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A Seat prometeu-me uma verdadeira experiência de sentidos com o Leon X-Perience, uma carrinha vitaminada por dentro e, especialmente, por fora, com um design que convence ao primeiro olhar e uma qualidade que se sente no primeiro minuto. Sim, o X-Perience prometia galgar caminhos não urbanos com alguma facilidade.

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Com protecções extra, pára-choques alongados e embaladeiras, este Leon está pensado para os pais urbanos que gostam de pequenas aventuras ao fim de semana. A família goza de um conforto assinalável, espaço a rodos e uma bagageira de grande capacidade. O tejadilho conta com barras de origem para responder ainda a mais necessidades de transporte, como “malão” externo ou bicicletas.

Sim, tudo convida a um passeio menos convencional. Para ultrapassar trilhos não muito profundos (não é um jipe), o Leon X-Perience é mais alto que o modelo normal, tanto pela suspensão elevada, como pelas jantes de 17 ou 18″, dependendo da versão.

A tracção 4Drive, permanente às quatro rodas, é coadjuvada pela embraiagem multi-disco com actuação hidráulica e controlo electrónico para uma distribuição 50/50 do binário entre eixos. A Seat equipou esta Leon com o sistema DCC, Controlo Adaptativo da Suspensão, que a vai ajustando a cada milésimo de segundo, o que tem reflexo final na resposta do volante.

A segurança activa e passiva têm grande destaque neste modelo. O equipamento completo engloba vários sistemas de ajuda à condução, como às fadiga do condutor, travagem, luzes máximos, Front-Assist e faixa de rodagem.

Destaco o Front Assist que trabalha em conjunto com o Cruise Control Adaptativo, para monitorizar o trânsito à nossa frente. Emite um alerta quando percebe um perigo e prepara os travões para uma emergência.

Lá dentro sente-se qualidade de construção e escolha certa de materiais. Dos bancos aos comandos, tudo prima pela elegância, pontuada com pormenores aqui e ali exclusivos desta versão.

O sistema de infotenimento, como se diz agora, é poderoso e eficaz. Reparem no luxo: sistema de som próprio com 135 Watts e dez altifalantes. O ecrã tem 6,5″ tácteis e, para além de nos proporcionar a escolha de funcionalidades, tem navegação 3D, sistema de reconhecimento de voz, serviço de mensagens SMS, Mirrorlink e bluetooth e um leitor multimédia com 10GB disponíveis.

Podemos controlar toda a informação com movimentos típicos de um smartphone ou tablet, como a passagem do dedo e zoom.

Vamos então às sensações: em cidade, não se sente o peso a mais da opção 4Drive nem o comprimento respeitável do X-Perience. A direcção é muito directa, o comportamento dinâmico garante uma superior estabilidade com imediata percepção no conforto de rolamento, e a caixa (neste caso manual e não a opção automática DSG) está bem escalonada.

Não é um carro de corridas, mas empresta-nos, em regimes mais altos, sensações vigorosas. Fora de estrada, por caminhos pouco violentos e complicados, deu para perceber que tudo está preparado para uma maior exigência. Não senti queixumes, mas tive de preparar antecipadamente os caminhos por onde me meti.

O X-Perience é uma carrinha, longa e pesada, convém nunca esquecer. Contudo, tenho de apontar um erro de concepção: ao descer totalmente o vidro do condutor, coisa que faço geralmente, sente-se a falta de maior protecção que poderia evitar o vento frio que entra no habitáculo e que, em noites mais frias, gelou-me a mão esquerda. Algo a rever com um maior triângulo plástico, pois foi situação que nunca tinha vivido neste segmento.

Termino a experiência Seat Leon X-Perience apontando as motorizações disponíveis: três diesel (1.6TDI CR/110cv e o 2.0TDI CR com 150 ou 184cv). Aguarda-se para breve a chegada das variantes com tracção dianteira 1.4 TSI/125cv e o 1.6 TDI/110cv.

O grande problema da experiência X-Perience é o preço, valores altos que estão a par de outros logotipos que são mais desejados pelos portugueses, um eterno problema que cria dificuldades injustas a propostas muito interessantes.

PVP: a partir de 32 330€ (versão 1.6 TDI/110 cv) até aos 40 825€ (para a versão de topo).

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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