IMG_0133

Confesso-me fã dos Xperia Z desde o primeiro modelo. De lá até agora, muita água correu sob a ponte tecnológica e é cada vez mais difícil permanecer no topo do podium. Ao meu Z2, que ainda muito prezo e a que de vez em quando regresso para matar saudades, seguiu-se o Z3 e Z3 Compact (ler ensaio) e, passando por cima de um estranho Z4 que só saiu no Japão, eis que chega o todo glorioso Xperia Z5 e logo em três tamanhos: Compact, “normal” e Premium.

A brand Xperia sempre foi conotada com entusiastas digitais e entrepreneurs, um segmento de mercado muito exclusivo no nosso país, mas de percentagem estável e com poder de compra. Para o novo Z5, a Sony optou por outra “solução” em Portugal, colando-se a figuras mediáticas populares que têm uma forma peculiar de entender algumas funções.

Mas adiante.

O Z5 mantém o traço de família “omnibalance” que surgiu com o Z1, mas está menos monolítico, desenho que lhe emprestava uma originalidade acentuada. Hoje, e falando apenas do Z5 de tamanho “normal”, é difícil encontrar diferenças no painel frontal para os seus antecessores, o que lhe empresta um ar um tanto ou quanto ultrapassado. A traseira passou agora a ter um tratamento fosco muito bonito e com um toque quase aveludado – denominado Frost – que, e reforço este ponto, é muito agradável ao tacto. Mesmo muito.

IMG_0134

Ao contrário do que tem sido norma nos topo de gama das marcas conhecidas, a Sony optou por não emagrecer a espessura do Z5, muito pelo contrário. Está até mais evidente e não é por acaso: o botão on/off redondo que era imagem de marca deu agora lugar a um botão rectangular que serve também como leitor de impressões digitais. E sabem que mais? Faz muito sentido, pois basta um toque com esta função biométrica para ultrapassar o desbloqueio e aceder ao smartphone. Mas a marca poderia ir mais longe: o novo sensor biométrico presente nos Huawei G8 e Mate S já permitem mais que uma função ao contrário do Z5. Outra mudança radical é a colocação no extremo do botão físico para a câmara e pouco mais acima do botão de volume. Pode estranhar-se mas, na verdade, é uma questão de habituação e continuo a gostar de um botão físico directo para a câmara vídeo/foto.

E eis-me chegado ao momento para explicar um dos pontos mais criticáveis deste novo design: a moldura de reforço lateral está pensada também para proteger o Z5 de quedas e, para conseguir isso, é um micro-milésimo de milímetro mais saliente que o normal, tanto à frente como atrás. E essa diferença, esse “degrau”, nota-se e é desagradável, pois faz-se sentir “na pele”. Em cima, reforcei o prazer do tacto do painel traseiro exactamente porque sabia que esta opção pela segurança pode trazer algum dissabor a quem o agarra pela primeira vez. É, de facto, estranho, principalmente quando o comparamos com os novos iPhone ou Huawei em que o vidro se arredonda para um design quase orgânico. É uma opção da marca e compreende-se, sendo japonesa, toda a preocupação em relação à segurança dos seus equipamentos. A ver vamos qual será a opção do consumidor. De salientar que o “grip” é maior o que evitará algumas quedas.

IMG_0140

O ecrã LCD IPS apresenta uma qualidade digna de registo, com um equilíbrio de cores perto da perfeição. Tem 5,2″ resolução FullHD com 425ppi. A máquina aposta no problemático processador Snapdragon 810 da Qualcomm a 2GHz, 64 bits e GPU Adreno 430. Tem 3GB de RAM e 32GB de memória interna que pode ser expandida até 128GB com cartão microSD. E se o famoso 810 tem tido queixas de sobreaquecimento e algumas travagens em smartphones de topo (houve até marcas que optaram por andar um passo atrás e preferir o processador anterior), tem neste Z5 um comportamento exemplar. Posso até fazer uma comparação: o meu Z2 aquece que nem uma furna açoriana ao fim de poucos minutos e nem é necessário puxá-lo ao máximo, chegando a ser muito desconfortável. A Sony explica que tem a ver com a gravação de vídeo a 4K (sim, o Z2 já grava a 4K), mas não é por aí.

Por seu turno, filmei com o Z5 a 4K à espera de uma travagem brusca, de sobreaquecimento, mas nada, correu sempre sem problemas de maior, até ficar sem espaço. A bateria, já se sabe, esvai-se à medida que a qualidade aumenta, mas temos de contar com este tipo de especificidades e, quanto a mim, são um mal menor.

