvas são um prazer, as semi-rectas uma alegria. Chato é levar este carro para uma auto-estrada… ou baixar a capota ao lado de um autocarro ou camião que acelere com o escape mesmo apontado para a nossa cara. Sim, não é um carro para todas as, enfim, alturas, se é que me compreendem.

Durante os dias de ensaio, que ocorreu já há algum tempo mas que guardei para esta primeira fornada de grande calor, nunca cheguei à conclusão se preferia estar sentado ao volante a olhar um pôr de sol ou numa esplanada a apreciar as suas linhas clássicas e imortais. O MX 5 é assim, leva-nos à dúvida, mas deixando de lado a poesia, é lógico que prefiro estar atrás do volante.

Esta versão 1.8 com 126 CVs está recheada de equipamento: para além da capota eléctrica, contamos com as mordomias que não faziam parte da noção roadster, que sempre optou pelo binómio simplicidade/fogosidade. Mas os tempos mudam e já é obrigatório em qualquer lista, o ar condicionado automático, sistema Bluetooth, cruise-control, bancos aquecidos em pele e sistema de navegação. Muita destas opções são controladas através dos comandos no volante e percebe-se algum cuidado nos acabamentos. Em suma, tudo se conjuga para oferecer muitos Km de prazer… desde que o corpo aguente, pois a suspensão é dura e não se dá bem com os buracos lisboetas, multiplicados a cada dia que passa.

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Tracção traseira, um ronronar agradável, uma capota rígida, uma bela simbiose com quem guia, são as coisas boas. Também há o outro lado: em cidade gasta uma média de 10l, o pendura pode sentir-se claustrofóbico devido ao exímio espaço com capota fechada, situação que também prejudica a visibilidade. Mas, muito sinceramente e cá entre nós, isso é de somenos importância. Todos deveríamos ter um Miata, nem que fosse um mês na vida, mas o preço prejudica esse intento.

PVP: 34.721 euros 

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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