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A Fiat tem um longo palmares no desporto automóvel e observa-se um arregalar de olhos cada vez que se menciona um qualquer modelo que foi tratado, redefinido e voltado do avesso por essa gente que se assina… Abarth. Estremeceram? Pois é, até o som da palavra é forte e distinto.

Quando me disseram para ir levantar o Punto ‘vitaminado’, mal sabia que ia buscar o Abarth na versão mais musculada Supersport.  Acho até que deixei fugir uma risadinha juvenil, cheia de entusiasmo e em crescendo de adrenalina. Visualmente, percebe-se imediatamente que estamos perante um automóvel radicalmente modificado e um vislumbre rápido memoriza-nos as enormes jantes e pinças de travão, a pintura de cor original e as riscas pretas e largas que descem do tejadilho até à grelha, os vidros escurecidos e um símbolo que fica na memória… Um escorpião amarelo e vermelho.

O habitáculo é desportivo com banquetas muito envolventes e com imenso apoio lateral. Tudo teve tratamento Abarth, desde a informação gráfica ao apoio de pés para o… pendura. É bem verdade. Mas é aquele escorpião bem estampado no centro do volante que nos relembra, a cada segundo, o que é que temos na mão… e nos pés.

 

 

 

 

O motor

Sabemos que são 180 os cavalos “sacados” de um motor 1.4 de 16V e um binário de 270 Nm logo às 3000 rpm. Quanto demora dos zero aos 100? Depende do nosso coração! E quanto gasta em circuito urbano? Depende da nossa emoção! Quem compra um Abarth não pode estar limitado pela gasolina que gasta. Para isso existem outros Puntos (e também fiz o ensaio à versão Bi-Fuel que será publicado brevemente).

Sabemos também que nos permite travar mais tarde, acelerar mais cedo e descobrir alguns limites físicos. Mas nenhum condutor comum espera ou está preparado para uma experiência deste género, pelo que aconselho aos ditos extrema prudência e cautelas redobradas.

Também não podemos esquecer que estamos ao volante de um veículo desportivo cuja tracção é dianteira, o que inibe alguma coragem extra na abordagem de certos problemas…. que se passam a denominar “curvas”.

Mas uma coisa é certa: o Abarth é uma surpresa (mesmo para quem está mais ou menos habituado a estas coisas) e basta acelerar duas ou três vezes sem a mudança metida, ou seja, bem parado, para perceber o que vem aí e antecipar uma das experiências da nossa vida.

A primeira velocidade é, contudo, o ponto fraco deste Supersport. Gostaria que fosse um pouco mais longa para poder desfrutar, muito a sério, deste arranque vigoroso e brutal. Seria apenas necessário mais um único segundo, vá lá, segundo e meio, para a tal risadinha nervosa e juvenil passar a um sonoro e prolongado yahoooo.

Mas esgotada esta relação mais curta, tudo o resto passa-se de uma forma, digamos, rápida. Mesmo muito rápida… Existe uma estrada com uma subida acentuada perto de mim e na qual costumo fazer o “teste subida de Monsanto”. Parece mais fácil do que é na realidade, mas acontece que, sensivelmente a meio, o ângulo fica mais alto. O meu carro demonstra toda a sua ineficácia neste troço, portanto, é ideal para perceber o que vale realmente um motor e uma tracção.

O que se passou nessa subida apanhou-me de surpresa e, confesso, repeti-a ao longo dos dias e noites durante os dias de ensaio. Vou tentar explicar de uma forma mais imagética: como o asfalto não é liso e tem alguns ressaltos, os cavalos e a tracção do Abarth pareciam vivos, tal era a vontade de ‘fazer cavalinhos’ como se de uma moto se tratasse. Um poder de aceleração invulgar devido aos respeitosos 180 cv que só ficam mesmo no chão devido ao muito trabalho de afinação da suspensão, pneus e tudo o mais. É daquelas sensações que nos fazem ficar apaixonados por um modelo, independentemente da marca, pois garante uma vertigem inesquecível e passa a ser um ponto de comparação.

