Começo já pelo fim e afirmo que há muito tempo que não tinha tanto gozo a guiar um carrinho. Digo carrinho, pois o 208 é um citadino que até viu as suas medidas encolhidas face ao modelo que veio substituir, o que até vai contra a política corrente. Mas é um carrinho que se transforma num carrão logo ao rodar a chave na ignição. E se a questão é “teremos de regresso a lenda que transformou o 205 GTi num clássico?” Sim. Estou em crer que posso dizer que o novo 208 GTi encarna na perfeição todo o espírito que ainda hoje faz crescer um sorriso em todos aqueles que tiveram a oportunidade de experimentar o mítico 205.

 

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O kart

Calhou-me um GTi vermelho escuro, quase bordeaux, o que lhe confere um ar ainda mais musculado e agressivo. Quando o levantei, estava ao lado um preto que é, quanto a mim, a outra cor por que se pode optar com esta sigla. Portanto, tudo bem.

Os pormenores exteriores embelezam-no sobremaneira e emprestam-lhe algo de especial. As jantes muito apelativas com embaladeiras da cor da carroceria dão-lhe logo o ar mais largo e o aileron mais as siglas, grelha e escape não passam despercebidos.

 

 

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O encaixe

Mas este carro é feito para se guiar e vamos às noções: que bela direção, muito assistida e imediata e que convida a uma condução brusca e desportiva. O volante, muito pequeno em dimensão, pede para ser agarrado com as duas mãos bem posicionadas nas 10 para as duas. Tem um excelente toque com os comandos bem inseridos e aquele pormenor vermelho centrado aumenta-nos logo a adrenalina. Vermelha também a luz que acompanha o painel de instrumentos e que se pode desligar. Os instrumentos estão colocados numa posição mais afastada do condutor, o que a princípio se estranha e que até pode prejudicar a total visualização devido ao posicionamento mais baixo do volante, mas basta um minuto para regularmos tudo e conseguirmos a posição confortável que se exige para este carro. As bacquets são extraordinárias, com muito apoio lateral e excelente desenho global. Fiquei pura e simplesmente encaixado, só me faltava o capacete.

 

 

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O Interior

Todo o acabamento é de luxo, em cabedal preto debruado a vermelho. Aqui e ali, um degradé nos pormenores a vermelho, como no tablier e nas portas. Tudo isso podem ver com atenção nas fotos. Os pedais tipo competição são iluminados quando entramos no carro, assim como se fazem notar outras luzes de presença. Mas não há bela sem senão: não gosto mesmo nada das duas linhas de leds azuis que acompanham o tecto panorâmico e a iluminação led frontal poderia ser menos chamativa, pois dá demasiado nas vistas e não tem uma mais valia prática.

Os bancos traseiros também encaixam os passageiros e continuam a linha desportiva de todo o conjunto, com aplicações a vermelho aqui e ali. Tudo bem definido para transmitir a noção que estamos perante um puro sangue que apetece dominar.

A bagageira é até muito útil se tivermos em conta as dimensões exteriores deste novo Peugeot e existem alguns espaços de arrumação no interior, muito úteis e que poderiam ser multiplicados.

 

 

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O Equipamento Interior

O tablier é dominado pelo excelente ecrã táctl de 7”, o verdadeiro coração multimédia com sistema de som Arkamys, seis colunas e todas as tomadas desejáveis, com dois USB, Jack e 12V. No porta luvas ainda está alojado o leitor de CDs, quanto a mim não necessário pois quem usa um ecrã deste género também prefere Pens ou cartões ou mesmo leitores de música com saída 3,5mm já para não falar da compatibilidade total com o smartphone que, através da ligação Bluetooth, permite ouvirmos música e aceder à lista telefónica.
Neste aspecto é difícil pedir mais à Peugeot.

Este ecrã é também a janela para o sistema de navegação, muito bom por sinal, informativo q.b. com aquele pormenor muito bem vindo, e que já encontrei noutras marcas, em que tornam o mapa nocturno ou diurno conforme a hora em que o estamos a utilizar.

O conforto é uma constante e o ar condicionado automático Bi-zona é um luxo a que este tipo de carros não estão habituados. Outro dos equipamentos “modernos” é o Cruise Control com programação, muito fácil de utilizar.

 

 

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O Equipamento Exterior

O embelezamento do conjunto, com alguns pormenores que já mencionei, são ainda reforçados pelas luzes diurnas e piscas com Led “flat guide”, os tais que podiam ser menos “agressivos” visualmente, faróis de nevoeiro dianteiros com “cornering”, dupla ponteira de escape, vidros escurecidos e sistema auxiliar sonoro de estacionamento que também é reforçado com a visualização no ecrã táctil.

Tudo muto directo e, dependendo dos packs, transversal à gama 208 (incluindo o crossover 2008 que já ensaiámos).

