A Panasonic, uma das representantes do sistema micro 4/3, continua a lançar excelentes câmaras fotográficas, tanto para o mercado amador como para os entusiastas mais sérios e, com esta proposta, faz frente a algumas DSLR de marcas com grandes pergaminhos no campo semi-profissional.

Esta nova G5 até trouxe uma nova designação técnica: se até agora as Panasonic eram conhecidas por CSC, a G5 que surge mais apontada para a batalha contra as Canon, Nikon e afins, apresenta-se como sendo uma dSLM, ou seja, “digital single lens mirrorless”. Deverá criar mais confusão num mercado já confuso.

Coube-me ensaiar o modelo com kit básico, ou seja, a lente zoom 14-42mm.

O que salta imediatamente à vista é a sua semelhança visual com uma qualquer DSLR moderna e apelativa. Mas quando a agarramos, percebemos logo uma das vantagens do sistema micro 4/3 (ex: CSC, agora dSLM) que é a dimensão mais reduzida e, por conseguinte, um menor peso. E, para quem anda com uma câmara todo o dia, são elementos diferenciadores e que contam no final do dia.

Não escondo que gosto das Lumix. Aliás, aponto-as frequentemente como uma excelente solução para amigos que procuram uma máquina com boas capacidades técnicas mas que não pese no bolso, em sentido físico e figurado. Mas a G5, tal como a gama GH, tem um obstáculo inicial que pode afastar muitos potenciais clientes: um preço similar às propostas dSLR daquelas marcas que em Portugal atingem o patamar que os logotipos teimam em manter. Infelizmente, digo já, pois a G5 é uma câmara “e pêras”!

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Qualidade de construção

É algo que se sente imediatamente. Esta G5 é uma obra prima de engenharia “reduzida” pois em tudo é similar a uma pesada dSLR mas… não o é. Todos os comandos estão bem colocados num corpo equilibrado. É fácil manobrá-la com uma mão, embora no modo automático, pois com o ecrã touch todas as configurações obrigam ao uso intensivo do indicador. E isto é um bom sinal. E o punho parece perfeito, mesmo para mãos mais bolachudas quanto a minha. A lente é também muito bem feita, mesmo sendo a mais básica das zoom, e está acompanhada por um leque muito interessante de duas dezenas de opções.

 

Os chamarizes

Com um sensor redesenhado Live MOS de 16Mp, o valor máximo ISO foi puxado para os 12,800 e podemos agora tirar seis fotos por segundo. O ecrã “tilt” tem também o dobro da resolução da sua antecessora chegando a uns bons (e belos) 920mil pontos e é táctil o que permite, já para nem mencionar a escolha das funções entre os menus, focar por toque (e também fotografar automaticamente) colocando o dedo no exacto ponto que queremos…. focar. E a coisa funciona bem, muito bem mesmo, sendo extremamente rápida e conseguindo resultados dignos de nota.

Lá estão os filtros criativos para os mais artisticamente ousados de entre nós (Soft focus, Impressive Art, Cross Process, Star Filter, Miniature Effect, Dynamic Monochrome, One Point Color e Low Key) que podem ser pré-visualizados. Existe ainda uma curiosa ajuda em que, nos modos iA ou iA+ (inteligent auto plus), a própria G5 nos aconselha o filtro que poderá “melhorar” o boneco, depois de uma análise da cena.

Existem duas opções de gravação vídeo, outro dos sectores onde a Panasonic dá cartas, Full AVCHD a 1080/60p ou MP4 a 1080/30p. E que cartas…

Já se sabe que nesta gama apontada para entusiastas, o formato RAW é uma obrigatoriedade, assim como as opções manuais, o ecrã articulado, e as imensas opções de focagem automática. A G5 apresenta-se completa e, neste último sector, até brilha (contrast detect, multi-area, selective single-point, tracking, single, continuous, touch, face detection e live view). O live view é um ajudante extremo e a focagem por toque funciona na perfeição. Tão bem que se torna até viciante.

As opções desta câmara são tão lactas que poderia estar aqui uma tarde a mencioná-las uma por uma, mas na verdade, é preciso tê-la nas mãos para, ao longo do tempo e experiência, conseguir perceber todas as suas vantagens e desvantagens. Menciono só o estabilizador de imagem (óptimo), o Zoom digital (convincente) e a possibilidade de rapidamente se poder optar pelos formatos 1:1, 4:3, 3:2, 16:9 (mas sem o controlo físico da LX7).

Os modos de exposição são os já clássicos PASM e os modos de selecção contam-se pelas dezenas. Existe ainda uma sapata para os vários acessórios que a marca disponibiliza.

A ligações são USB 2.0, Mini HDMI e controlo remoto (opcional).

Tudo isto pesa menos de 400g num corpo com 120x83x71mm.

Faz crescer um sorriso, não é?

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Controlo total

Existem botões por todo o lado o que pode ser assustador para quem vem das compactas point & shot. Mas avanço já que há outras propostas mais em conta e menos complexas para essa crescente fatia de fotógrafos e convém dar uma olhadela à gama.

