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Seremos a primeira geração Cyber Sapiens?

 

Se os 40 são os novos 30 e por aí adiante, o que acontecerá a todos estes cotas, nos quais ainda me permito incluir, quando atingirem um grau mais, enfim, sénior? O que nos acontecerá num mundo ainda mais digital e em que toda a noção real de uma vida está dispersa por tecnologias que nos ajudam a relembrá-la, oferecendo-nos memórias em 20k ultra-hiper-resolução e em que teremos uma câmara de vídeo acoplada no nosso olho esquerdo para permitir projectar essas memórias numa parede, mas também gravar tudo e todos quantos nos rodeiam, mesmo sem consentimento porque será generalizado?

Tenho para mim que nessa altura, daqui a quatro décadas, existirão dois tipos de séniores: os e-velhos e os iVelhos.

Os primeiros são os que, nos dias de hoje, gostavam de ter consolas de jogos e smartphones, talvez uns tablets, e que alinharam na banca online (até que colapsou em 2030 na primeira neo-guerrabyte), perdendo o pouco que tinham e sobrevivendo a partir daí num programa governamental que os alimentava a soylent green 5.0.

Os segundos ficaram conhecidos ao virar do século como a geração Jobs, aquela que comprou todos os equipamentos com o símbolo da maçã que, curiosamente ou não, passou mais tarde, por volta de 2025, a ser o emblema de uma inconformada horda anti-evolução-democrática, um movimento social que defendeu que todas as crianças, sem excepção, deveriam nascer iguais, com chips idênticos e acesso a software gratuito em troca de alimentação, cama e farda lavada. Esse movimento faliu com o crash da Bitcoin.

Os e-velhos e os iVelhos terão, contudo, um imenso problema: ser-lhes-á exigido que retomem as suas funções da longínqua vida profissional, quando eram considerados válidos e produtivos, pois toda a geração imediata revelou-se demasiado existencialista e simplista para entender o trabalho como carreira e objectivo social comum, dividindo-se nos sub-grupos FITC (Fama Imediata a Todo o Custo) e EPNT (Estou-me Perfeitamente nas Tintas).

A coexistência não será pacífica, mas acontecerá devido à mediação de uma vaga de proto-pacificadores, jovens que ainda experienciaram a carreira académica até ao máximo dos seus  graus e que se aventuraram nos conceitos neo-sociais, protótipos que eles próprios evoluíram como conceitos e aplicações multi-formato e que tiveram o seu auge por volta de 2020.

Portanto, e vislumbrando este possível futuro, os 40 que são os novos 30 nos dias de hoje, podem vir a ser os 20 daqui a duas décadas com as transformações da medicina que nos possibilitarão uma vida sem limites e com constantes revisões e restylings.

Estão preparados para ser a primeira geração de Homo Cyber Sapiens?
Eu estou! Mas com todas as peças made in Europe, se faz favor.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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