Contudo, tenho de abrir um espaço para desdizer a campanha que a embaixadora escolhida pela marca anda a fazer, pois leva o consumidor ao engano: ao contrário do anterior Xperia Z2, com portas vedantes e com o qual fiz muitas filmagens debaixo de água DOCE, há que ter algum cuidado em relação a essa particular acção, pois a própria Sony publicou um aviso contra a utilização dos seus equipamentos dentro de água. Uma coisa é cair acidentalmente dentro de uma tina ou outro vaso cheio de água, outra é mergulhá-lo no oceano para umas divertidas fotografias. Outra “novidade” que se afirma, é que pode filmar com qualidade 4K para poder postar nas redes sociais com muita qualidade: ora basta conhecer o serviço das redes sociais para saber que nenhuma aceita conteúdos em 4K, muito pelo contrário: qualquer upload com essa qualidade leva uma “facada” tão grande que passa quase a ser pior que 720p.

IMG_0138

Aproveito o embalo para vos falar da câmara, a espectacular objectiva de 23MP com sensor Exmor RS e autofoco contínuo com estabilizador de imagem é, simplesmente, fenomenal! E se a Sony vende o Z5 com especial foco nesta característica, faz muito bem, pois realmente é qualquer coisa de extraordinário obter este tipo de resultados num, relembro, telefone, conseguindo mesmo ultrapassar o incrivelmente bom LG G4 (ensaio aqui). Contudo, há que fazer uma crítica: o Menu inicial tem um tamanho mínimo e torna difícil mudar o modo de operação (Manual, Auto Superior, Vídeo e Aplicações da Câmara) de forma rápida. Estendo a crítica à arrumação dos parâmetros, tão práticos nos LG e Huawei.

IMG_0139

Mas depois de entender as regras simples, tudo se torna mais automatizado. Em Manual, temos acesso ao menu de definições: temporizador, ISO, HDR, resolução, modo de foco (automático simples e múltiplo, detecção de face, por toque e monitorização do objecto), ao de operação (balanço de brancos, etc) e galeria. Em vídeo, o menu altera-se para oferecer cor e brilho, selecção de cena, resolução, modo de Foco, obturador de sorriso e o fenomenal SteadyShot que tem modo inteligente activo para tornar tudo muito simples.

As Aplicações de Câmara são uma das maiores valias da Sony. Desta feita, o menu concentra todas as que vêm instaladas de base, assim como as que baixamos. Aliás, um botão + faz de atalho directo para a loja onde podemos escolher o que nos interessa. Continuo, e acho que desde sempre, a apostar na App “Fundo desfocado” com a qual mantenho uma péssima relação. É difícil conseguir um retrato (é um conjunto de dois fotogramas que depois criam o efeito) que me diga “feito ou “done” à primeira. A operação falha sistematicamente, mas depois encontro um ou outro resultado no arquivo. Há filtros para todos os gostos, animações, legendas, caricaturas, eu sei lá, é todo um mundo que leva muito tempo a pesquisar.

IMG_0141

Se a câmara principal tem estes formidáveis 23MP, a frontal fica-se pelos 5MP, o que chega e sobeja para tirar boas selfies.

A bateria tem uma espécie de dupla personalidade. A Sony garante que tem sumo para dois dias. Sim, até tem para três ou quatro, desde que não faça chamadas nem se ligue o bluetooth e se poupe na qualidade 4K. Mas se usarmos o Z5 a todo o gás, os 2.900mAh com Stamina e UltraStamina conseguem, apenas, chegar ao final de um dia intenso, o que, a meu ver, é até muito bom tendo em conta a frequente utilização.

DSC_0169

Para terminar, porque também é exclusivo da marca, atenção à superior qualidade de som com auscultadores Hi-Res. Muito bom, detalhado, profundo, mesmo com upscale dos ficheiros MP3 de menor qualidade. As duas colunas frontais permitem alguma imagem estereofónica, mas o nível não chega a ser alto. Porém, ainda bem que a Sony mantém esta característica física.

Chega a hora do veredicto: compraria um Z5? Sim, porque é melhor em tudo que o Z2. Mas se tivesse um Z3 não justificaria o esforço monetário. Resumindo, a Sony tem o novo melhor smartphone para imagens, mas não o mais moderno dos modelos. O preço é demasiado alto para o novo target que a marca parece pretender e já nem falo do Z5 Premium que deve chegar às minhas mãos brevemente.

PVP: 750€

Alguns exemplos sem edição e com resolução web de 600pxl:

 

 

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

View all posts