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Os meus amigos sabem que, no que respeita ao sector automóvel, sou completamente infiel às marcas. Já tive quase de tudo, alemães, ingleses, japoneses, franceses e italianos. Gostei de todos eles na devida altura e para as devidas necessidades. Já precisei de bagageira para levar instrumentos musicais ou o cão de porte médio/grande, de apenas um lugar ao lado para ir passar belos fins de semana, de 220 cvs às quatro rodas para chegar rapidamente a reuniões ou de 200 cvs só atrás para gastar pneus. Mas tive um carro com que fiquei pouco tempo e nem cheguei a aquecer: foi um Peugeot 306 SRT prata e com três portas, um modelo muito bonito por sinal. Na altura consegui uns dinheiros extra e um bom negócio, pelo que só o usei cerca de um ano e não me deixou grande saudade. De lá até cá, muita coisa mudou e, recentemente, a marca gaulesa tem feito um enorme esforço para me seduzir. E conseguiu-o no ano passado com o 2008 (versão allure) e o espectacular 208 GTi. Mas por muito que gostasse deles, havia um ou outro pormenor que me afastou do “altar”.

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Converti-me após ter experimentado este 308 SW 1.2 Pure Tech

E tenho várias razões: a primeira é por ser realmente bonito no seu ar neutro e composto. A segunda, tem uma qualidade ao nível da marca (ou conjunto de) que, recorrentemente, vence o prémio “volante de cristal /essilor”, sendo proposto com preços mais simpáticos. A terceira é este motor!

Se me têm lido, não é novidade que prefiro motores a gasolina, mesmo que nos últimos anos tenham sido tecnologicamente esquecidos. Mas como tenho paciência oriental, sabia que, mais tarde ou mais cedo, até os construtores iriam regressar ao seu desenvolvimento porque há pessoas que fazem contas. E outras que gostam de respostas mais imediatas e naturais. Mas confesso que não estava à espera do comportamento deste tricilíndrico. Reparem: é um 1.2 litros com turbocompressor e injecção directa, apresentando uns invulgares 130 CV e um binário de 230 Nm. Exacto! Leram bem! E são 130 CVs disponíveis logo ali em baixo, às 1700 RPM.

São óptimas notícias para quem, como eu, vive numa cidade grande e só faz cerca de 10 a 15 mil kms por ano, o que não justifica a opção diesel e muito menos a correspondente diferença de preço. E sim, os últimos anos têm mostrado grande vitalidade e uma vontade férrea dos construtores em conseguir melhores condições para os diesel, mas os modelos a gasolina serão sempre mais baratos, menos ruidosos e muito menos poluentes. Mesmo que este 1.2 Pure Tech tenha, contra si e todo este meu discurso, o preço final e seja um pouco guloso (o peso do conjunto faz-se notar), este 308 gasta entre 7 a 7,2 litros em circuito misto, dependendo do pé direito. E com 130 CVs não há milagres…

Há outro factor que me leva a gostar muito dos novos Peugeot e que está bem vincado no 308: o design do tablier é soberbo pela simplicidade e originalidade. E sou fã, aliás, fanático deste pequeno volante que me faz sempre pensar que estou a guiar um Kart. Se funciona tremendamente bem no 208 GTi, emprestando ainda mais entusiasmo à condução, garanto que também se faz notar neste irmão maior. Gosto mesmo muito!

Nesta versão Allure não falta mesmo nada como podem checar na extensa lista que está no site da marca. Bom som, um completo sistema de infotainment, um ecrã central táctil que comanda, posso dizer, todo o carro e que poderá tornar-se numa dor de cabeça para os condutores menos tecnológicos. Realmente, fornece muita informação e obriga a uma curva de aprendizagem. Tenho até a certeza que, nos quatro dias de ensaio, não consegui sequer tocar em todas as funções. Mas isso porque, realmente, o que queria deste 308 era guiar e espevitar aqueles 130 CVs.

O Allure é muito confortável, tem o máximo de equipamento, o que se reflecte em tectos panorâmicos, acabamentos, materiais e qualidade de construção. Este carro não engana e quer mesmo fazer frente ao todo poderoso Golf, com ajudas ao estacionamento, modo “Dybamic” para uma toada mais racing que até altera para vermelho a cor dos instrumentos principais, segurança activa e passiva, enfim, basta olhar aqui para o slideshow acima para entender o que vale o Allure. E este tecto panorâmico?

Ideal para uma família e as suas férias, tem um “malão” considerável com 610 litros expansíveis a 1680 litros. Todo o equipamento eleva (e muito) o PVP deste 308 que o deixa perigosamente colado à motorização diesel, o que lhe complica a vida. Gasta apenas mais 1 litro aos 100 kms, o que não entusiasmará a clientela diesel que vai sempre argumentar pelo que poupa em cada depósito. Pois eu escolheria exactamente este motor por tudo o que referi e também pelo prazer de ir contra a corrente.

PVP: 25.460 euros

 

 

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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