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Confesso que parti para este ensaio já com a total convicção que ia experimentar um modelo que, visualmente e no papel, era quase perfeito para mim. Primeiro, tem um número mágico, o 5. Depois surge um esbelto e enigmático X. Sim, a designação é perfeita para carro oficial do Xá das 5. Mas uma coisa é gostar das fotografias, outra entrar e procurar os bons e os maus pontos. E se à priori já gostava do 500X, essa era também uma razão para ser particularmente duro. Afinal é o que fazemos, certo? Procuramos os defeitos sempre com mais afinco exactamente nas coisas que nos cativam os sentimentos.

Quando se vai levantar um automóvel ao parque de imprensa, nunca se sabe qual a cor que nos calha. Mas não estava preparado para um primeiro embate tão diferenciado: o “meu” 500X apresentava-se numa cor titânio MATE. Sim, mate, que está na moda para quem faz tunning (ou “xuning”) e que pode ser, realmente, menos conseguido em termos visuais. Mas este Fiat 500X na vertente CROSS parece que nasceu para um tratamento deste género. É que lhe fica a matar, soberbo mesmo. Dá nas vistas… mas com classe.

Dei algumas voltas ao carro. Apreciei-lhe as linhas, os apliques mais dinâmicos e com imagem para todo o terreno, alguns apontamentos que reforçam o que a marca decidiu apresentar neste modelo: as melhores cartas do baralho através de materiais de grande qualidade, um nível de acabamentos acima da restante gama e toques desportivos muito apelativos. Sim, este era o Fiat 500 de que estava à espera.

E quando escrevo isto, peço-vos para revisitarem as experiências anteriores com o Fiat 500 S e o Fiat 500 Trekking. Comparando-os com este novel 500X, temos de ser unânimes e dar os parabéns à casa, mesmo que a traseira relembre outro modelo saudosista, o Mini da BMW, mas quanto a mim, bem mais conseguida no modelo transalpino.

Se por fora cativa, como seria por dentro? Como já mencionei, um grande melhoramento geral, tanto a nível de qualidade de materiais como de construção. Sabem aquela sensação que os bons automóveis transmitem em relação ao problema (típico português devido aos cada vez maiores e multiplicados buracos) dos ruídos parasitas? Pois este é, sem dúvida, o primeiro Fiat que nos garante que esses irritantes barulhos não irão surgir tão cedo. E a quilometragem no painel assinava esta percepção.

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Tudo está à mão, bem desenhado, com a imagem familiar presente nos mais recentes modelos da Fiat e, também, da Alfa Romeo. Sim, existem muitos pontos comuns o que é bom para quem compra o “mais barato”, desde manómetros, sistema de infotainment a chaves.

O conforto a bordo é uma realidade. Locais para arumação de pequenos objectos, principalmente as duas gavetas no tablier, muito práticas. Belos bancos, com muito apoio, servem-nos como casulos. Mesmo atrás, os passageiros sabem que vão viajar como lordes. O sistema de som é muito bom podemos ouvir música de várias fontes, desde Bluetooth às pens. O emparelhamento com o smartphone é muito rápido, mas o que se passou com o sistema de navegação da TOM TOM? Irritou-me de tal forma que deixei de usar os mapas, coisa que faço sempre que tenho um carro com eles equipado. Ou era defeito de programação ou do sistema, pois o mapa estava virado ao contrário, ou seja, de cima para baixo, e a seta da nossa posição desaparecia pela base. Decidi repor os parâmetros de origem, nada feito.

Este motor 1.6 Multijet vai na segunda geração. Oferece 120 CV o que parece pouco no papel, mas na prática é todo um mundo de diversão e força. Dá prazer guiar este 500X e embora seja um pouco molengão no arranque a baixas rotações, é muito voluntarioso em quase tudo o resto. O comportamento é cinco estrelas, muito estável, muito directo. Percebi-lhe um comportamento dócil em posição Neutral, mas bastava ligar o controlo DNA para Dynamic para termos um comportamento mais agressivo, mais “pesado” e, por conseguinte, mais agarrado à estrada. Não usei o All-Road porque o tempo esteve sempre seco e nem me aventurei fora da estrada. Afinal, é um 2×2 normal com plásticos a fazer de conta que é um 4×4 e há que entender isso.

Muito confortável para quatro passageiros, e até mesmo um quinto pode viajar bem, a capacidade da mala não é brilhante mas chega para um belo fim de semana. São 350 litros que são ampliados com os bancos baixados. Existem mimos aqui e ali, espaços para arrumação, manómetros vistosos e um ar retro. Mas o que mais me seduziu, para além do comportamento e dos materiais, foi a qualidade de vida a bordo. A insonorização é top e esta unidade não deixava transparecer nenhum queixume ou vibração mesmo já tendo rodado 10.000 km sob as mãos de diversos jornalistas. Os consumos são outra boa notícia: cerca de 6,5 em cidade e num ritmo vivo.

Adorei.

E o preço é simpático: esta versão ronda os 23000 euros.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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