Tudo funciona bem e, inclusive, existem opções um tanto estranhas como o selector de flash ser mecânico e o controlo de exposição não ser de formato roda. Infelizmente, não gostei da colocação do selector directo para gravação vídeo. Obriga-nos a tirar a mão do punho e, como está pouco saliente, ainda se demora uns segundos a conseguir finalizar uma operação que poderia ser mais fácil.

O ecrã é uma maravilha, multi-direccionável, de boa construção e qualidade de imagem espantosa. Existe ainda o automatismo para alternar entre a visualização através dele e do visor electrónico, que se pode desligar (ou optar por uma das soluções). O resto já é familiar para quem está habituado a este formato de câmaras e, com uma ou outra diferença, tudo é rápido e facilmente assimilável.

 G5

 

Impressões

 A G5 encheu-me muitas medidas e, embora goste mais do formato compacto da também jovem LX7 (para não sair da marca e cujo ensaio está aqui), senti-me muito confortável ao poder passeá-la durante um dia sem grandes reflexos musculares, se entendem onde quero chegar.

A lente zoom é básica, mas é honesta e de boa qualidade de construção. Não se pode exigir muito a uma 14-42, mas a G5 conseguia estar à vontade em todo o tipo de situações e era francamente fácil conseguir criar uma boa profundidade de campo, pois podemos-nos aproximar do objecto sem perder as capacidades de focagem a distância mínima, mesmo em modo automático iA. A macro funciona muito bem e mesmo com focagem automática, é extremamente rápido conseguir um fabuloso boneco.

As cores são fixas, realistas, vívidas sem cair na armadilha dos tons quentes que caracterizam a Canon ou os azulados mais frios da Sony (opiniões de muita gente). São fidedignas e chegam a ser brilhantes quando visualizadas no muito bom ecrã táctil.

A rapidez de focagem é notável chegando mesmo a ser das melhores que me passaram pelas mãos. Gostei francamente do desempenho em condições de menor iluminação e o comportamento é eficaz até os 1600 ISO. Mesmo surpreendente com pouco grão e o degradé entre sombras muito bem definido até ao negro total.

Em termos de vídeo, é de assinalar que sou fã das Lumix neste sector, e a Panasonic foi das primeiras marcas a perceber o boom que este nicho ia conhecer e, confesso, o meu desejo de ter uma GH2… agora GH3, só foi (e é) travado pelo preço demasiado alto. A G5 é muito boa neste campo, com cores naturais, focagem automática, capacidade de filmagem com os filtros criativos, foque desfoque manual, bom efeito bouquet. Uma maravilha a toda a prova (só mesmo ultrapassada por alguns modelos da Sony).

O preço a pagar é alto também nesta G5, factor que vai mesmo fazer perder alguns potenciais clientes. É que não é fácil estar na gama de uma Canon 650D ou Sony a57 ou mesmo uma Nikon D5100… A grande vantagem é ser mais portátil, menos pesada e com um conjunto de soluções técnicas que a tornam mais rápida, como a conjugação do ecrã táctil e os comandos físicos, para além de um bom viewfinder e, acima de tudo, o fabuloso ecrã de ângulo variável e sensível q.b. ao toque, para também não alterar um qualquer dado só porque se toca ao de leve e sem querer.

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Conclusão

 

A G5 tem uma tarefa complicada, mas os bons préstimos da sua antecessora G3 e as demais GX e GH, transformam-na num adversário de peso para modelos como a Canon G1X, Fuji X10, Nikon 1V1 e Sony Nex5R (o novo modelo já com ecrã táctil), só para enumerar as opções “não DSLR”. E basta mencionar o valor destas concorrentes ao trono para entendermos o posicionamento da G5, uma mirrorless transportável com corpo de dSLR, acompanhada de uma gama de lentes muito interessante (e a crescer), com a qualidade de construção reconhecida à Panasonic e soluções técnicas de vanguarda, que fazem com que consiga ombrear com as soluções já citadas e recentes das Canon, Nikon e Sony.

Gostava de ter tido a possibilidade de a testar com a lente Power Zoom Vario X, pois a experiência deverá ser bem interessante e o corpo ainda fica mais compacto.

Não é uma câmara para se transportar no bolso, mas cabe numa bolsa ou mochila pequenas e é realmente super versátil e todo o terreno.

Se procuram uma unidade que faça tão bem fotografia quanto vídeo, podem ter na G5 a solução, com a sua facilidade de utilização devido à conjugação do ecrã touch/viewfinder/comandos físicos, um sistema de autofoco realmente rápido e eficaz e os extras como filtros criativos que oferecem ainda mais possibilidades para quem gosta de os usar.

 

Thumbs Up, Panasonic!

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Aplicação para Android e iPad

PVP   MODELO  +   KIT
DMC-G5K + Objectiva 14-42mm                              849,00€
DMC-G5X + Objectiva 14-42mm motorizada      989,00€
DMC-G5W +Objectiva 14-42mm + 45-150mm  1049,00€

 

Imagens directas sem qualquer tipo de edição

Video macro/profundidade de campo e autofoco

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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