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Como em todos os ensaios Auto que faço, procuro sempre ouvir as mais variadas reacções, visitando amigos aqui e ali, convidando-os para uma voltinha, o que é também extensível à família mais próxima, curiosa e totalmente feminina.

Sabendo disso, não foi uma surpresa constatar que o Mito é, apenas, arrebatador. Mas nesta versão ultra-vitaminada e com as fabulosas jantes de 18” a mostrarem as pinças vermelhas Brembo de 4 pistões e discos de diâmetro sobredimensionado, pensei que seria adorado mais pelos homens devido ao exterior mais musculado, viril, ou seja, masculino. Mas enganei-me: as mulheres adoram-no! Mesmo aquelas que não ligam a carros (e vivo com uma), apaixonam-se imediata e totalmente pelo trevo de quatro folhas. Encontrei, finalmente, um automóvel que agrada a gregos e a troianos.

É um carro que transmite visualmente tudo o que depois se confere atrás do volante. A noção de urgência, dedicação, eficácia é plena… mas só lá chegamos depois de um ajuste que tem a letra “D”.

 

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O exterior

É dos mais conseguidos Alfa dos últimos anos, principalmente sabendo que tem a mesma plataforma do Fiat Punto ou do Opel Corsa. Os designers fizeram o seu trabalho, alargando-o com cavas, apostando em faróis exclusivos (os traseiros piscam o olho à Ferrari), com aquela frente felina de traço único no segmento.

Depois temos esta versão Quadrifoglio Verde que, com as jantes já mencionadas (custam 600 euros como opção para as restantes versões), ligeiros retoques desportivos e um escape que demonstra imediatamente o que esconde por baixo do capot, vê no elemento gráfico do trevo verde o tal “plus” que o eleva imediatamente a objecto de desejo.

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O interior

Quem já experimentou ou conhece o Punto, consegue perceber no Mito a mesma quota de habitabilidade e o desenho de todo o tablier. Mesmo com outro tipo de materiais, mais cuidados e de excelente toque (o topo do tablier apresenta um material mole com um padrão a imitar fibra de carbono), percebe-se que se aproveita quase tudo com soluções do grupo, mesmo que com um desenho muito favorecido em relação ao parente generalista. Também pagamos tal tratamento. Mas uma coisa é certa, dá muito prazer rodar a chave e olhar as informações gráficas. Todos os controles estão à mão, desde o sistema áudio ao AC automático e independente.

É um carro jovem e que apela aos sentidos. As colunas áudio colocadas à frente e atrás, emprestam uma envolvência incomum, com uma qualidade digna de registo devido ao pequeno espaço que alberga (e bem) quatro passageiros.

Existem alguns pontos a rever como a quase total ausência de espaços para arrumos e, porque necessária nas curvas, a ajuda preciosa das pegas no tecto para quem vai à pendura não se entornar a cada curva e contra curva. Reforço com um sorriso maroto: são mesmo necessárias!!!

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Outro elemento que necessita de uma outra solução é o volante, sobredimensionado para o tablier e ligeiramente descentrado para a esquerda. Seria Mitológico guiar esta bomba com um volante do tipo encontrado no Peugeot 208 GTi, para citar um exemplo.

Todo o interior está forrado com pele preta com pespontos verdes, a condizer com o… trevo que lhe dá o mote. O volante, a manete de mudanças e, curiosamente, o travão de mão, mostram a extrema atenção ao pormenor.

Mas são os bancos desportivos Sabelt, tipo bacquets de competição, que mais dão nas vistas ao abrir-se a pesada e enorme porta (sem moldura, mais um toque que fascina e lembra os grandes coupés desportivos). Com grande apoio lateral e com parcas afinações, garante-nos, mesmo assim, um sentar confortável, cómodo mas plenamente ajustado às características do carro. Estes bancos têm as costas em fibra de carbono que completam o ar sofisticado e de competição a todo o belo conjunto.

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O cuore sportivo

Roda-se a chave e surge aquele ronronar perfeito que nos oferece um imediato sorriso. Este Mito é assim: dá-nos duas caras ao volante, uma sorridente e apaixonada, outra compenetrada e totalmente enquadrada no binómio máquina/asfalto. E tudo depende da forma como tencionamos abordar a próxima curva. Sim, é deste modo apaixonante.

