A Sony aposta no som Surround virtual para os lados e para cima para nos encher a sala e a alma com som de grande qualidade e potência

Existem certas coisas na vida que damos por garantidas e, depois, percebemos que afinal não é bem assim.

Por exemplo, a estéreofonia. Sabemos, muito simplificadamente, que o som estéreo proveniente de uma fonte é dividido por dois canais, o esquerdo e o direito.

Para ouvir música passámos a usar duas colunas para uma melhor repartição, definição e equilíbrio.

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E o mundo foi simples durante muitas décadas

Mas, num repente, alguém inventou o Surround e os descodificadores de canal e passámos a ter em casa entre cinco a sete colunas para ver e ouvir um filme.

Fui uma dessas pessoas, porem e confesso, já não sou e por dois motivos: à altura tinha uma sala de cinema em casa e era um rapaz solteirão. Hoje o espaço é menor e, na verdade, o apartamento actual não reúne condições acústicas perfeitas.

Dessa altura dos anos 90 até aos dias de hoje, o segmento áudio transformou-se por completo. O advento das colunas sem fios arrasou o mercado das pequenas aparelhagens tradicionais.

A qualidade passou a interessar menos que à época anterior ao milénio e, diz-se, é também resultado da urgência no consumo desenfreado de tanto conteúdo disponível na ponta do dedo.

Sony HT-X8500 análise
Um só bloco de som

Do ritual ao digital

Sim, antes compravam-se discos e havia um ritual.

Hoje passa-se de música em música ao fim de alguns segundos.

Toda esta conversa leva-me a incluir as barras de som nesta grande mudança de formas de ouvir os conteúdos ou, vamos lá, o som, seja proveniente de músicos ou cineastas.

A Sony tem uma experiência notável em todos os segmentos áudio e foi, muitas vezes, olhada de soslaio por alguns melómanos. Afinal, o que valeria a qualidade de uma marca nipónica ao lado dos construtores audiófilos britânicos?

Pois ajuizaram mal. A Sony tem sido exemplar na concepção e realização de novos formatos.

Sim, muitos deles morreram cedo demais, como o magistral MiniDisc ou a insuperável DAT, mas quem gosta da Sony gosta porque sabe que a marca é teimosa e original, pois continua o seu caminho por muito que isso lhe custe nas contas anuais fiscais.

A última grande evolução da Sony foi o Áudio de Alta Resolução, denominado HiRes Audio, que devolveu aos ficheiros digitais alguma da qualidade perdida dos formatos analógicos.

Estive na apresentação da coisa em Londres com o Jorge Gonçalves, o mítico director e Connoisseur das lides audiófilas cá do burgo, e ambos ficámos fascinados com a qualidade do que ouvimos.

Já passaram uns anos e, felizmente, o HiRes Audio está disponível em muitos equipamentos, incluindo smartphones da marca. E sim, faz a diferença.

Essa e outras tecnologias estão presentes nos novos produtos da marca.

Sony HT-X8500 análise
Fina e leve

Um deles chegou-me à sala para análise

Chamam-lhe Sony HT-X8500 e é uma barra de som de 2.1 canais com Dolby Atmos, DTS:X e subwoofer incorporado.

Podem dizer-me “colunas dessas há muitas”, e na verdade, sim, o mercado está inundado por barras de som com pouca ou muita potência.

Mas o que eleva a HT-X8500 ao patamar acima é a tecnologia que a Sony designa por Vertical Surround Engine que, a par com as citadas anteriormente, divide os canais em 7.1.2., ou seja, temos um surround simulado de sete canais mais subwoofer e, atenção, um canal extra que replica o som vindo de cima. Sim, de cima.

Perguntam, e com razão, mas agora o som também vem de cima?

Sim, vem. Aliás, numa outra viagem com a Sony, desta feita à Holanda, visitei os estúdios Wisseloord em Noordwijk e estive à conversa com a extraordinária Darcy Proper no estúdio onde compõe, grava e mistura bandas sonoras para cinema.

