Máquina de trabalho pensada para servir um grande número de profissionais, será que a HP acertou na mouche com esta workstation ZBook 15u?

Num repente, e para conseguir levar um certo barco a bom porto, disseram-me assim: olha João, tens de editar uns ficheiros de áudio e vídeo cujo resultado é bem capaz de superar, cada um, os 80 gigabytes.

Portanto, e como vais andar de um lado para outro, convém encontrares uma solução portátil e catita que te resolva esse imbróglio.

Ou seja, e por outras palavras, João, toca a encontrar um computador que tenha capacidade de processamento à séria para te safar dos problemas que, decerto, vais enfrentar.

E na verdade, esse decerto foi o meu dia a dia durante um par de meses.

O drama dos “DCP”

Não sei se sabem, mas para passar filmes em salas de cinema é obrigatório fazer um DCP, um tal de digital cinema pack, que, grosso modo, divide em seis ficheiros o filme que queremos ver.

E esses ficheiros vão desde todos os fotogramas do filme, ao som, à sua divisão em canais, informação e dados muito precisos e, ainda, as legendas e a sua colocação, para não falar de tudo o resto.

Ou seja, é um processo técnico complicado e complexo e que obriga a muito poder de processamento. Aliás, reforço, a um enorme poder de processamento.

Para isto é preciso um computador valente, uma coisa à séria, com muito poder e muita memória e patati patata. Ora se isto custa algum dinheiro em desktops, imaginem encontrar um computador portátil que consiga satisfazer, minimamente, estes requisitos.

Sim, existem aqueles para gaming, cheio de leds coloridos e design radical. Mas quase não são portáteis devido à dimensão e peso. A solução tinha de ser outra.

Felizmente, e porque na vida tudo são acasos, a HP enviou-me para análise um portátil que tem descrito WorkStation, o que me deu esperança. Será que esta máquina podia garantir o extraordinário desempenho que necessitava? Por fora sugeria ser um laptop normal, cinzento como os outros, e até com um peso decente, 1,8 kgs.

Um dos factores mais interessantes deste HP é exactamente o seu design clássico, que não dando muito nas vistas, sugere ser de gama alta. E esse é um dos grandes atractivos para o consumidor tipo desta espécie de arma computacional que quer ter uma bomba na mão mas passar sem problemas pela segurança do aeroporto.

O HP Zbook 15U vai na G6, ou seja, sexta geração. Oferece-nos um ecrã de 15.6 polegadas Full HD anti-reflexo com 1920×1080 pixels com, muita atenção, tecnologia de privacidade da marca.

Ou seja, podemos esconder o que estamos a ver dos olhares alheios premindo um botãozinho específico. É verdadeiramente cool e uma solução HP que tem bastante utilidade e que podemos encontrar noutros modelos da sua vasta gama.

Este ecrã é fantástico quando estamos em ambientes neutros mas já sofre qualitativamente sob a luz directa de uma janela ou quando trabalhamos no exterior, e convém ter isso em mente para quem gosta de trabalhar em esplanadas.

Características e tal

Vou deixar aqui mais umas especificações mas, já sabem, está tudo no site oficial: temos 16 gigas de RAM, um processador Intel i7 de oitava geração com uma gráfica integrada UHD 620 mas que, muita atenção, é coadjuvada por uma segunda gráfica dedicada, a AMD Radeon Pro WX 3200 com 4 GB de memória, o que é, muito sinceramente, bem bom!

O disco também me safou dos tais grandes ficheiros que trabalhei, pois estamos a falar de um M2 com 512 Gb de memória. Não é óptimo, mas chega e sobeja para as necessidades de quem trabalha ficheiros pesados e que transporte um disco externo para backup.

O Zbook não é acanhado em ligações, mas tem um pormenor estranho: por exemplo, contamos com uma entrada para cartão SIM que, por muito tempo, pensei que era um leitor MicroSD… e esse não existe.

Mas tem duas portas USB 3.1 (uma que recarrega os telemóveis), uma USB tipo C, uma HDMI, entrada para dock, leitor de cartões (tipo de cidadão) e, atenção, uma RJ-45.

É bem verdade, esta ligação física à internet através de um cabo, e que desapareceu de quase todos os portáteis, faz uma falta tremenda, garanto-vos, e pode safar muito trabalho quando o sinal wifi é fraco ou inexistente.

O som é portentoso através de duas colunas bem dissimuladas por uma grelha horizontal e é assinado pela Bang & Olufsen, o que dispensa apresentações. Temos ainda leitor de impressão digital e o muito útil reconhecimento facial Windows Hello.

