Finalmente assisti ao nono e último episódio da Guerra das Estrelas que comecei há mais de 40 anos no saudoso Monumental ao Saldanha

Fui ver ao cinema de tela gigante, o grandioso e saudoso Monumental, a estreia desta agora finalizada série intitulada Star Wars, em português, a Guerra das Estrelas, há mais de 40 anos.

O entusiasmo da pequenada era grande. E de quem os acompanhava também. Os adolescentes, como eu, vibravam com o cinema. Foi a época do Sensurround, das primeiras aventuras 3D, de todo um novo cinema espectáculo que enchia o olho e a alma.

Enquanto jovem, lembro-me que ir ao cinema era um acto solene que impunha grande respeito por quem, como nós, pagava o bilhete para viajar e sonhar durante um par de horas.

Passados quatro decénios, são os jovens de espírito, como eu, que agora levam os filhos para, com eles, terminar esta saga que envolveu gerações, criou personagens inesquecíveis, imortalizou actores no seu próprio éden e fez-nos traulitar uma música que às primeiras notas se cola à imagem.

Pelo meio, aconteceu o Jar Jar Binks, e isso fez com que muitos fãs da trilogia original receassem os novos episódios, há muito prometidos, e agora terminados. E esses fãs tinham toda a razão. A partir desse momento, cada novo episódio da série pensada por Tolkien, aliás, desculpem, Lucas, deu muitos tiros nos pés.

Não vou dissecar os nove episódios, os seus feitos e derrotas. Passo já para este A Ascensão de Skywalker que, finalmente, fui ver ao grande ecrã e com som Dolby Atmos para assinalar também o início de 2020.

Nem o horário me safou da falta de educação que reina nas salas comerciais

Escolhi uma sessão estranha, aquela que evita quem ainda trabalha ao quase final da tarde e que esmorece quem não gosta do escuro da rua. Mas, infelizmente, não evitei aquilo que me fez desistir da frequência de salas comerciais.

Ao longo da minha fila, estava sentado um grupo de jovens. Felizmente que foram os mais afastados que estiveram em alegre cavaqueira durante toda a primeira parte. Parecia que estavam em casa, pois desde pipocas a Nachos, tudo se comia com a boca aberta. Isso do barulho ao sorver a coca cola é para meninos.

E para grande azar, visto que o meu lugar era bem bom, a meu lado sentou-se um casal cujo macho alfa pigarreou, tossiu e cuspiu-se demasiadas vezes, o que me obrigou a esquecer o pacote de pipocas que, desta vez, também comprei, a fim de conseguir entrar na onda do cinema show bizz.

É que não quero nem posso apanhar uma gripe e muito menos à custa da Rey e do Kylo Ren.

Mas afinal podemos respirar numa qualquer galáxia?

Mudei de fila ao intervalo. E fiz bem. Deu para perceber que esta Guerra já não é a minha, é da Disney, apontada para os filhos dos primeiros fãs. Por exemplo, é desapontante perceber que há oxigénio em todos os planetas, até nos covis mais horripilantes e debaixo de areia movediça. E, pasme-se, há muita água numa galáxia far far away.

No título falo da Queda de Skywalker. Vou explicar.

Tenho amigos que se comoveram com o final da saga e tenho amigos que dizem que é uma xaropada. E percebo ambas as partes.

O realizador J J Abrams pensa que Star Wars é um filme da Marvel ou DC Comics, tal o disparate técnico desnecessário com que envolve a acção. Perde-se a narrativa e perdemos nós que acompanhámos toda a aventura.

Quanto a mim, quem está morto, morto está e ver uma Leia digital fez-me muita comichão. Carrie Fisher não deverá estar a gostar muito de se rever desta forma e teria, com certeza, preferido surgir em holograma, aliás, tal como o seu mano Luke aparece.

os manos

Compreendo J J Abrams e a problemática Luke Skywalker

Nunca na história do cinema existiu um actor tão medíocre, pastoso e seboso quanto este rapaz. E os deuses da película quiseram brincar connosco ao mantê-lo vivo durante 40 anos. Mas pronto, é necessário para fechar o ciclo, embora de forma muito rebuscada. Também não se percebe aquela fugaz aparição de Hans Solo.

Foi lá fazer o quê? Ah, ok, ok, fechar o ciclo, unir o arco narrativo, yada yada yada.

Mas bastavam as vozes com grandes discursos melodramáticos em formato telepático, tal como acontece no final da épica batalha tirada a papel químico de Dunquerque.

Irmandades da força sempre dúbias

Agora vamos lá ver uma coisa: acontece um chocho entre os protagonistas que, da Force e à altura, tinham muito pouca. Um morre, o outro revive-o para morrer na sobrevivência do seu espelho. Sim, é complicado para os mais novos.

Um dos miúdos que ficou de castigo com o pai até ao fim da ficha técnica, e, pasmem-se, que a sala ainda tinha gente no último fotograma, perguntou ao pai se os irmãos podem dar beijinhos na boca.

E eu ri-me, abafadamente, mas acho que o pai me ouviu enquanto lhe explicava a essência da coisa, a manifestação de uma união improvável e irrepetível, a importância do medo, da bravura, da vida e yada yada yada.

Mas agora pergunto: o tal de Palpatine já não era um caso encerrado? É que ressurge todo podre e a fazer lembrar Cold Lazarus do genial Dennis Potter, só que em corpo inteiro em vez de uma cabeça em formol.

E, já agora, onde foi buscar dinheiro para montar toda aquela armada? E, mais uma vez, questiono como podem os seres humanos respirar em cima das naves que tentam destruir…

Babu Frik

Ok, pronto, já devem ter percebido que não gostei. E, sinceramente, tenho pena.

Ia à procura de algo mais sincero, de um arco perfeito, de contemplação e sim, de momentos especiais, verdadeiramente especiais… Mas apanhei-me dentro do folclore da Disneyland com os X Men a voar por todo o lado.

Tal como um amigo me disse, a única coisa que se safa é o Babu Frik. E tendo a concordar.

No último dos fotogramas, de que até tirei uma fotografia, não fiquei comovido mas saudosista daqueles tempos em que ir ao cinema era um acto solene que impunha grande respeito por quem, como nós, pagava o bilhete para viajar e sonhar durante um par de horas.

Estás a ver JJ Abrams como se fecha um ciclo?

PODCASTS
#Skywalker é a ascensão ou a queda de #StarWars?
Fui ver o último filme da saga e é disso que falo neste episódio.
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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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