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O motor 1.4 turbo com tecnologia MultiAir oferece-nos uns viciantes 170 cvs com um binário de 183 Nm/l. O Mito é rápido, muito rápido, mas notei um certo esforço no desenvolvimento da primeira velocidade, muito devido a toda a electrónica e controlos (estabilidade e tracção). Mas nas relações mais altas tudo passa a ser fenomenal e ultrapassamos todos os limites num ápice.

O comportamento desportivo também é reforçado pela transmissão semi-automática com dupla embraiagem a seco. Tecnicamente, “é constituída por duas caixas de velocidades paralelas que permitem engrenar a relação de caixa seguinte enquanto a anterior ainda está seleccionada”. Esta caixa de seis velocidades pode ser comandada através de patilhas, um dos poucos extras que não estavam presentes no modelo ensaiado.

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As suspensões Alfa Active são o que mais progrediu no modelo. Esta suspensão dinâmica e o controlo electrónico dos amortecedores, alteram continuamente a resposta de todo o chassis tendo em consideração a forma de guiar do condutor e as condições da estrada, desde saliências, mau ou bom piso, até a elementos naturais, como pó, areia ou água.

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O sistema Alfa Active ganha, e muito, com o já nosso conhecido sistema DNA, uma patilha que, mesmo em andamento, permite ao condutor mudar parâmetros do motor em travagem, suspensão e caixa. Por norma, deixamos ficar no modo N (Neutral) quando viajamos com a família ou alguém ao lado, numa toada calma e urbana. Se chover, passamos para o A (All-weather) que nos garante maior eficácia em terrenos mais perigosos. Resta o modo D (Dynamic) para os momentos de maior prazer e, confesso, total egoísmo.

É em modo D que tudo se alinha connosco. A suspensão fica muito mais rija, a direcção mais dura, a travagem mais competente.

É um convite dourado para a tal compenetração máxima com um único objectivo: fazer aquela curva mais depressa que a que já passámos, preparando a próxima ainda mais no limite. Sim, o Mito Quadrifoglio Verde convida-nos para uma simbiose quase perfeita. Se o volante fosse parecido com o do Peugeot, ou seja, mais pequeno, acho que a Fiat ainda me estava a telefonar a esta hora para que eu devolvesse o carro.

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Os puro-sangue adversários

Comparativamente com o Abarth Punto SuperSport (ler ensaio aqui), o Mito é mais dócil. Perde em “coice” no que ganha em controlo. Em relação ao também “kart” 208 GTi com 200 cvs (ler ensaio aqui), tem uma dinâmica muito similar, mas perde em conforto e modernidade. No entanto, é um vencedor nato em termos visuais, deixando estes dois adversários a anos luz (embora cada um seja bastante interessante no que respeita às linhas).

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Conclusão

É um carro fantástico para um casal sem preocupações com os gastos de gasolina, mesmo tendo em conta que o consumo está directamente relacionado com o pisar do acelerador. Como desportivo que é, não há milagres: é duro, seco, mas as bacquets garantem algum conforto. Quem viaja atrás também não é muito incomodado pelos buracos lisboetas, como a suspensão dura e os pneus de baixo perfil fazem pensar.

Não é de supor que um desportivo venha equipado com tudo o que é moderno, mas o Mito oferece o AC automático Bi-zona, os sistemas Hill Assist e Start&Stop, Mãos livres, entradas auxiliares para áudio, computador de bordo, sensores de luz e chuva, etc e etc.

O sistema Blue&me é rápido de apreender e demora 1 minuto a interagir com o nosso smartphone. Curiosamente, e se temos mãos livres através do sistema com Bluetooth, foi-me impossível ouvir música através dele. Pode ter sido erro meu, mas ainda vou tirar esta dúvida a limpo. De qualquer forma, estão lá as entradas USB e AUX para a nossa colecção de MP3.

Este é daqueles automóveis que me deixa muita saudade. Adorei-o em quase todos os aspectos e sim, as linhas exteriores cativam qualquer um e é um dos grandes trunfos do modelo. Cá em casa não se gosta muito de carros brancos, mas quase todos fomos unânimes em considerar essa cor como preferencial aquando a compra de um Mito. E isso quer dizer muito.

 

PVP unidade ensaiada: 27.000 euros

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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