A lista inclui mais equipamento e convém dar uma vista de olhos ao simulador da marca em que temos acesso à sua totalidade inclusive com valores.

 

 

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Alma

Este 208 GTi tem um bloco muito interessante, o 1.6 THP gasolina turbo e que debita uns redondos e sonantes 200 cavalos com 275Nm de torque.

É o mesmo bloco que encontrei no também já ensaiado Peugeot RCZ, mas tem outro comportamento devido ao peso do 208, apenas 1160kg. E todos sabemos o que isso influi no comportamento de um automóvel. Um dos exemplos: 6,9 segundos dos 0-100km/h.

A caixa, manual com seis velocidades, está bem escalonada e permite uma utilização mais rápida e agressiva como também uma toada bem mais calma e de passeio. E é um grande ponto a favor.

 

Comportamento

Numa palavra: neutral.

Bem calçado, demonstrou grande vivacidade em diversos tipos de piso, sempre com muita dinâmica mas sem provocar sustos. E espremi-o bem de vez em quando, cada vez com mais à vontade e seguro que ele responderia sempre bem. Não senti sub ou sobreviragem, mas também não tive oportunidade de sacar o máximo, pois pistas em Lisboa não são assim tão vulgares.

Com tempo seco, desligar o controlo de tracção não trouxe significativas mudanças de comportamento, o que demonstra o equilíbrio deste GTi e que pode democratizá-lo a mais tipo de condutores com menos experiência ou mais afoitos quando o não devem. O 208 GTi perdoa muitos exageros… mas não faz milagres. 200 cavalos impõem respeito.

A direção assistida electricamente é muito directa, precisa e muito responsiva. Gostei francamente dela e, como escrevi no início deste ensaio, parece que estamos a guiar um kart, o que me encheu de genuíno prazer. Dei por mim a dar voltas à noite numa Lisboa adormecida só pelo gozo de condução, de passar a caixa, de fazer curva mais rápidas ou “safar-me” de um buraco com dois golpes secos no volante. É um carro adorável neste (e outros) capítulos.

 

Conclusão

Gostei muito do 208 GTi e estou em crer que, finalmente, a marca tem um substituto do mítico 205 GTi. Adorei guiá-lo e pode até ser um carro para todos os dias, mas em Lisboa com tantos buracos, lombas e crateras que minam os pedaços de bom alcatrão, é um pouco duro para as costas, pois como desportivo que é tem uma suspensão bem menos tolerante para este tipo de piso. Mas é muito confortável, equilibrado e está muito bem equipado.

O preço proposto, cerca de 25.000 euros, oferece um carro de nicho muito equilibrado e para quem sabe o que quer. Não pode ser confundido com alguns minis racing que andam por aí, pois é muito mais do que eles. É um verdadeiro desportivo com grande coração e comportamento honesto e neutral.

Eu ficava com um. Não sei é se em vermelho ou preto.

 

Equipamentos

Segurança

  • Airbags frontais e laterais + Airbags tipo cortina + Alerta visual / sonoro para colocação de cinto de segurança do condutor
  • E.S.P. – Electronic Stability Program

Interior

  • Pedaleira e apoio de pé em alumínio
  • Soleira das portas em alumínio com inscrição Peugeot a vermelho

Exterior

  • Sistema de ajuda ao estacionamento traseiro

Conforto

  • Apoios de cabeça traseiros (3)
  • Ar condicionado automático bi-zona
  • Banco do condutor e passageiro reguláveis em altura
  • Banco traseiro rebatível 1/3 – 2/3
  • Cruise Control com programação

Estética

  • Dupla saída de escape cromada
  • Frisos cromados na parte inferior dos vidros laterais com inscrição GTi
  • Óculo e vidros laterais traseiros escurecidos
  • Retrovisores exteriores rebatíveis electricamente

Instrumentação

  • Painel de instrumentos GTi, iluminação em branco, LCD central a cor, agulhas brancas, luz ambiente a vermelho, e contorno cromado acetinado

Packs

  • Pack Visibilidade

Volante

  • Volante em couro perfurado, pespontado a vermelho, elementos em cromado acetinado, monograma GTi e comandos no volante

Dados Técnicos

Motor

  • 1598Cilindrada (cm3)
  • 4Número de cilindros
  • 16Número de válvulas
  • 200 / 5800Potência máxima (cv) / rpm
  • 275 / 1700Binário máximo (Nm) / rpm

Volumes

  • 50Capacidade do depósito (litros)
  • 285Volume máximo do porta-bagagens (dm3)
  • 5Número de lugares

Pesos

  • 1265Tara (kg)
  • 1650Peso Bruto (kg)
  • 1150Peso Rebocável com Travões

Performances

  • 230Velocidade máxima (km/h)
  • 6,8Aceleração 0-100 km/h (segundos)

Consumos

  • 8,2Circuito urbano
  • 4,7Circuito extra urbano
  • 5,9Circuito misto
  • 139

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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