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Quem diria, há três anos, que a Huawei estaria em 2015 a ombrear com a Samsung e a Apple no segmento topo de gama, conseguindo conquistar a sempre difícil (e tendenciosa) atenção de uma larga fatia de consumidores ao ponto de hoje ser uma das mais comentadas e desejáveis marcas? Pois que conseguiu, apostando na tecnologia e no design e numa relação com a imprensa mundial difícil de igualar hoje em dia. O P7 demonstrou o caminho, o P8 evoluiu-o, o Mate 7 e Mate 8 demonstram como se faz um phablet e, no topo, temos o muito especial Mate S, uma montra do melhor que se pode fazer.

A marca sabe que os topo de gama fazem milagres pela imagem, mas são os que estão abaixo que amealham a fortuna. O novo Huawei G8 situa-se naquela difícil barreira que a linha divisória entre os alta e média gama traça. É um média gama com algumas características de topo, mas o preço também não é democrático. Valerá a pena?

É largo e grande ( 76.5 x 152 x 7.5 mm), apresenta-se com materiais de qualidade (alumínio) e uma frente com vidro de curvatura 2,5D, à semelhança dos topos de gama de algumas marcas e inclusive do Mate S. O ecrã IPS de 5.5” tem resolução Full HD 1080 x 1920p (401 ppi), mais que suficiente para se poder ler com muita facilidade (convém sempre usar o filtro de luz azul) textos limpos ou com imagens e os filmes têm muita vivacidade e brilho. Sob a luz do sol, somos obrigados a puxar o brilho ao máximo para poder ler o ecrã.

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Com um processador Qualcomm MSM8939 Snapdragon 615 de oito núcleos (Quad-Core a 1.5 GHz + Quad-Core a 1.2 GHz) reforçado pela gráfica Adreno 405, o comportamento é rápido e linear. A escolha por 3GB de RAM é já a norma deste segmento e os 32GB de armazenamento servirão a maior parte dos utilizadores.

Todo este coração proporciona um desempenho muito agradável e extremamente responsivo ao toque mais leve. Jogar neste ecrã é um prazer e o G8 ultrapassa sem queixume o grande teste Real Racing 3. Nota máxima no comportamento do Piano Tiles 2, um jogo que tecnicamente parece ser simples, mas que é incompatível com o touchscreen de alguns smartphones de topo.

Existem outras características que fazem do G8 uma proposta muito prática, como por exemplo a escolha em modo DUAL SIM ou com espaço para um Nano SIM e um cartão de memória. Tem cancelamento de ruído activo com microfone próprio, o que se traduz numa melhoria de qualidade nas chamadas (coisa que os smartphones ainda fazem) e já tem o sistema operativo Lollipop v5.11 com o famoso Emotion UI na versão 3.1. Este UI permite mudar os temas e os próprios ícones das funções, uma mais valia da marca chinesa e que agrada sobremaneira aos seus utilizadores. De salientar que podemos colocar no ecrã básico das notificações a velocidade a que “apanhamos” a net, função útil e que permite percebermos porque às vezes o processo fica lento sem razão aparente, como por exemplo, a navegação em algumas zonas.

Há que ter em atenção toda esta variedade temática, com fundos de vários designers que mudam o estilo de ecrã de boas vindas, o aspecto geral do sistema, os botões, cores, até a fonte. Podemos ainda reforçar toda esta panóplia com efeitos de transição e, porque não, um set fotográfico de grande qualidade que muda as fotografias ao fim de um tempo pré-determinado. E tudo isto corre como se nada fosse, sem qualquer tipo de engasgo, mesmo que sugira o tipo de ambientes criados no Mate 7, afastando-se um pouco das opções do Mate S. É uma jogada inteligente da marca.

