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Precisava bem mais do que os três dias de ensaio para conseguir enunciar todo o equipamento e mimos deste enorme Grand C4 Picasso, quanto mais conseguir tocar em todos os botões, aprender todos os truques, descobrir todos os elementos, perceber todas as vantagens e desvantagens. Mas foram três dias que me deram depois de, atentem, ter experimentado o minúsculo Peugeot 108.

Confesso que passar do David para o Golias não foi tão fácil quanto pensava. Este Picasso é grande, longo, alto, largo, e requer alguma atenção na sua maneabilidade. Mas passado o primeiro embate, e após a compreensão dos instrumentos mais básicos, lá me fiz à estrada.

Vou começar pela aventura do arranque. Primeiro, olhar para os inúmeros botões do cadeirão e mexer neles todos para conseguir uma posição de condução acima de qualquer crítica. Tal não foi fácil, pois os pedais estão num plano mais horizontal que o costume. Volante para lá, para cima, para baixo, costas, apoio lombar, pernas, assento, altura, profundidade, e quase que lá cheguei. O que vale é que os comandos dos bancos frontais são automáticos com posições de memória e aquecimento. Pensei que o melhor seria afinar o que faltava durante os dias seguintes.

Passando ao arranque e à manete de comando electrónico da caixa automática, colocada “à antiga”, ou seja, atrás do volante e não na secção central como é habitual. Também demorei uns minutos a descortinar este passo. De salientar que temos patilhas no volante para uma condução manual, bastando colocar a manete nessa posição.

De seguida apreender as informações debitadas não por um, mas por dois imensos ecrãs cheios de cor, colocados centralmente e em dois degraus. Nunca gostei dos instrumentos centrais, mas estes ecrãs são tão grandes que nem dei conta de mais nada. O maior é táctil e é todo um mundo de conexão com o mundo (e o carro) com 12″, maior que os mais normais tablets.

Passados uns kms, parei para as primeiras fotografias, altura em que dou a primeira grande volta ao modelo “do dia” para descortinar os pontos de destaque. Agora imaginem o que é descobrir todo um sistema de entertenimento audiovisual para os passageiros traseiros, que inclui ecrãs nos encostos da cabeça dos bancos frontais (um extra quase obrigatório), leitor DVD, inúmeras entradas de sinal para os miúdos e as suas consolas, e até duas bolsas que guardam dois pares de auscultadores. Aliás, o sistema áudio é assinado pela JBL que tem o condão de saber fazer bem as coisas. O Grand C4 Picasso é um carro bom para quem guia, mas muito melhor para quem é transportado.

E já que estou a falar de quem vai atrás, tenho de mencionar o enorme tecto panorâmico que nos obriga a olhar o céu, a possibilidade de reclinamento individual dos sofás 3, 4 e 5, condutas de ar condicionado dedicadas, iluminação de leitura lateral e cortinas anti-sol nas janelas. Este Picasso é Grand porque pode transportar sete pessoas, e os dois bancos da terceira fila estão recolhidos num muito complexo sistema. Quando levantados, os lugares 6 e 7 podem levar pessoas de estatura mediana. O acesso a essa “fila” é facilitado pelo sistema basculante da anterior e das portas traseiras com ângulos de abertura optimizados.

A vida de quem viaja

A marca apresenta este sofá rolante como “tecnoespaço“, enérgico e eficiente. Até concordo, pois o equipamento é apenas deslumbrante:

  • Habitáculo tratado num espírito Loft elegante e luminoso
  • Exclusividade de primeira classe: Pack Lounge
  • Ecrã panorâmico 12” HD e tablet táctil de 7 polegadas
  • Inovações tecnologias para uma condução descontraída

O pack Lounge faz desta cabina uma luxuosa primeira classe. Os encostos de cabeça são invulgares e adaptáveis às necessidades, por exemplo, apertando as “orelhas” para passarmos pelas brasas. O pendura tem até um apoio eléctrico de pernas. Este total Relax é reforçado pelas massagens proporcionadas pelas poltronas.

Este ambiente é pontuado por uma iluminação branca provinda de leds interiores, para tornar as viagens mais prazenteiras. De dia, até quem vai à frente tem direito a uma superfície vidrada sem paralelo, pois basta empurrar para o interior as palas anti-encadeamento para descobrir mais e mais vidro. É, realmente, fora de série.

 A motorização

Para empurrar este avião, é necessário um motor digno e a versão ensaiada trazia o mais potente da gama: 2.0 Blue Hdi com 150 cavalos. Consegue ultrapassar a inércia com vontade e genica e faz mesmo um brilharete quando afudamos o pé no acelerador. Mas é automóvel para uma toada relaxante, calma, compenetrada. De qualquer forma, é bom saber que temos poder para uma ultrapassagem in extremis.

Outro ponto muito a favor: o consumo em toada mista rondou os 7 litros, o que tendo em vista o tamanho e peso do Grand C4 Picasso, é digno de registo. Se tivesse uma família numerosa e que não sujasse o interior com bolachas ou brinquedos, esta seria uma opção muito válida.

Para os interessados, fica o convite para estudarem a extensa lista de equipamento desta versão, na página oficial.

 

PVP: 37 483,36 €

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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