Historial

Antes de mais, vou ser muito sincero: sempre tive Sonys desde que sou eu a escolher (o meu pai preferiu Nec e depois Toshiba). Talvez devido a ter começado a trabalhar numa produtora de vídeo (o famoso primeiro emprego) e estar rodeado pelo logotipo nipónico, sempre tive tendência para escolher a marca e, posso afirmar, nunca conheci um problema (exceptuando o que obrigou um técnico da Sony vir até minha casa onde estava a extraordinária FD1 e, com um telecomando gigantesco, ter entrado em menus a que um reles mortal não tinha acesso e com isso resolver a coisa).

Naquela altura havia duas palavras mágicas que acompanhavam as Sony: “Black Tinitron”. Quem não se lembra? E se eram desejáveis…

 

Mas o mundo mudou, os sul-coreanos juntaram algumas políticas (Samsung e LG) e o mercado sofreu um enorme volte face, com os equipamentos destas marcas a inundarem as lojas com políticas de preço imbatíveis ao mesmo tempo que ofereciam as últimas novidades tecnológicas.

Esta realidade era tão evidente até ao início deste ano, que até eu escolhi uma Samsung para a sala da minha mãe que, acima de tudo, procurava um telão com bom som (a vista e a audição já não ajudam). Escusado será dizer que a Nec que o meu pai comprou em meados dos anos 80 e que foi o primeiro TV a cores lá de casa, ainda funciona no escritório. Ah, pois é!

Mas alguns meses servem para mudar algumas coisas…

 

Existem alguns fabricantes clássicos que, mesmo com tecnologias próprias e de vanguarda (Philips Ambilight), escolhem um caminho diferente e, se num repente olharmos, poucas marcas da nossa meninice resistem aos novos tempos. A Sony é uma delas e está a dar a volta… de que maneira.

Apresentação

Os “dizeres” na embalagem e autocolantes são poderosos: é uma Bravia com ecrã Dinamic Edge LED 1920×1080 Full HD 3D, acesso directo à Internet Tv, tudo embrulhado num vistoso Monolithic Design, com Motionflow XR a 800Hz e Picture Engine X Reality Pro.

Se tudo isto não convence…

Após tirá-la da embalagem, operação que precisa de duas pessoas, finalmente eis-nos chegados ao início das impressões sobre esta já famosa HX85, um mega LedTV de 46” (116,8cm) que cobriu a largura do móvel AV e envergonhou sobremaneira a KDL de 37” que está pendurada na parede. Sempre gastei bom dinheiro em tvs pelo simples motivo de terem mais e mais ligações, pois existiam sempre vários equipamentos em casa. A HX85 está preparada para os novos tempos, com quatro HDMIs, dois USBs, RGB, Scart e VGA, mais a imprescindível saída para auscultadores o que, curiosamente, não é assim tão comum noutros modelos. Existe ainda uma outra ligação directa para a base de metal onde estão (muito bem dissimulados) os altifalantes estéreo.

Existe também a ligação LAN mas podemos optar pela possibilidade wireless. Basta digitar a password e a HX85 trata de tudo com rapidez.

“InterTV”

Eis-nos chegados à era SmartTV que a Sony demorou a abraçar mas agora fá-lo com gosto e chama-lhe “Sony Internet TV”. Inúmeros menus, acesso ao universo exclusivo da marca via Sony Entertainment Network (e isto quer dizer muito, o que é logo demonstrado pela App exclusiva para os tablet e smartphones que replicam parte dos comandos e possibilitam um streaming muito rápido e wireless), e comandos directos para o browser e redes sociais. O Skype já lá está e basta uma pequena e barata câmara de computador por USB para podermos ligar aos amigos bem sentados no conforto do sofá. Seria bom se a Sony equipasse de raíz esta HX com uma, mas pode ser que venha na próxima geração.

Logicamente que a integração com a Playstation é perfeita o que é importante para muitos consumidores.

Esta Sony tem uma qualidade de imagem extraordinária. E não sou eu que o digo mas os amigos que tiveram a sorte de vê-la a funcionar. Primeiro temos que a programar a nosso gosto e todas as opções são rápidas, inclusive em áudio. O comando é leve e parece antiquado, mas tem lógica e os botões estão bem dimensionados e colocados. A tal App faz que o nosso smartphone lhe tome o lugar com mais, enfim, modernidade.

