Fui o feliz dono de uma Nex 5, a primeira que surgiu com lente pancake. Fiquei muito contente com ela, principalmente em vídeo, e só a troquei por outra máquina porque precisei de diferentes características na altura.

Contudo, deixou alguma saudade. Mas a vida prega-nos partidas e uma delas foi quando a Sony me telefona dizendo que tem as novas Nex para o Xá das 5 ensaiar. E leram bem, plural, as duas novas Nex! E num repente chegaram-me às mãos a 5R e a 6.

Começo já por dizer que a 5R é uma peça extraordinária de tecnologia, melhorando o que já era bom nas suas antecessoras, utilizando um touchscreen directo e prático e mantendo toda esta qualidade quase DSLR num corpo minúsculo. O único problema da 5R é a… 6. E tendo as duas ao mesmo tempo, e com a mesma lente, percebe-se bem as diferenças de concepção entre ambas, para além de almejarem um target muito diferente.

O ensaio da Nex 6 será publicado daqui a uns tempos, agora é tempo para dar a conhecer esta fantástica 5R.
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A Evolução

Da 5 passámos para a 5N e agora para a 5R. Em termos práticos, as 5 são muito similares desde a primeira versão o que comprova que os utilizadores gostaram desta alternativa qualitativa às diversas opções do mercado. A Sony também capitalizou muito nestes poucos anos, sendo cada vez mais preferida por fotógrafos semi e profissionais. Neste preciso momento, a marca nipónica já guerreia com as duas marcas estabelecidas e em diversas frentes, o que é um sinal vigoroso e até alarmante para as concorrentes.

A 5R mantem algumas das características técnicas do modelo que vem substituir, apresentando um sensor APS-C com 16mp, gravação vídeo em full HD 1080p até 24 e 60fps em AVCHD, decrescendo para uns muito utilizáveis 1440×1080 em MP4 e os estonteantes 10 retratos com autofocagem contínua, para além do ecrã multi-táctil.

Mas também soube ouvir as críticas e a grande evolução da 5R não é electrónica nem técnica, mas sim física com a inclusão de mais botões para um eficaz e rápido controle manual.

Outras melhorias? Inclusão das capacidades Wi-Fi (que terá mesmo de ser utilizada para podermos baixar algumas aplicações e efeitos, etc.), um sistema de autofocagem melhorado e um ecrã de 3” que agora é mais manobrável, chegando mesmo a conseguir um ângulo de 90 graus para cima (e 50 para baixo) para assim permitir auto-retratos ou filmagens de uma forma bem catita e prática. Bom toque, Sony, e que faz falta à Nex 6, assim como o ecrã touch. Como se vê, nem tudo é melhor na irmã mais cara…

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Características

Muitas e boas, como se diz, a que já a gama Nex nos acostumou. Dois modos automáticos (inteligente Auto e Superior Auto) estão logo ali na roda de selecção de modo e com resultados entusiasmantes (embora não muito diferentes entre si). Mas como esta 5R tem muito mais sumo que isso, lá estão os modos PASM, os filtros e os efeitos. Faz panorâmicas extraordinárias e a focagem manual tem ainda a ajuda do já famoso quadrado branco em zoom que nos mostra os rebordos da imagem muito ampliada para podermos corrigi-la. Gosto muito desta função e uso-a sempre que posso.

É uma câmara que nos permite muita acção manual mas que ajuda imenso com os seus variados modos de autofocagem e optimização HDR.

Muito rápida e com um novo autofocus preciso e constante (Fast Hybrid AF) que combina a detecção por fase e por contraste, é um prazer tirar uma sequência de 10 fotogramas ou mesmo filmar situações com mais acção e foi um campo em que a gama Nex melhorou.

Outra coisa boa (curiosamente não presente na Nex6) é a possibilidade de carregar a bateria (bem boa, por sinal) através de um qualquer cabo micro-usb que, feliz e finalmente, começa a ser considerado como standard. Sabem quantos acumuladores tenho eu ali nas gavetas??? Não vou nem dizer.
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Botões

O corpo da R é muito similar à N mas existe um novo botão que salta logo à vista pela grande dimensão e perfeitamente colocado para ser rodado pelo nosso polegar. Este comando é baseado na irmã topo de gama Nex 7 e controla vários parâmetros dependendo do modo escolhido. Por exemplo, em modo A ele abre ou fecha os valores de abertura da lente, em S aumenta ou diminui o tempo do disparo, etc. Muito útil, muito dinâmico e prático. Um factor realmente plus para a 5R.

