Em 2003 um grupo de Engenheiros de Silicon Valley, lancou-se na missão de provar ao mercado que os carros eléctricos podem ser fantásticos.

Inspirados nos fundamentos básicos do motor eléctrico criado por Nikola Tesla em 1882, a Tesla tinha dois objectivos bem vincados. Ajudar a diminuir a dependência do petróleo e colaborar com outros fabricantes automóveis na esperança de colocar mais viaturas eléctricas a circular.

Para a Tesla qualquer veículo que recorra à sua tecnologia está a dar um passo para democratizar as viaturas eléctricas (EV), contribuindo para a diminuição dos respectivos custos de produção e, consequentemente, do seu preço de venda.

Em 2008 o Tesla Roadster é lançado como o 1º modelo de produção da marca, um carro absolutamente único no mercado. Passados 4 anos o Tesla Roadster vendeu mais de 2.300 unidades em 37 países diferentes.

Um enorme sucesso que contrariou os maus augúrios com que a marca tinha sido recebida em 2003.

Com o Model X (também referido como Secret Plan) em desenvolvimento, o primeiro SUV EV do mercado a Tesla pretende acelerar a transição para a mobilidade eléctrica.

Desde meados deste ano a Tesla disponibiliza uma berlina de 4 portas denominada  Model S.

O Model S assume um posicionamento luxuoso mas de prestações desportivas, em linhas que se aproximam de um coupé. O segmento do Model S encontra-se bem definido – Porsche Panamera, Mercedes CLS, Jaguar XF, BMW Série 6 Gran Coupé, Aston Martin Rapide ou Audi A7.

Gigantesca diferença face a qualquer outro automóvel deste segmento, é o facto de o Model S permitir transportar 5 adultos + 2 crianças, quando alguns dos seus concorrentes são homologados para 4 lugares. Isto porque sem eixo central do motor, o chão é completamente plano, assegurando os 5 lugares tradicionais com conforto. Numa solução menos comum, encontramos 2 bancos para crianças, escondidos no compartimento de bagagem e virados para trás, de forma a garantir mais espaço e conforto.Se há realmente factor que deve ser destacado é o comportamento e prestações do Model S. Um EV que consegue, sem qualquer tipo de combustível, apresentar uma autonomia até 500 km (em função da bateria instalada – a marca disponibiliza várias opções) a velocidades médias de 90 km/h, atingir os 100 km/h em 4,4 segundos e chegar aos 202 km/h. Tudo isto com zero emissões de gases de escape!Tudo no Model S foi pensado para optimizar o comportamento. Desde a suspensão activa a ar (que adapta a altura em função da velocidade), passando pelas baterias de iões de lítio, a solução de carregamento rápido (alcance de 100km por cada hora de carga) ou melhor ainda de super carregamento (alcance de 480 km por cada hora de carga), o tecto panorâmico de grandes dimensões construído em vidro ultra-leve, os puxadores das portas (activados por toque) que recolhem em andamento e o sistema de som de 580 Watts Dolby Pro Logic, com 12 colunas e capacidade de armazenar até 3000 músicas.O Tesla Model S é um poço de tecnologia, que muitos julgavam impossível de ser funcional no seu todo, mas que tem demonstrado elevada fiabilidade. 

 

 

Touchscreen de 17” – a jóia da coroa

Quando entramos no Model S o que mais rapidamente salta à vista é o facto de os botões serem praticamente inexistentes.

Na realidade só existem os botões dos vidros, espelhos e comandos no volante. O painel de instrumentos é composto por um LCD com várias configurações e no centro do tablier encontramos um fabuloso touchscreen de 17” que configura e controla todo o carro.

À primeira vista é quase estranho ver um interior sem botões, mas depressa nos rendemos à estética e funcionalidade do touch do Model S.

Depois da primeira impressão utilizar o enorme touch do Model S é uma experiência fantástica.

Tudo é configurável no referido touch. Desde consultar a pressão dos pneus, ajustar o grau de luminosidade no interior (alterando a configuração do tecto panorâmico em vidro), controlar o ar condicionado, sistema de som, navegação, telefone, media player (com carregador de DVD, receptor de TV, ligação AUX/USB – 2 portas, ou transmissão por Wifi ou Bluetooth) e por aí fora.

Impressionante é o facto de todo o ecrã poder ser utilizado como browser, ligado a uma rede wifi. Nunca a experiência de internet a bordo de uma viatura com estas características foi tão completa e com tanta qualidade.

Em modo Media Player ou browser, o Model S pode ser ligado a um smartphone ou tablet deixando o controlo para os passageiros.

As funções mais utilizadas estão presentes na base do ecrã para garantir um acesso mais fácil e rápido sem termos que percorrer menus.

Finalmente podemos definir o “look” do nosso touch em função da informação que queremos visualizar ou das funções a que queremos aceder.

Única é a sensação de conduzir com o ecrã de navegação na vista de satélite, em zoom máximo, enquanto nos deslocamos. Ao mesmo tempo que conduzimos olhamos para o ecrã e vemos o parque de estacionamento onde queremos parar, ou a rua onde temos que virar. Não tem comparação com a experiência obtida num computador. A sensação de interactividade é brutal!

 

Fantástico sem sombra de dúvida.

 

 Actualizações By Air

O Model S assenta num sistema operativo baseado em Unix com um processador Nvidia e traz mais uma novidade muito interessante e que o diferencia da concorrência – é o primeiro automóvel do Mundo cujo sistema operativo pode ser actualizado através de uma ligação Wifi. Até agora existia sempre a necessidade de ligação de algum tipo de cabo. Com o Model S pode ser o próprio utilizador a actualizar o sistema quando e onde quiser.

 

 

O problema do preço e da imagem

Nalguns países, especialmente o nosso, o Tesla Model S certamente não terá grande sucesso ou impacto.

A marca é recente e desconhecida da maior parte das pessoas.

As viaturas são luxuosas, amigas do ambiente, com excelente performance, esteticamente bem conseguidas e com elevados indices de qualidade… mas apresentam um preço elevado.

Provavelmente a maior parte dos clientes com poder económico para adquirir uma viatura destas, vai optar pelas marcas habituais. As que garantem status e imagem e que estão profundamente enraizadas no nosso mercado.

É pena, porque a Tesla tem claramente uma palavra a dizer no mundo automóvel.

A Tesla é, para já, uma marca para quem pode e para quem ousa ser diferente e inovar.

 

Quanto ao preço… a partir de 102.000€ para a versão base.

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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