Mas a qualidade de imagem depende sempre de factores externos, e aqui faço um reparo crítico ao fornecedor triple play, e não perdoa qualquer fantasia ou mentira promocional de não sei quantos canais HD.

A maior parte dos canais são apenas péssimos! Arrasto, cores misturadas, uma qualidade quase de VHS… vá lá, Super VHS. Mas, ao contrário do que se possa pensar, este é um não problema! Logo no momento em que temos a sorte de chegar a um canal que está a ser emitido em HD (ou pelo menos em alguma coisa que eles dizem que é HD), o choque e o espanto é geral! Somos, num repente, levados para outro mundo e abrimos um grande, enorme sorriso. Afinal, valeu a pena empatar tanto dinheiro em qualidade…

Deixamos de ter os problemas mencionados e, confesso, custa a habituar-mo-nos a tamanha dimensão qualitativa. Bom, o enorme ecrã também ajuda…

 

Externos

Contudo, e na verdade, o derradeiro teste não estava feito. Faltava ver filmes em DVD, BluRay e 3D.

A Panasonic, gentilmente, cedeu para ensaio o seu portentoso gravador Bluray BWT 700 (convém mencionar que o modelo mais básico BTD500 venceu o EISA na sua categoria) e, num repente, fez-se luz. Uma luz brilhante e portentosa.

Comecei a entender porque é que se fala tanto desta gama da Sony, porque ganhou os prémios internacionais e, inclusive, o desejado EISA 2012.

Mesmo só com um DVD, a explosão de cor, de pormenor, de extremos qualitativos do mais denso negro ao mais puro branco, são imediatamente perceptíveis. Se bem que tenha escolhido um DVD da Criterion, sempre com qualidade acima de qualquer suspeita, fiz o último teste com dois discos Bluray, uma gravação péssima do “The Big Fish” e outra extraordinária do “Blade Runner”. E confirmei a qualidade de ambos, retirando quase imediatamente a película de Tim Burton e ficando, mais uma vez, à espera do apocalípse densamente azulado da obra prima de Ridley Scott.

Falta mencionar o 3D e confesso a minha primeira experiência com um televisor desta dimensão e com óculos activos (recarregáveis por usb). Este modelo TDG-BR250 chegou no tamanho regular e ainda consegui colocá-los por cima dos meus óculos 2LP (duas lentes progressivas). Mas são pesados e, para mim, apertados. Contudo, gostei francamente de ver alguns momentos do disco de experiência visual da própria Panasonic, com os vários formatos 3D, com o Full a constituir uma boa surpresa. Mas, como não sou fã no cinema também não o sou em Tv. Mas isso sou eu, bem vi a mais nova e uma visita menos nova entusiasmadíssimas com a oportunidade e a tentar agarrar os objectos que vinham direitos a elas.

Som

Há que mencionar a qualidade áudio. A colocação dos altifalantes na base, bem separados e com maior dimensão por não estarem dependentes da moldura do televisor, envergonham o meu Sony pendurado na parede. E envergonham a maior parte dos LCDs que tenho ouvido em todo o lado. O som é cheio, tem dinâmica e graves, coisa rara, e a imagem estéreo é, realmente, verdadeira. Logicamente que um telão desta dimensão merece outra solução, com mais colunas e cabos e amplificação, mas até conseguir a quantia para chegar lá (ou o espaço em casa), não nos podemos queixar muito.

Deixei para o fim o design. Já sabemos que a grande diferença dos japoneses para os outros, é a qualidade de construção e esta HX85 não desilude, muito pelo contrário. Por sua vez, o design é belíssimo, um perfeito monolito negro com uma base metalizada que lhe confere uma modernidade classicista à prova de qualquer ambiência ou decoração.

Concluindo

Se eu gosto da HX85? Sim. Simplesmente e numa palavra, sim. Estou rendido e agora vivo um problema que é ter de a entregar a seus donos com a família aos berros e agarrada a ela para não sair pela porta.

Se permitisse a reprodução de legendas srt por usb, independentemente dos codecs vídeo, era perfeita. Falta-lhe isso para a minha total utilização. Mas compreendo que apenas uma pequena percentagem da população interessada neste tipo de tvs percebeu o que acabei de escrever, portanto, é outro não problema.

 

Também não são todas as que vencem o Prémio EISA para melhor tv 3D do ano…

 

Camila Hoffman

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