Os outros comandos, já conhecidos, lá estão, três sendo passíveis de programação enquanto a roda com quatro importâncias viaja pelos muitos menus fáceis de entender e escolher. Esta roda também comanda totalmente os vários modos quando optamos pela opção manual e tem as quatro funções usuais, desta feita com os valores ISO à direita o que é muito lógico. O botão multifunção FN está nesta Nex localizado mesmo à frente do disparador e dá acesso imediato aos modos de focagem, balanço de brancos, efeitos de imagem e filtros.

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Facilidade de utilização

Está tudo ao alcance das pontas dos dedos, pois o corpo desta 5R é minúsculo (pouco maior que o da Nex 3). A objectiva ideal seria uma zoom no corpo de uma pancake, mas tal só em sonhos. De qq forma, a 18-55 f/3.5-5.6 OSS de kit é agradável, cumpre objectiva e qualitativamente e é muito boa em termos de vídeo. Logicamente que as novas lentes Carl Zeiss são de outro campeonato e emprestam às NEX todo um novo mundo qualitativo, mas o preço é alto.

Todos os comandos principais estão à mão e é curioso como nos sentimos mais à vontade a cada sessão que passa. A memorização das várias localizações, porque poucas, é rápida e como podemos programar as funções que mais utilizamos em determinada situação em três botões e guardá-las em bancos de memória, fazem com que tudo seja fluido e muito rápido de operar.

Interessante como o botão directo de ISO e o FN mais a roda superior estabelecem uma automática ligação com o fotógrafo… gosto muito desta gama Nex e fico contente por perceber que está a melhorar nos pontos melhoráveis a cada nova geração que, neste momento, parece ser anual.

Os mais profissionais podem achar que ainda existe pouco controle manual, mas a Nex5 está precisamente naquele limbo em que oferece quase tudo de uma DSLR num corpo muito compacto, quase transportável num bolso se não fossem as lentes.

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Ecrã touch com botões ao lado

 

É difícil falhar uma fotografia com esta Nex e isso tem várias razões: a primeira é a qualidade de construção do corpo (da objectiva em metal) e com acabamentos de grande nível. Temos ainda em consideração o equilíbrio do conjunto e a localização dos botões, facilitando a operação com uma mão, mas perfeita para o apoio da segunda. Por falar em apoios, um dos maiores é garantido pelo fabuloso estabilizador de imagem óptico, área dominada pela Sony desde há muito tempo (mas com grandes melhorias recentes em outras marcas). Logicamente que com menos tremeliques, mais facilitado o maior tempo de exposição, o que garante resultados muito bons.

A enorme diferença da Nex 5 (e 3) para as mais caras 6 e 7 é a ausência do visor electrónico integrado, o que constitui mesmo um milagre de engenharia na 6/7 pois o corpo não é muito maior que a 5. E, como ambas estiveram na minha mão ao mesmo tempo, deu mesmo para sentir essa falta na 5. O ecrã é muito bom e facilita a leitura, mas eu gosto de encostar o olho e já estou habituado a estes visores digitais. Ok, podemos esquecer a 6 porque o preço é muito mais alto o que, realmente, é verdade. E também não tem touch nem ecrã rotativo a 90 graus, mas…

O ecrã touch é até bem visível sob a luz diurna, mas não naquelas alturas em que o sol de Lisboa brilha mais do que no resto do mundo. Aí torna-se francamente difícil, como em todas as câmaras que não têm visor, de conseguir escolher as opções e funções. Podemos sempre tornear o problema colocando a 5R contra o sol até fazermos as escolhas, mas não é prático. Contudo, é mesmo a menor valia desta Sony que, vamos ser sinceros, também só estou a mencioná-la por causa da Nex 6. Convém também pressionar com força o ecrã touch, visto que a resposta é capacitiva e mais difícil de se conseguir e bem mais lenta do que estamos habituados nos mais recentes smartphones topo de gama.

