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A chinesa Huawei está a fazer um esforço fantástico para ser levada muito a sério, não como importante fabricante de componentes e equipamentos electrónicos que vende para inúmeras marcas, porque sempre o foi, mas como um novo logotipo e ícone de desejo no que respeita, por exemplo, a smartphones. No ano passado, já tinha conseguido criar um certo impacto com o Ascend P6 (ler ensaio aqui), mas estou em crer que é com o novíssimo (começa agora a ser comercializado em Portugal) Ascend P7 que poderá conquistar um lugar ao sol.

Um gupo de jornalistas e bloguers, como aqui o Vosso escriba, foram a Paris para o mega lançamento deste smartphone. A importância do evento foi global e a apresentação bem conseguida, com um ligeiro espectáculo que antecedeu as palavras dos responsáveis pela marca e pelas tecnologias presentes no P7. Momentos houve que provocaram algumas exclamações de espanto na plateia, pois foi com coragem que a Huawei comparou a sua nova coqueluche a alguns dos equipamentos mais fortes e mais desejados da actualidade, como o Samsung S5, o Nexus 5 e até o iPhone 5S. Logicamente, os pontos focados mostravam sempre uma ligeira supremacia do novo modelo, mas todos sabemos como estas coisas são feitas e pensadas. De qualquer forma, onde há fumo há fogo, a marca queria mesmo marcar uma posição e forneceu um novíssimo P7 a cada analista presente como quem diz “ver para crer”.

Trouxe o do Xá das 5, tenho trabalhado com ele este último mês, alternando-o com outros modelos que entretanto chegaram, o que até é bem positivo para esclarecer algumas dúvidas ou reforçar as certezas entretanto conseguidas. Uma coisa é certa: este Ascend P7 é dos smartphones mais bonitos do momento, sendo o mais fino dos 5″, um dos mais leves e com acabamentos de alto nível. Mas será que consegue estar à altura do visual?

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O exterior

O P7 tem aquele factor extra que as marcas tanto procuram, o “tcham”, o toque para ser um fashion statement. As linhas sugerem, e muito, a mistura entre o iPhone 5S e o Sony Xperia Z2. Aliás,  até é bem mais parecido com o japonês de onde também “retirou” a ideia do botão circular on/off e o desenho do painel traseiro. Os materiais são de topo, com tampa em vidro e estrutura em alumínio e laterais da sua cor (a marca falou intensamente dos sete layers/camadas).

O P7 é apenas magnífico ao olhar e ao toque, conseguindo também ser muito leve. Os cantos arredondados e a perfeita inclusão de um ecrã com 5″ num corpo tão estreito, merecem um primeiro aplauso. Em termos fashion, está no ponto com esta extrema elegância dos 6,5mm de espessura com parcos 124 g.

Os botões exteriores estão bem camuflados, com o tal botão circular e o controle do volume a ladearem as duas entradas para os SIM. Aqui outra surpresa: a entrada para o cartão de memória pode ser utilizada para um segundo cartão SIM, ou seja, o P7 é um DualSim e com todas as características de software necessárias para tal. Este é outro ponto a favor do novo Huawei e um dos mais demonstrativos da vitalidade da marca.

 

As originalidades

Para além da mencionada dupla função da entrada para o cartão de memória/segundo SIM, existem um factor que é realmente interessante e que demonstra muito bem que grupo alvo a marca pretende atingir. O P7 tem duas câmaras, como a maior parte dos smartphones. A traseira oferece uns interessantes 12MP, tem uma objectiva bem luminosa e muito rápida, com o retrato a demorar apenas 1,2s desde a posição de standby. É rápido, vos garanto. Mas o ponto diferenciador não é a qualidade da câmara traseira (é muito difícil superar o Lumia 1020 ou o Xperia Z2), mas sim, e atentem, é mesmo a qualidade da câmara FRONTAL. Esta tem 8MP (numa objectiva de cinco elementos) de resolução o que abre um novo mundo nesta recente moda dos Selfies. Sim, imaginem conseguir tirar auto-retratos com a mesma qualidade de uma boa câmara fotográfica. Bom demais para ser verdade? Então preparem-se para dar anda mais pulos de contentamento: para além da qualidade, a Huawei equipou o P7 com novas aplicações que permitem tirar Groufies, exactamente, nós e os amigos que também lá estavam, através de um processo que tira três fotos em panorama que depois são unidas numa só. A selfie oscarizada da Ellen Degeneris apanharia toda a primeira plateia. Quem sabe até o segundo balcão. Mas não vos vou mentir: não é fácil conseguir realizar uma Groufie, pois temos de ter algum trabalho técnico no enquadramento das segunda e terceira fotos, mesmo com a preciosa ajuda digital para o próximo enquadramento.

