Antes de inicarmos a viagem a bordo do Fiesta 1.0 EcoBoost, convém perceber o percurso deste modelo, um já histórico da marca, e que vem conhecendo versões de enorme sucesso ao longo da sua vida.

O Ford Fiesta é o automóvel mais vendido da Europa e venceu recentemente o Women’s World Car of the Year 2013 (as juradas colocaram-no à frente do Audi Allroad, Range Rover e Porsche Boxter S, por exemplo) e foi também nomeado vencedor na categoria de Economia pelo mesmo painel de 18 jornalistas.
E este motor também tem vindo a fazer história, pois foi considerado o International Engine of the Year em dois anos consecutivos, 2012 e 2013.

Estes prémios não são simples de obter, pois muitos parâmetros são colocados em consideração, como a sempre importante segurança, relação qualidade/preço, estética, espaço, facilidade de condução, impacto ambiental e, como estamos a falar de um júri feminino, factores como arrumação, cor e sex-appeal também têm destaque. Portanto, e para todos os efeitos, temos um vencedor entre mãos. Vamos a ele!

 

 

O visual Aston Martin

Não é por acaso que o Fiesta tem uma frente muito apelativa, extremamente dinâmica e que é, em tudo, uma cópia fiel dos extraordinários desportivos britânicos. Aliás, fiz até uma pequena brincadeira no meu Facebook pessoal, que foi publicar a foto que abre o post sem o logótipo azul e branco, intitulando-a “o meu primeiro ensaio de um Aston Martin” e que foi “gostado” por uns crédulos 90% de amigos. A recente história das duas marcas conheceu algumas voltas e reviravoltas, mas a Ford foi dona da AM durante uns anos o que possibilitou conhecer-lhe o ADN e, deste modo, poder utilizar algum desse conhecimento nos seus mais recentes lançamentos.

As linhas laterais são ascendentes até à traseira, conferindo muito dinamismo ao desenho global, apenas prejudicado por uma medida de jantes pequena demais (no caso da versão ensaiada, de liga leve e 15”). A traseira foi a secção que menos modificações conheceu das anteriores versões, pois convém apontar que este desenho do Fiesta já tem uns anos, o que só demonstra que os designers da marca acertaram em cheio quando o desenharam.

Em suma, é um citadino exteriormente muito apelativo e com um desenho que se mantém moderno. E depois esta grelha vale ouro!

 

O interior

A versão ensaiada em preto “Panther Black” contrasta com o tablier forrado a castanho chocolate, assim como aplicações idênticas nas portas. Percebo perfeitamente a ambiência que se quis replicar, embora e somente a nível pessoal, preferisse um tom de castanho menos escuro para forçar ainda mais essa imagem de maior classe e desportivismo.

Mas há um elemento neste Fiesta que estraga todo o excelente design exterior e até algumas boas soluções interiores: uma consola central de plástico brilhante com um desenho datado e até “americanizado” e muito confusa devido à multiplicidade de comandos. E é uma pena que a Ford não redesenhe esta secção, para quem guia, a mais importante. Tanto que os mostradores são modernos, assim como a restante linha que engloba o porta luvas e porta copos (ambos iluminados por luzes vermelhas). Está tudo bem pensado… excepto toda a área central.

O espaço é muito bom para quem vai à frente, com bancos sólidos e confortáveis e com apoio lateral suficiente. Atrás também se viaja com conforto, embora o quinto passageiro sofra, naturalmente, com os limites de um citadino. A bagageira está na média do segmento e um pneu sobresselente (a sério) tem um custo aproximado de 60 euros.

 

 

Equipamento de topo

A versão ensaiada Titanium está repleta com equipamento. Aliás, e para esta gama de automóveis, não lhe falta mesmo nada: ar condicionado automático, Rádio CD MP3 bluetooth com Voice to Control e entradas Aux e USB, sistema SYNC com assistência em emergência, computador de bordo, EcoMode, MyKey, ABS, EBD, ESP, ajuda em subida, sete airbags (dianteiros, laterais, de cortina e para os joelhos do condutor), direcção assistida electrónica, limpa pára brisas e faróis automáticos, faróis de halogéneo com luzes led diurnas, faróis de nevoeiro e retrovisores eléctricos e aquecidos.