Confesso que ainda não me habituei totalmente a usar um ecrã touch numa câmara fotográfica e dou por mim a optar pelos comandos físicos, mas até isso está a mudar (o que verifiquei recentemente com a utilização da Canon EOS M) e vou ter mesmo de me habituar, pelo que antevejo…

Há, contudo, uma função que os ecrãs touch tornam possível e que é tirar uma fotografia escolhendo o ponto de foco pelo pressionar do dedo. Não é tão rápida como a operação “normal”, mas torna-se francamente viciante pois os resultados são impecáveis e poupam imenso trabalho. Só por isso gostaria de ter uma câmara com um ecrã touch.

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Wi-Fi, Apps, downloads e choque

Os menus, já se sabe, são imensos nas câmaras mais recentes, pois há cada vez mais opções e funções. E agora com este novo mundo wireless, tudo é ainda mais complexo com mais menus e mais funções.

Na verdade, e para quem está habituado a smartphones ou tablets, até é lógico. Mas para quem ainda não abraçou esta nova e recente tecnologia “esperta”, a coisa pode dar uma valente dor de cabeça. Até estou convencido que as capacidades Wi-Fi de cada vez mais câmaras serão as menos utilizadas. Ou então, e por impulso de alguém que quer perceber tudo o que é novo (confesso o meu caso), vai ser esmifrada durante uma hora. Mas depois, porque no final do dia queremos é tirar a melhor foto possível, estará lá arrumada no seu menu.

De qualquer forma, é uma das grandes novidades da 5R que permite fazer o downloads e instalação de um número crescente de apps, mas que pede pagamento extra por algumas. E o que não constitui um choque nos smartphones, é-o nas câmaras fotográficas. Pelo menos para mim! Fiquei em choque quando me pediram dinheiro para usar um filtro qualquer… estou velho, é o que é.

Mas vamos lá ver uma coisa: quantos de nós têm software oficial de edição de imagem no computador para dar uns retoques às fotos? Pois estas apps, ou parte delas, servem exactamente para isso e por valores que rondam os cinco euros (à altura que a tive na mão). Portanto, existe todo um novo mercado se for bem “educado”.

E encerro aqui este segmento, pois confesso que não fui ainda seduzido por esta tecnologia (embora me garantam que a Samsung Galaxy Camera abre realmente a nossa perspectiva, mas a ver vamos).

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E a conclusão

Sou, como disse, um fã das Nex e fico satisfeito por ver que a 5R é melhor que a 5N que é melhor que a ex-minha 5 “simples”. A qualidade de imagem é fabulosa, tanto em foto como em vídeo (campo em que a Sony continua a dar cartas), os controlos manuais são realmente úteis e a nova roda de selecção é preciosa. O som é de qualidade mas… cuidado com o vento.

Não nos podemos esquecer que já estamos numa gama de preços em que se pode adquirir uma entrada de gama DSLR/DSLT, aliás, até podemos adquirir a alpha57 mais ou menos pelo mesmo valor. Mas as Nex foram feitas para pessoas que não querem carregar o peso de uma DSLR e não podem sacrificar em muito a qualidade de resultados.

Depois existe a questão da oferta de lentes, mas este é também um campo que já conheceu piores dias. Faz-me falta o visor da Nex6 para optar por ela e bem que o trocava pelo wifi e ecrã touch. Mas infelizmente, tenho de gastar mais 200 euros para chegar à gama logo acima e isso é o preço de uma lente.

Resumindo, o mundo não é, de todo, perfeito. Nem a 5R o é. Mas dentro da gama de preços e pelas suas características físicas, é muito difícil encontrar quem a bata. E isso já é dizer muito, não acham?

Termino dizendo que fiquei outra vez com a febre Nex, coisa que julgava curada desde que vendi a minha 5. Mas pelo que gosto de fazer, da forma como o gosto de fazer, decidiria trabalhar mais uns meses e juntar a diferença para a 6.

 

Galeria de fotos sem qualquer tipo de edição

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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