É inevitável comparar o G8 ao Mate S, mais a mais porque foram apresentados ao mesmo tempo na IFA Berlinense de Setembro (e onde o Xá das 5 esteve). Fora o processador, repare-se que a câmara principal é quase idêntica, de 13MP com autofocus, OIS, dual tone LED Flash, gravação de vídeo a 1080p e todo o tipo de filtros criativos e alguns exclusivos da marca, faltando apenas o RGBW, o que faz muita diferença. A unidade frontal é menos boa, com 5MP comparando com os 8MP do Mate S. Contudo, lá estão os filtros de embelezamento para quem é fã de selfies. Em suma, estamos perante uma normal objectiva que encontramos em cada vez mais unidades. Tem boa qualidade e responde ao que se lhe pede, mas está muito longe de se assumir como um telefone “fotográfico”.

No que o G8 bate o irmão Mate S é na capacidade da bateria: 3000mAh são bem mais úteis que os 2700 do modelo mais caro. A razão? Simples: o G8 é um tudo ou nada mais espesso que o Mate S o que garante aquele espaço extra para uma bateria mais generosa. Esta capacidade pode dar mais “sumo” se tivermos em conta a gestão de aplicações. Através de uma secção própria, podemos e devemos desligar as menos usadas como passar para segundo plano as que sabemos que gastam mais dados, por exemplo. Poupamos de duas formas: tempo e dinheiro. Este conceito deve ter sido baseado no da Sony, pois os primeiros Xperia Z já possibilitavam fazer uma gestão deste género. Por exemplo, aplicações como o gmail ou facebook só ficam activas quando existe rede wi-fi.

O corpo não esconde o ar de família (Mate 7, Mate S), mas os dois remates plásticos no topo e base da painel traseiro que escondem as antenas, são um tanto ou quanto grosseiros comparativamente com todo o painel em metal. Por outro lado, a câmara está muito bem posicionada assim como o sensor biométrico que, tal como no Mate S, tem mais funções do que apenas aprender a nossa impressão digital para “acordar” o terminal: permite tirar e passar fotografias, atender e desligar chamadas, desligar o alarme ou abrir e fechar notificações (atenção que estas estendem-se por duas imensas páginas nos ecrãs principais). É ainda extremamente rápido, basta um ligeiro toque e já está. Recuperando as notificações, podemos controlar quantas e quais as Apps que queremos activas num de três tipos de alarmes: como banner, no ecrã de standby e “na sombra”. É realmente um mundo que vale a pena descobrir ao longo da utilização.

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O G8 tem quatro sensores de movimento que podemos programar: o virar para baixo, o abanar, o duplo toque no ecrã e o desenho de letra, verdadeiramente útil, e que serve como atalho rápido para quatro funções pré-programadas: desenha-se um W para abrir o weather (meteorologia), P para Photo/fotografia, M para Music/Música e C para Câmara. Existe ainda o Suspend Button que abre um menu ampliado em cima da função que estamos a usar e que permite, com uma só mão, escolher uma de várias opções.

O problema deste G8 é que a concorrência neste segmento particular existe em vasto número e em qualidade. Mesmo muita qualidade e com preços mais atractivos. Veja-se, para citar um exemplo, o caso do Asus Zenfone 2 que, na versão topo de gama, apresenta-se com 4GB de RAM e uma imensidão de aplicativos próprios. O Huawei G8 é elegante, está bem construído, tem um UI muito interessante e completo, uma extraordinária célula biométrica, mas não é o mais rápido do “grupo”, muito pelo contrário: nos testes fáceis que se fazem com o Antutu, o G8 não tem a melhor das notas. Se isto afecta o dia a dia de um normal utilizador? Está claro que não, mas pode ser razão suficiente para os mais “atentos” a este tipo de coisas escolherem outras opções.

Concluindo, o Huawei G8 replica a imagem e status dos topos de gama da marca, mantendo traços do design e algumas soluções realmente avançadas, como o sensor de impressões digitais, o melhor da actualidade. Permite uma enorme personalização, tem um belo ecrã e em tudo o resto faz o que promete. Mas o preço é algo elevado tendo em conta outras soluções do mesmo segmento.

 

PVP: 449,90€ em versão Dual SIM.

 

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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