Um último apontamento para quem vai abusar das selfies: quando pressionamos o botão da câmara, surge um pequeno quadrado que nos incita a olharmos directamente para ele. Este fica colocado no ecrã um pouco abaixo da objectiva, o que vai garantir que “olhemos” para a dita e não para outro ponto qualquer. Parece coisa pouca, mas é daqueles truques realmente práticos e que ajudam a um melhor resultado.

Existem outras funções muito originais, como um espelho que ajudará a compor-mo-nos antes de entrar numa reunião ou festa, assim como um, como poderei explicar…. “embelezador” digital, uma espécie de Photoshop automático que retira algumas imperfeições do nosso rosto, se bem que com um filtro tipo “blur” que, por sua vez, afecta em muito a qualidade da própria fotografia. O truque é conseguir dar um “toquezinho” bem ao de leve para não exagerar numa lipo ou aplicação ultra-rápida de botox.

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Os temas

Está farto de ter sempre o tema padrão no seu ecrã? Ao que parece, este é um factor importante nos dias que correm e as marcas que conseguem alguma originalidade, nem que seja pelas capas com um recorte que deixa a descoberto um ecrã mais pequeno, tipo janela, podem marcar pontos preciosos no acto da compra. A Huawei foi bem longe nesta matéria e, logo de raíz, possibilita-nos escolher um tema que realmente muda o figurino e o design do sistema. Muitíssimo interessante, ainda por cima reforçado com a certeza que haverá centenas ou mesmo milhares de opções através de download. Será um novo tipo de comércio? Se eu for um designer muito famoso, porque não criar e assinar um tema e colocá-lo à venda na loja de aplicações?

Experimentei quase todos os que vêm pré-instalados e concluí uma ou duas coisas. A primeira é que realmente podemos alterar a própria percepção na utilização diária. Mas a segunda é uma crítica: nem todos os temas funcionam bem, demorando, por exemplo, a destravar o ecrã inicial ou mesmo a exibir algumas opções que depois não são válidas. Podem ser apenas erros de juventude de todo o processo. De qualquer forma, palmas para podermos, pelo menos, termos opção de escolha.

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A máquina

Até agora, tudo o que mencionei foram algumas originalidades e a espectacularidade do seu design. Mas permitam-me apontar o que “também” é importante, ou seja, o coração de toda a máquina. Estamos presentes um belíssimo ecrã, digo mesmo, um espectacular ecrã de 5″ IPS HD com 1080 x 1920 pixels e uns incríveis, porque superam modelos consagrados, 445 ppi. Ao ligá-lo percebemos-lhe o brilho, a qualidade, as cores, tudo é top. O automatismo do nível de brilho não funciona como deveria, ou seja, há que melhorar esse sensor, pois temos mesmo de baixar-lhe a intensidade quando estamos no interior para depois a aumentarmos sob a luz do sol. Mesmo nessa condição, é de uma clareza e nitidez pouco comum. No papel, este é o ecrã do momento até vermos o que a LG nos reserva com o seu novo G3.

Todo este poder de imagem teria que ser alimentado por um processador poderoso. O P7 tem um original quad-core Cotex-A9 a 1,8 Ghz. Conta com 2GB de RAM e capacidade interna de 16 GB (expansíveis se optarmos por usar a segunda slot para cartão SD). A antena é dupla e a aposta no 4G LTE uma opção que coloca o P7 na prateleira dos desejados para quem comunica por dados a maior parte do dia. A bateria tem 2500 mAh que podem sugerir um comportamento mediano no papel, mas garanto-vos que é uma surpresa. Devido a um sistema de gestão inteligente da energia, o P7 aguenta, aguenta e aguenta. Sem grande esforço, é mesmo capaz de ultrapassar dois dias de actividades “normais”. Outra grata surpresa e esta, pelo peso e espessura do conjunto, apanhou-me mesmo de surpresa.

