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A Scénic XMOD é visualmente bastante diferente do conceito que lhe dá origem, ou seja, continua a ser um automóvel robusto e espaçoso para transportar com segurança toda uma família e a muita bagagem, mas apresenta-se com um design mais agressivo e alma aventureira. A Renault tem grande historial nestas propostas e, por isso, pode dar-se ao luxo de lançar uma versão mais, podemos dizer, radical. E os olhos agradecem.

Esta XMOD de ensaio tem um motor 1.5 dCi com 110 cvs, common rail e turbo e debita 260Nm a partir das 1740 rpm. Valores bem interessantes para uma carrinha/monovolume familiar, mas que nos deixa a aspirar por mais devido a toda a exuberância visual desta proposta.

Falamos, contudo, de um motor com provas dadas, com pouco apetite, os valores variam conforme as situções, mas não se esqueçam que é um carro… pesado. De qualquer forma, consegui um excelente valor com 5,1 l de consumo médio no final da experiência. Como esperado da Renault, o conjunto é confortável q.b. e filtra bem este medonho piso lisboeta, principalmente depois de fortes chuvadas e inundações.

É um modelo muito simpático para grandes viagens e aventuras, pois tem características muito interessantes, como os variadíssimos espaços de arrumação, todo o equipamento que já esperamos num automóvel deste segmento e alguns extras como mesas tipo avião nas costas dos bancos frontais com três bancos singulares atrás (rebatíveis individualmente ou em conjunto), um cofre escondido (não vou dizer onde, terão de comprar um Xmod) e uma autonomia extraordinária (dizia o computador com o tanque cheio de 60 litros de combustível que eu poderia ir-me embora e parar só no fim de 1200 km).

O seu visual é coerente também com algumas escapadelas do asfalto, pois este XMOD dá-se muito bem com terrenos arenosos, devido ao sustema Grip Control que transforma este monovolume numa espécie de jipe com limites. Ou seja, podemos ir até aquele monte em estrada de terra com algumas armadilhas, mas desde que não sejam muito profundas ou demasiado lamacentas.

Controlamos a tracção através de um comando rotativo na base da consola central que tem três modos:

«Expert»: o dispositivo faz a gestão do sistema de travagem, deixando ao condutor a gestão total do controlo do binário do motor.

«Estrada»: o sistema funciona como um clássico sistema anti-patinagem e liga-se, automaticamente, quando a velocidade atinge os 40km/h.

«Fora de estrada» (ou Solo escorregadio): o dispositivo optimiza os controlos dos travões e do binário do motor, em função das condições de aderência.

 

O exterior

Muito dinâmico, cheio de apliques e protecções de plástico e/ou metal, fica com um ar muito cool e jovem. Mesmo nesta cor mostarda que, confesso, já é abusar um pouco da minha boa vontade (e gosto), visto que nem sou fã de castanho chocolate e branco pérola, infelizmente para mim, as cores das modas mais recentes. Gosto bastante da originalidade do conceito e até passei a olhar a Scénic com outros olhos, pois esta versão agrada-me bem mais que tradicionais. Todas estes extras visuais fazem com que a Xmod pareça até mais alta e maior do que é na realidade, mesmo tendo em conta o ligeiro aumento de altura ao solo.

A grande vantagem é que nos faz pensar sempre que nos aproximamos… vou para o emprego ou visitar os alpes?

 

 

O interior

Completo, confortável, com um sistema de som convincente, ar condicionado automático, GPS, computador muito completo, em suma, aquilo a que a Renault designa por R-Link e a que já nos habituou nos mais recentes modelos melhor apetrechados.

O ecrã táctil integrado tem leitura muito fácil e completa, como podem comprovar pelas imagens, e oferece um conjunto de ligações para áudio externo, para além do sistema de navegação e ligação bluetooth.

Uma palavra ainda para a ligação internet, que nos permite utilizar Apps (umas gratuitas, outras que se fazem pagar), como o twitter, email, meteorologia, estações de serviço e preços, e muitos etc.

Logicamente que estes mimos têm um valor e este tipo de opções inflaccionam o preço final do Xmod que nos convence, numa primeira razão, por ser simpático.

Já mencionei os bancos traseiros, individuais, que rebatidos, oferecem uma plataforma de carga com 1870 litros. Em situação normal, podemos contar com os 470 l da bagageira.

Infelizmente, não consegui chegar à posição de condução perfeita e estou em crer que tal acontece pela colocação dos pedais que estão ligeiramente deslocados. Com tanto espaço, não estava à espera deste tipo de limite.

 

Conclusão

Gostei do ar jovial, moderno e aventureiro desta Xmod. É daqueles carros que nos provocam para sairmos do dia a dia convencional, que nos convida a darmos uma volta por estradas mais empoeiradas e com a mais valia de podermos levar toda a família, bagagens e o cão.

Está muito bem equipado e é confortável q.b., sendo também económico na utilização quotidiana.

Visualmente (não nesta cor) é muito atraente e os nossos olhos demoram-se nos variadíssimos apliques. Mas não se esqueçam que alguns são de plástico o que significa que o Scénic Xmod não é um jipão 4×4, por muito que nos tente convencer e que visualmente chegue lá.

 

PVP: a partir de 27.650 euros

A actual gama Renault Scénic obteve 5 estrelas Euro Ncap e é abrangida pelos 5 anos ou 150.000 quilómetros de Garantia Renault.

Entre outros elementos, contam-se como equipamento na versão ensaiada:

– Ignição automática dos faróis e dos limpa-pára-brisas,

– Regulador/limitador de velocidade,

– Faróis direccionais bi-xénon com orientação de luzes de cruzamento em curva,

– ABS com repartidor electrónico de travagem, auxílio à travagem de emergência (AFU) de série

– ESC (Electronic Stability Control) com função adicional de controlo de sub-viragem (CSV),

– Sistema Renault de protecção de 3ª geração, incluindo a protecção anti queimaduras (duplo pré-tensor, limitador de esforço e airbags adaptativos)

– Duplos sensores de choque lateral e airbags tórax/bacia/abdómen bi-câmara,

– Pontos de fixação Isofix de 3 pontos para a colocação de cadeiras de criança nos três lugares da segunda fila.

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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