 

Interior e Equipamento

Existem algumas semelhanças físicas entre este Abarth Punto e o Fiat Grand Punto, mas é tudo uma questão de layout e da colocação dos instrumentos. Tudo o resto sofreu, como o exterior e mecânica, uma profunda alteração nos materiais e design. As fantásticas backets em pele garantem que o nosso corpo fica bem preso e, mesmo assim, são super confortáveis. Há pormenores fantásticos como o pousa pés do “navegador”, mas é na monitorização dos parâmetros que este Abarth se distingue da restante família que lhe deu o corpo. O sistema Blue&Me e TM Map exibe quatro funções: a primeira mostra principais parâmetros (velocidade de rotação do motor e da viatura, relação de caixa inserida) transferidos pelo Blue&MeTM para o PND (Portable Navigation Device que não estava presente neste modelo) via Bluetooth. A segunda utiliza o GPS e o cartão SD que memoriza alguns aspectos dos traçados que utilizamos para, enfim, “guiar” este Supersport, e nos mostra informações complementares e os tempos que fazemos por volta, por exemplo. A terceira é uma função de configuração e que memoriza dados individuais e telemetria e a quarta é a Análise e recuperação desses dados.

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O equipamento é muito completo, com selectores específicos para mudança de comportamento e, ao mesmo tempo, todos os mimos e luxos que os novos automóveis têm de oferecer, como AC automático, sensores vários, entradas digitais e alguns extras. Uma curiosidade para uma linha iluminada que faz a divisão do tablier à frente do passageiro e a entrada específica para um GPS externo.

Há que destacar também a secção Audio com um sistema muito bom e com um som bastante forte e alto. Depois percebe-se o porquê quando se abre a bagageira, pois está instalado de origem um sub-woofer que garante graves profundos próprios para uma Rave em espaços abertos. Atenção, porém, ao chegar a casa, pois os vizinhos tendem a ficar muito sensíveis com este tipo de resultados.

Conclusão

Este Abarth Punto Supersport fica na memória de quem o experimenta e, para os já não trintões, é o veículo (em ambos os sentidos) ideal para nos transportarmos à idade mais juvenil em que a vida é levada a outro ritmo e em que se cometem muitos excessos. Mas, atenção, é um veículo de corridas com temperamento muito próprio e agressivo. É mesmo preciso ter unhas e muita experiência, principalmente em pisos não perfeitos. É um carro para condutores exigentes que gostam de pisar o risco, mas que têm a perfeita noção do que podem e não podem fazer. Em estrada molhada, como experienciei, é necessário um cuidado extra, pois é demasiado fácil chegarmos depressa demais a um ponto de travagem ou curva. Não se esqueçam que estamos a falar de um automóvel muito leve e pequeno com tudo o que acarreta de positivo e negativo.

Em suma, o sorriso é uma constante, assim como as mãos bem vincadas no volante e o olhar muito focalizado na próxima curva, recta, subida, descida, curva, contra curva, recta 50, curva 2++ esquerda, lomba, poça de lama, recta 100…

 

PVP: a partir de 22.750€

Ficha Técnica

MOTOR
  • 4 cilindros em linha, 4 válvulas por cilindro, 1368 cm3
  • Potência máxima: 180 cv (132 KW) a 5750 r.p.m
  • Binário máximo: 270 Nm a 3000 r.p.m
  • Turbocompressor Garrett GT 1446 com geometria fixa
CONSUMO DE COMBÚSTIVEL (L/100KM)
  • Urbano 9.6 L/100km (29.4mpg)
  • Extra-urbano 5.3 L/100km (53.3mpg)
  • Combinado 6.9 L/100km (40.9mpg)
TRANSMISSÃO
  • Caixa M32 a  6 velocidades
SUSPENSÃO E DIREÇÃO
  • Anterior com geometria Mc Pherson e barra anti-oscilação
  • Posterior com eixo de torção
  • Suspensão desportiva rebaixada
  • Direcção assistida elétrica com modalidade “Sport Boost”
TRAVÕES
  • Pinça dianteira fixa Brembo M4x40 com dois pistões
  • Disco de freio dianteiro perfurado ventilado ø 305 mm x 28 mm
  • Pinça traseira com pistão ø 54 mm
  • Disco de freio traseiro perfurado ø 264 mm x 11 mm
CARROÇARIA
  • Pinças anteriores e posteriores alargadas, spoiler, minissaias
  • Comprimento/largura/altura: 4041mm / 1726mm / 1490mm
  • Peso: 1185kg
RODAS & PNEUS
  • Jantes: liga leve 7.5″ x 18″
  • Pneus 215/45 R18″
PERFORMANCES
  • Velocidade máxima: 216 km/h
  • Aceleração 0-100 km/h: 7,5 s
  • Aceleração 0-1000 m: 28 s

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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