O 7P tem uma mão cheia de aplicações que vão fazer as delícias de um consumidor mais dado a estas coisas, mas o que é interessante é continuar a ser um bom produto que poderá ser uma válida opção para qualquer outro tipo de utilizador.

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Concluindo

É uma máquina bonita, não há dúvidas, talvez o smartphone mais elegante do momento. Está recheado de tecnologia, tem um ecrã apenas fantástico e boas soluções, tanto em hardware (a entrada para duplo SIM, a antena dupla, etc) como software (UI original com temas que modificam o aspecto apenas com um toque, o “Groufie”, o embelezador), tem já o Kitkat 4.4.2 a correr num processador que até consegue dar boa conta de si nos testes de velocidade e desempenho.

Parece-me demasiado focado neste tipo de funções ou aplicações sociais e, caso for uma pessoa que gosta mesmo de selfies, é a melhor solução que existe por aí. A câmara frontal de 8 MP é fantástica, permite o que os outros não fazem, ou seja, uma excelente qualidade nos auto-retratos tirados com um braço de distância. Os amigos vão adorar ficar também nelas e é daquelas originalidades que marcam a diferença. Contudo, o UI poderia ser menos intrusivo e, para além do tema principal ser uma cópia chapada do sistema da Apple, é demasiado infantil e até um pouco confuso. Tanta cor e tanto ícone desconcentraram-me bastas vezes. 

Temos, portanto, um Huawei competitivo, super elegante e moderno, muito bem apetrechado e com particlaridades que o destacam. Mas ão podemos esquecer o factor “brand cool”, ou seja, como competir com os iPhones, Galaxys e Xperias desta vida? O logotipo ainda faz a diferença e esta é a maior batalha do construtor chinês.

Deixei para último dois destaques: o primeiro é tão simplesmente a qualidade de som. Olhando para o corpo do P7, descobrimos apenas uma coluna ínfima no painel traseiro, mas ao contrário de muitos outros modelos com a mesma arquitectura, a pujança com que o som sai deste pequenito e delgado corpo é de sublinhar. Nem sei como é possível.

O segundo factor é o preço: 450 euros é idêntico ao que a LG pediu pelo seu G2, uma máquina notável (ensaio aqui) e que está prestes a ser substituído pela G3. É 100 euros mais caro que o Nexus 5, para quem o compra em mercados que não o português. Mas é uma quantia muito justa, tendo em conta todo o pack. E, admitamos, o target está bem delineado e pode vir a ser um caso de sucesso comercial. Basta agora o factor… cool.

 

 

 

 

 

Dimensões
Altura
139,8mm
Largura
68,8mm
Profundidade
6,5mm

Peso
124g

 

CorPreto e Branco
Display
Dimensão
5.0 polegadas, In-cell
LCD (Tipo e PPI)
445
LCD (Tipo e PPI)
1920 x 1080
Processador1.8GHz Quad-Core
Sistema OperativoAndroid 4.4.2 Kit Kat
Memória
RAM
2 GB
Interna
16 GB
Rede
UMTS
850/900/1900/2100 MHz
GSM
850/900/1800/1900 MHz
GSM
Band 1/3/7/8/20
GPSGPS/A-GPS/Glonas
Dual SIMNão
Conectividade
Wi-Fi
WiFi 802.11 b/g/n
Bluetooth
Bluetooth 4.0 with A2DP, EDR, BLE
USB
USB 2.0
SensoresAcelerómetro
Sensor de proximidade
Sensor de luz ambiente
Bússola
lG-sensor
Giroscópio
Câmara
Câmara traseira
13 MP, BSI
Câmara frontal
8 MP, BSI
Audio
Player Music
MP3, MIDI, AMR-NB, AMR-WB, AAC, AAC+, eAAC+, AAC-LC, FLAC, WMA2-9, RA
VídeoMPEG-4, H.264, H.263, VP8, RV7-10,Xvid, WMV9
Cloud ServiceNão
Emotion UISim
Bateria
Capacidade
2500 mAh
Autonomia em espera
404 horas em LTE e GSM, 422 horas em UMTS
Autonomia em conversação
14 horas em UMTS, 22 horas em GSM

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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