Microsoft Surface 3

O que me faz querer ter um Surface 3? Explico de uma forma rápida e concisa: este maravilhoso teclado que dedilho neste preciso momento, com a base aberta no primeiro nível, à sombra de uma resistente árvore lisboeta, bebericando um sumo de laranja natural. Poderão e devem perguntar “mas isso não se consegue com dezenas de soluções semelhantes?” Sim e não. Existem, realmente, soluções parecidas, principalmente os híbridos dois em um que estão na moda e vieram para ficar. Mas o Surface 3, ao contrário do irmão maior e mais caro Surface 3 Pro, tem o tamanho certo, o peso indicado e… já mencionei este fabuloso teclado?

Como o Pro, tenho finalmente ao dispor um Windows 8.1 completo (com subscrição gratuita de 1 ano para o Office 365), o que me garante acesso a todo o software que preciso ou venha a necessitar. É também rápido a ligar, funcionar, editar textos e fotografias, até me aventurei num pequeno vídeo, tudo conseguido de forma mais prática com a caneta digital. E, aproveitando a deixa, são 50 euros que se devem gastar, pois é garante de grande precisão, tanto no traço (com sensor de pressão) como na rapidez de processos. As teclas de função ajudam-nos na elaboração e na edição de documentos e demais necessidades.

O teclado, a já famosa Type Cover que vai na terceira geração e que também serve de capa, tem aquele “degrau mágico” que o eleva alguns centímetros, “colando-o” à base frontal do ecrã. Estes poucos centímetros fazem toda a diferença quando se escreve, pois facilitam essa tarefa, possibilitando-nos um posicionamento mais correcto. Este conjunto será utilizado por muitos profissionais que se deslocam de conferência em conferência, e juntamente com os ângulos da base traseira, torna mais fácil o que, em toda a concorrência, continua a ser difícil: escrever bem e depressa com o tablet aberto em cima dos joelhos. E, garanto-vos, esta “pequena” alteração de ângulo faz mesmo toda a diferença.

O teclado não é barato, mas é full size, com curso nas teclas que nos garantem conforto e rapidez. Não destoa muito de num típico teclado fixo de computador portátil. Mais pequeno que o habitual, o trackpad cumpre a sua função.

O corpo deste Surface 3 apresenta-se em magnésio. Ao contrário de outros tablets, é também um verdadeiro computador portátil. Tem teclas on/off e volume bem destacadas, ligações USB 3.0 e microUSB (que serve para recarregar a bateria), Mini DisplayPort e tomada 3,5mm para auscultadores e/ou microfone.

A famosa meia base integrada perde nesta versão o encantamento do Surface 3 Pro, em que lhe podemos escolher qualquer ângulo de posicionamento com o já famoso KickStand. A imitar as versões mais antigas, o Surface 3 só permite três posicionamentos. São quase suficientes para todas as necessidades, mas depois de ter experimentado a solução Pro, sabe a pouco.

O ecrã tem 10,8” (formato 3:2) com resolução FullHD Plus 1920 x 1280. A versão mais em conta vem com 2GB Ram e 64GB de armazenamento, valores que duplicam na versão mais cara (a que chegou para ensaio). Para alimentar todos os processos, contamos com um dos novos Intel Atom x7, um Quad-Core a 1,6 Ghz com Intel Burst até 2,4 Ghz.

Compreende-se até as razões de um preço alto para o que pensamos ser um tablet, pois ao desempenho e características do SO, acrescenta sensores de luz e proximidade, acelerómetro, giroscópio, magnetómetro, altifalantes estéreo com processamento Dolby, e duas câmaras capazes (frontal com 3,5MP e traseira com 8MP).

A bateria aguenta 10 horas de funcionamento, o que é perfeito para uma viagem de trabalho. Mas a vantagem de poder recarregá-la com um normal cabo microUSB, recebe uma enorme salva de palmas. De salientar, ainda que o Surface 3 pesa 622 g (a que devemos juntar a capa teclado).

A questão de escolher um Surface 3, que tem um PVP ainda demasiado alto para o mercado português, em detrimento de um iPad ou híbrido de marcas de renome, está na racionalidade. É um PC de pleno direito, mesmo com parcos 64GB na versão base. Podemos contar com um Windows 8.1 completo e, daqui a pouco tempo, com o esperado Windows 10.
Temos acesso à loja e às suas aplicações, que continua a ser o calcanhar de Aquiles para quem gosta de aplicações. Mas para os que precisam de trabalhar com a suite Office, não há que ter dúvidas: o Surface 3 é muito bom e, posso até escrever que o prefiro em relação ao todo poderoso Surface Pro 3. Porquê? Porque pesa menos, é mais pequeno e isso, ao fim de um dia em aeroportos e conferências, é o factor que interessa, mesmo que se percam algumas características importantes do Pro, como leitor de cartões incorporado, entre outros melhoramentos.

O problema é o preço, o que também me obriga a refrear parte da pontuação.

PVP: a partir de 609 euros (sem teclado e caneta)

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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