Bom, o que falta nesta secção de características?

Ah, o teclado é retroiluminado e com sistema de drenagem, ou seja, pode levar com liquido que não se estraga, tem um excelente toque e teclas de acção directa pouco usuais, temos um sensor NFC no trackpad para conexão rápida ao telemóvel ou outro acessório.

E, para além do trackpad que dá excelente conta de si, uma daquelas borrachinhas tipo IBM com dois botões dedicados abaixo da tecla espaço que, sinceramente, não lhe entendo a importância hoje em dia e só usei uma vez para perceber que não me dá jeito nenhum.

Convém salientar que a HP fornece toda uma suíte de segurança para o utilizador profissional que procure evitar qualquer azar. Para além de sistemas de recuperação até à linha de apoio, quem compra um destes HP sabe que terá sempre ajuda para ultrapassar um qualquer problema.

Temos até uma janelinha que fecha a câmara frontal de forma muito prática e que deveria vir montada em todos os computadores da nossa vida.

Resultados

Vamos agora ao que realmente interessa que é saber se o Zbook 15U G6 conseguiu dar conta do recado e, para tal, nem vou perder tempo a explicar que se trata de um magnífico computador para qualquer um que trabalhe com software dedicado para edição vídeo, áudio ou design.

Nesse aspecto, cumpre todos os requisitos com muita rapidez, sem aquecer em demasia, embora o sistema de refrigeração pudesse ser melhor implementado, pois as ventoinhas de vez em quando fazem-se ouvir o que pode aborrecer quem está ao lado.

Mas, claro, falamos de trabalho sério e não de excell ou documentos word. Para ver vídeos no Youtube é até mal empregue, mas o sistema de som é francamente bom o que torna a experiência bem mais interessante.

Este monitor podia ser mais brilhante. E podia até ser maior, pois a moldura é grande para os padrões actuais. Mas serve bem os intentos e, como já referi, estando no interior apresenta uma qualidade imaculada.

Um exemplo? Liguei-o a um projector de vídeo num dia, a sala estava dividida à frente e atrás do Zbook e o público que estava sentado atrás preferiu ver os filmes através do ecrã do computador ao invés de mirar o enorme painel de vídeo uns metros à frente, tal era a diferença de brilho e qualidade de imagem.

8GB vs 16GB

Quanto ao tratamento dos tais ficheiros DCP, confesso que esperava um pouco melhor. Os 16 Gigas de RAM e a gráfica Pro WX 3200 são bem mais lestas que o meu próprio desktop, um Asus G20, ou até o laptop Lenovo com processador Ryzen 7 com uma gráfica Radeon RX Vega 10.

Aí a diferença de 8 para 16 gigas é notória e o HP desembaraça-se mais facilmente na reprodução dos ficheiros, se bem que com muitos drops vídeo e algum “engasganço”, mas muito menos grave que nos dois exemplos referidos.

Contudo, a rapidez com que transformou ficheiros MP4 ou MOV em DCP serviu-me muito bem, e o CPU até faz um turboboost para 44 watts mas por menos de um minuto, o que pode ser curto para algumas funções.

As gráficas vão fazendo ping pong o que, para trabalhos de longa duração que exigem uma maior e constante capacidade de processamento, pode suscitar alguns problemas. Mas percebo também o porquê ou um dos porquês: serve para poupar bateria, um dos argumentos de peso para a compra deste PC sendo para mais uma Workstation.

 Há outras vantagens na compra deste Zbook e que são invisíveis: por exemplo, mudar ou alterar componentes é uma tarefa simples, assim como até mudar o próprio teclado, o que geralmente é um filme de terror num portátil.

Em resumo

Para concluir, para quem serve uma workstation que fica a meio gás em alguns predicados? O Zbook 15U é perfeito para profissionais de certas áreas, mas não é, de todo, um gaming laptop. O seu design também não engana e aponta a um consumidor mais adulto e que são pretende dar nas vistas.

Tem aspectos melhoráveis, como tudo na vida, mas serviu-me bem num trabalho extremamente exigente em termos de processamento, mesmo que não tivesse sido perfeito em todos os requisitos.

Como computador de todos os dias, é mais que apto, pois responde a todas as necessidades de 95% dos utilizadores mais exigentes. É, ademais, leve, tem boa autonomia e carregamento rápido. Ah, e a ligação RJ45.

Eu sei eu sei… mas o que querem? Para que serve o melhor portátil do mundo se a ligação wifi é má?

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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