apple rosca

O smartwatch mais aguardado de sempre, pelo menos desde há dois anos, foi ontem exibido na apresentação oficial da Apple, assim como os pares iPhone 6 e iPhone 6 Plus.

Mas… a maior parte das críticas, inclusive dos Applefans, são negativas. Porquê? Porque é um conceito interessante mas que, por enquanto, parece batido pela armada Android que nesta IFA não se poupou a esforços.

O Apple Watch tem um desenho ergonómico, sensorial, posso até dizer “aveludado”, se é que me entendem. Parece um gadget saído da prancha dos designers da mítica série “Espaço 1999”, pois faz lembrar e muito a estética dos anos 70, ou o que se pensava que era moderno nessa altura visualmente complicada. Mas falhou as expectativas alimentadas pelos inúmeros projectos assinados por artistas da prancha digital e que, revisitados hoje, são bem mais interessantes que a “real thing”.

Não é de estranhar que a Apple dê uma importância desmesurada às braceletes, algumas fantásticas, e aos materiais usados neste seu Watch: alumínio, ouro branco, ouro rosa… ou seja, a Apple aponta o seu smartwatch para as fashion victims, afastando-se gravemente do seu core target, a malta que gosta de tecnologia e que quer estar na crista da onda.

Pior, a Apple continua teimosamente a inventar ligações e sistemas proprietários, carregadores específicos, ligações diferentes. Mais um tiro no pé enquanto todos os outros fabricantes até são obrigados, por legislação, a ter um único padrão?

apple watch apple mickey Apple magneto Apple rosa apple pele Apple gold

Mas o que dizer tecnicamente do Apple Watch? Nada. Afinal, só sai em 2015, altura em que todos nós teremos no pulso um LG G Watch R, um Motorola 360, um Sony Smartwatch 3 ou um Asus Zen Watch, só para referir os mais badalados e assinados por marcas importantes.

Outro tiro no pé: o preço ridículo que a Apple vai pedir pelo seu gadget, cerca de 350 USD (que serão 350 Euros em Portugal, no mínimo) é apenas um sonho de alguém sem a noção da realidade. Ou pelo menos com os olhos postos noutra realidade que, a longo prazo, não alimentará o hype de levar centenas de pessoas a acampar à porta das lojas durante dias a fio.

https://www.youtube.com/watch?v=5Q2gH1PGTrg

 

Este Apple Watch é, obviamente, um fashion statement, algo atrasado no tempo, realidade que parece acompanhar os novos iPhone 6.

Como utilizador Mac, temia este futuro para a Apple. Sempre dividi os dois conceitos, os Macs para computação séria e os Apples para utilização social. Se bem que, atenção, adore o iPad Mini 2, não sou propriamente um Apple hater. Gostaria até muito de ter possibilidades para adquirir o novo Mac Pro.

Mas como olhar um projecto caro e que só poderei ter para o ano, quando existe tanta hipótese real neste preciso momento?

Apple botoes

O novo Apple Watch terá duas versões básicas, uma com 38mm e outra mais masculina de 42mm. As caixas, como referi lá em cima, apresentar-se-ão em vários materiais, desde o alumínio ao mais nobre ouro (amarelo ou rosa), um ecrã de Safira e a parte traseira em cerâmica que aloja vários sensores para monitorizar todos os sinais do nosso corpo. Sabemos bem o que a Apple aposta no sector da saúde e aqui encontramos um dos principais elementos instalados de raíz.

A “Coroa digital”, a antiga rosca para dar à corda ou alinhar o tempo certo, é agora multifuncional. Usando a Digital Crown, podemos ampliar (zoom) as informações do pequeno ecrã. Para voltar atrás, carregamos num pequeno botão back/menu.

Outra inovação, o toque por pressão neste ecrã retina. Denominado “Force Touch”, faz uso de minúsculos eléctrodos que distinguem um toque ligeiro de outro mais forte, o que se traduz na abertura de menus e funções diferentes. Inteligente, sim senhor.

Apple Siri

O centro de notificações interage com o iPhone ou o Mac, e a Siri está muito presente para servir como uma assistente útil para as tarefas do dia a dia, desde ditarmos a mensagem a enviar por SMS (através do iPhone) a seguirmos as direcções num mapa. Aliás, as funções Wifi e GPS necessitam da proximidade do iPhone, o que suscita a total interdependência entre ambos, problema que foi apontado à solução da rival Samsung, incompatível com todas as outras marcas (e a maior parte do seu próprio portfolio de produtos).

Como se pode ver, tudo é muito “Apple”, mas a direcção tomada é óbvia: pelos ouros e correias já apresentados, a marca quer ganhar muito dinheiro, principalmente nos novos mercados, e deixou um pouco para trás muita da sua tradição em inovação. Em conversa com colegas (estavamos em vôo enquanto a Apple fazia a sua apresentação), já tinhamos discutido o que poderia acontecer e, enquanto alguns alimentavam expectativas, outros, como eu, defendiam que esta seria a apresentação mais importante dos últimos anos da maçã. Ou apresentava algo de fantasticamente novo ou, como aconteceu, falhava e ver-se-ia irremediavelmente ultrapassada.

E quem pára, neste mercado, pode morrer.

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

View all posts

Add comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *