Convem, antes de mais, esclarecer a maior virtude desta proposta: o preço a começar nos 9990 euros! O mote da campanha de lançamento foi, logicamente, o slogan “escandalosamente acessível”.

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A Dacia tem vindo a ganhar reputação e vendas num mercado viciado em logotipos, principalmente germânicos, realidade que final e infelizmente devido a uma prolongada crise, foi obrigada a mudar. Mas o que não falta são propostas honestas a valores mais comedidos, desde opções nipónicas ou gaulesas até ao mais recente “ataque” sul coreano.
A Renault, querendo reforçar a sua presença em mercados emergentes, apostou nesta sub marca com uma politica muito simples: garantia a baixo preço! E não se ficou por isso, fez estudos concretos e lançou modelos que respondem a necessidades muito particulares, mas deveras importantes: o nicho dos SUV citadinos (um conceito muito apreciado pelos lusitanos) e modelos ligeiros com capacidade para levar até sete passageiros. Pelo sucesso comercial dos Duster e Logan, a aposta está mais que ganha.

Esta solução dos sete lugares foi muito importante. Posso até comprová-la devido ao quase desespero vivido por uma famí­lia amiga que tem um agregado exactamente com esse numero e que se fartou de vasculhar o mercado em busca de uma solução. Encontraram-na na Dacia e tem sido uma relação, até agora, em que a honestidade é o factor principal: gastaram quanto podiam para a necessidade que tinham. Daí reforçar que o posicionamento da Dacia é, acima de tudo, honesto.

 

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Conforto e equipamento

A nova Logan MCV oferece a mais tradicional disposição de cinco lugares com uma mala em que deve caber “meio mundo e arredores” e deste modo pisca o olho a outro tipo de consumidores com outro tipo de características, desde o jovem desportista que quer levar a bicicleta até à montanha, como o dono de um pequeno comércio que o obriga a transportar a mercadoria.

Quando se opta por um Dacia sabemos que o preço reflecte a qualidade de construção, acabamentos e equipamento, mas o MCV reserva uma surpresa ou duas nestes capítulos. Em primeiro lugar, esta nova geração apresenta linhas mais modernas e fluidas, dando um grande salto em frente se tivermos em linha de conta a primeira versão. Está mais encorpada, moderna e até consegue ter um ar de segmento superior. Mas a maior das surpresas é o ní­vel de equipamento que se encontra na oferta base, não faltando nada para a condução do dia a dia no modelo ensaiado, à excepção do GPS inserido no sistema Media Nav que tem um custo adicional de 300 euros (inclui ecrã táctil de 7″, etc.) e que é daqueles extras que valem bem o esforço adicional. De resto, desde o ar condicionado até às entradas digitais para os leitores mp3, está lá tudo.

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Convem, antes de mais, esclarecer a maior virtude desta proposta: o preço a começar nos 9990 euros! O mote da campanha de lançamento foi, logicamente, o slogan “escandalosamente acessível” e consegue um feito que é obrigar um chefe de família (numerosa) ou profissional que precisa das vantagens de uma break a pensar se vale a pena comprar um modelo usado com algum prestígio ou optar por um carro novo…

O espaço é abundante para condutor e passageiros e a mala é extraordinária. Sente-se que o carro é grande e algo pesadão, pois a motorização TCE com 90 CV a gasolina não lhe é tão favorável como no Clio. O design também explica alguma desta preguiça, pois a Logan é mais alta e menos esculpida. Contudo, a posição de condução é boa, o conforto a bordo suficiente e o sistema Plug&Radio oferece conexão bluetooth, USB e jack auxiliar. Todos os comandos são simples e estão à mão, sendo a praticabilidade levada à letra.

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Motor e comportamento

Este bloco TCe com 90 cvs de três cilindros também equipa o novo Clio (ler ensaio aqui) e oferece uma performance bastante interessante para uma tão baixa cilindrada. A Renault conseguiu “sacar” 90 Cvs de 899 cm³ com um turbo de baixa inércia e que oferece 90% do binário (135Nm) às 2000 rpm. Como quem costuma ler os ensaios do Xá das 5, sabe bem que estes valores são preciosos para quem é realmente profissional do sector. Para mim, interessa-me mais os anunciados 5l de consumo a cada 100 km em ciclo misto. Confesso que gastei um pouco mais (média de 6), mas também espremi o bloco de uma forma, aqui e ali, mais enérgica. Gosto deste motor, acho-o bastante interessante tendo em vista tudo o que está descrito acima. Mas gostei mais dele no Clio, tenho de confessar. Contudo, não há milagres e os consumos aumentam ao transportarmos passageiros e bagagem. A caixa de velocidades destoa daquilo que estamos habituados na casa mãe. É muito dura e, por vezes (pelo menos na unidade ensaiada) obrigava a uma certa atitude mais, digamos, enérgica.

Conclusão

O Logan MCV é, acima de tudo, um carro honesto, trabalhador, directo ao assunto e, mesmo assim, consegue, com este design mais conseguido, piscar o olho à malta mais moderna. Do que não gostei mesmo foi de alguns acabamentos, principalmente na tampa interior da bagageira cuja alcatifa já estava descolada da tampa do compartimento do pneu sobresselente. Os plásticos, muito duros, deixam adivinhar ruídos parasitas lá mais para a frente. Mas depois penso nos 10 mil euros… ou pouco mais com extras e tenho de admitir que estes problemas passam a ser preciosismos. Afinal, também sabemos ao que vamos e a marca tem uma frontalidade acima de qualquer suspeita.

Para quem procura um carro comedido nos consumos, com grande habitabilidade e que permita o transporte de imensos volumes, pode olhar para esta MCV. Não fossem alguns materiais e acabamentos, podia mesmo fazer concorrência a modelos bem mais onerosos.

PVP> a partir de 9990 euros

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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