É, por todos estes motivos, a versão a ter!

A secção central do tablier, como podem ver pela foto, está dividida em três secções: no topo o ecrã que legenda as funções escolhidas, ao centro a confusa consola que alberga a gaveta para CDs e que está dominada por dois botões redondos com botões físicos à esquerda para as funções e à direita para os canais rádio. Existem mais botões por todo o lado, mas já lá vamos. A terceira secção arruma os comandos do ar condicionado automático e com um design totalmente diferente do resto. Por baixo ainda mais algumas funções, como o Stop/Start. Como se vê, tudo muito atabalhoado.

Mas o problema, sem ser o visual, é também o funcional. Acontece que é confuso existirem dois botões de comando centrais. O de baixo serve para ligar e desligar o sistema, para além de aumentar ou baixar o volume. O de cima, com quatro direcções e Enter central, escolhe as funções que vemos no ecrã, mas somos obrigados a carregar nas setas direccionais fora do botão, operação que ainda requer alguma força, e depois seleccionar o Enter desses passos no botão, para além de mais quatro botões colocados abaixo que nos dão acesso às legendas selecccionáveis dos vários menus. Não é imediato nem fácil, desconcentra e é um ponto que tem de ser revisto.

Felizmente, o volante (com um diâmetro que poderia ser mais pequeno) é multi funções e permite-nos comandar as faixas musicais e volume, mais o sistema SYNC de mãos livres.

Por falar nele, é fácil de emparelhar e com uma qualidade fantástica. Reconheceu imediatamente os smartphones utilizados, integrando-os plenamente com o sistema central, mesmo que reproduzisse música através de streaming do mesmo equipamento. Um ponto a favor neste Fiesta.

 

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Comportamento e motor

Gostei muito de guiar o Fiesta por esta Lisboa em que é necessário contar com uma direcção rápida e precisa para não cairmos nas crateras e nas múltiplas armadilhas terceiro mundistas. E este Fiesta tem facilidade em esquivar-se, transmitindo muita segurança, mesmo em curvas feitas um pouco depressa demais. Nota-se bem a consistência de todo o conjunto, excelente rigidez que não afecta o conforto em rolamento e a facilidade em manobra.

Logicamente que este espectacular motor, um 1.0 de 3 cilindros e turbo com uns extraordinários 100 Cv, não é alheio a este sucesso. Até a caixa está escalonada para as primeiras mudanças serem muito curtas e rápidas, dando a sensação que o Fiesta é muito mais poderoso e rápido do que realmente é, mas isso oferece muito prazer de condução… urbana. Logicamente que em marcha lançada não há milagres, mas mesmo assim, e em quinta a 120 km/h, sente-se conforto e percebe-se que este Ford não é só um bom carro para cidade e pode ser o nosso companheiro para umas belas viagens por esse país fora.

Os consumos reflectem o cuidado dos engenheiros e a mais valia do sistema EcoBoost. Em toada calma, os cinco litros são uma média consistente. Mas como este motor e esta caixa até pedem uma condução mais desportiva, é natural que este resultado suba um pouquinho.

 

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Conclusão

Em suma, parabéns à Ford e percebe-se porque é este modelo o carro mais vendido na Europa dentro do seu segmento. É muito divertido e dinâmico, rápido e ágil em cidade, extraordinariamente equipado nesta versão Titanium e tem um design exterior muito apelativo.

A tecnologia que o equipa é útil e inovadora, como por exemplo o sistema Ford MyKey que, grosso modo, permite-nos estabelecer limites e restrições (volume máximo do sistema de som, impossibilidade de arranque sem os cintos de segurança activados, limite da velocidade máxima), caso os nossos “rebentos” saiam ao volante.

E para culminar, são cinco anos de garantia Ford num modelo que tem um motor fora de série com um binário, para quem gosta destes dados, de 170Nm entre as 1400 e 4000 rpm e que gasta apenas 11,2s dos 0 aos 100.

Mas o que fica na retina é mesmo o comportamento equilibrado e desportivo, para além das linhas exteriores muito sedutoras e um prazer ao volante pouco comum neste segmento.

 

Preço: 17.135 euros (na versão ensaiada e s/despesas)

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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