E, pasme-se, o tecto tinha colunas incorporadas. E sim, durante a experiência, percebia-se perfeitamente o som que vinha lá do alto.

Ora esta coluna HT-X8500 tenta replicar esse canal, de forma a que sintamos e ouçamos todo o filme, ou seja, todo o trabalho que os produtores de som tiveram na mistura dos inúmeros canais que fazem parte de um filme e que são, acreditem, muitos.

A Sony, com a tecnologia DSP, consegue esta magia apenas com uma barra de som. Mas há diferenças e secções que permitem todo este, entre aspas, milagre sonoro.

Subwoofer incorporado, um milagre da miniaturização

A HT-X8500 tem um subwoofer duplo ao seu centro e virado para nós, quando estamos sentados no sofá defronte ao televisor.

Nos extremos frontais, estão colocados dois tweeters. Mas nos cantos, há duas saídas complementares que enviam o som para todas as direcções, o tal surround horizontal.

Mais um passo de magia, e o som é também projectado verticalmente, ou seja, para cima, o que depois é reflectido pelo tecto exactamente para a nossa cabeça. E cá está o surround vertical.

E atenção, mesmo os filmes que só têm dois canais de som, são transfigurados com um upscaling digital para os tais 7.1.2.. E isto é importante para quem vê filmes em formato mais básico, tipo AVI ou MKV.

Sony HT-X8500 análise
Sony HT-X8500

Modos de som

Todas estas características são passíveis de ser alteradas a nosso bem entender. Por exemplo, não precisamos de tanto canal para ouvir música, já que esta é misturada para apenas dois. E é aqui que entra o comando (ou a App) que vem preparado com teclas directas para uma equalização perfeita que vai responder ao que estamos a ouvir.

Este comando tem teclas directas com tratamento específico para modo cinema, modo música, modo jogo, modo notícias e modo desporto.

Todos com resultados diferentes, principalmente entre modo cinema e modo música. Os graves são alterados de forma dinâmica e muito perceptível e o efeito surround muda por completo.

Claro que podemos ouvir tudo com a dinâmica que pretendemos e ainda contamos com o modo Auto-Sound, que se auto-explica, e que analisa o espaço circundante para escolher as dinâmicas que melhor de adequam.

Sony HT-X8500 análise
ligações

Emparelhamento facilitado por Bluetooth e NFC

Para streaming de música, é só emparelhar por bluetooth 5.0 ou NFC para enviarmos o que temos nos telefones, tablets e computadores para a coluna.

Mas nada melhor que um simples cabo ótico para ligar a coluna ao televisor, caso esse tenha uma tomada para o efeito. Tudo é simples, perfeito, sem qualquer lag e com a melhor qualidade.

Contamos ainda com HDMI in e, atenção, HDMI out com ARC.

Para além do comando, temos botões tácteis no topo da coluna e uns leds que se acendem e apagam conforme o modo escolhido e o nível sonoro.

Finalizando com a reacção lá de casa

Como conclusão, vou reportar o que aconteceu cá em casa. A minha mulher está habituada a ouvir filmes através de uma coluna central que não é uma soundbar, mas uma coluna de som que nos envolve bem mais aquando um filme ou série.

Quando liguei a HT-X8500, a princípio era mais um “mono” para estar em cima do móvel e que isto e aquilo e a qualidade de som até nem era tão melhor que a nossa coluna.

Até que escolhemos ver um filme cheio de acção e explosões e tal e coiso e, numa palavra, o prédio quase veio abaixo.

A partir daí, a Sony esteve sempre ligada para a TV noticiosa, as séries Netflix, os conteúdos audiovisuais que estão guardados na nuvem doméstica, tudo e mais alguma coisa.

No final, a grande pergunta, rara vindo dela: quanto é que isto custa?

E aí percebi que esta Sony HT-X8500 passou o mais difícil teste: o das pessoas que se estão a borrifar para estas coisas mas que depois percebem a sua mais valia.

Podemos encontrar esta supre coluna por volta dos 300€ o que é um preço muito bem posicionado em relação a outras propostas com tanta tecnologia embutida.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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