ENSAIO À SONY SLT-A57
Uma SLT não é uma SLR, mas visual e qualitativamente são muito semelhantes. Confusos com mais uma sigla? Não vale a pena. Até que é simples: SLT (Single-Lens Translucent) é o caminho que a Sony escolheu para se lançar, definitivamente, neste mercado da fotografia semi profissional, visto que a sua gama dSLR tenta combater a omnipresença da Nikon e Canon no mercado global, uma tarefa quase impossível, mesmo para uma marca tão conhecida com a cola.
Rápida explicação do conceito SLT
É uma “mirrorless” e uma das diferenças para as tradicionais dSLR, sempre muito criticada, é a utilização de um visor electrónico e não óptico. Mas o EVF desta a57 é sobejamente informativo e tem qualidade suficiente para qualquer utilizador.
É também graças a este esquema que o autofocus é rápido, preciso e constante.
O sucesso da gama SLT vai passar, e muito, por esta alpha57 que foi lançada ao lado da mais modesta Alpha37, duas novíssimas armas de ataque muito bem posicionadas e com um marketing bem estudado.
Após o relativo sucesso das Alpha33 e 55 e o burburinho que rodeia a já famosa Alpha65, estas duas novas propostas são as sucessoras naturais das já mencionadas e, quanto a mim, os primeiros modelos que vão fazer mossa na concorrência directa e indirecta.
O corpo
A a57 é grande, rechonchuda, mas leve e perfeitamente desenhada. É um prazer agarrar num punho perfeito e perceber que a câmara está muito bem equilibrada, pelo menos com esta objectiva kit 18-55.
O corpo é muito parecido com o modelo da gama acima a65, o sensor é fantástico e a velocidade de captura imbatível (SLT) assim como, e aqui está uma das enormes diferenças para a concorrência, o extraordinário auto-focus mesmo durante a gravação de vídeo… a 1080p.
Os puristas e defensores das regras dSLR têm razões para ficar nervosos, pois qualitativamente, esta a57 está ao nível de muitos pesos-pesados com títulos e coroas que se supunham eternos e com um preço bastante mais simpático.
Há uma profusão de botões pelo corpo o que demonstra a aposta no total controlo manual das várias funções.
No topo e a contar da esquerda para a direita, estão o selector de modo, o microfone estéreo e a sapata, o botão fader/lcd (que liga/desliga o ecrã manualmente, mesmo podendo escolher a função automática através do menu), o disparador, botão on/off, roda de comando e controlos para a abertura e Iso.
A traseira apresenta numa secção superior o menu, ecrã LCD multi-direccional, botão dedicado para vídeo, AEL e Zoom (digital e muito útil), FN, comando rotativo com os tradicionais atalhos (neste caso temporizador, multishot, balanço de brancos, filtros criativos e display, o AF/Ok, e ainda os directos para a reprodução e menu explicativo (muitos destes têm dupla função).
É no perfil esquerdo que se alojam as ligações para um microfone externo, um comando remoto, saída HDMi/Usb e DC in.
Na base da lente encontramos o comutador AF/MF (que pode ser duplicado em algumas lentes). Uma nota importante: o muito bom sistema de anti trepidação da Sony está no corpo da a57 o que permite a utilização de objectivas mais simples, leves e baratas.
Em baixo está a entrada para a bateria e do lado direito a entrada para os cartões de memória.
Tudo impecavelmente desenhado e colocado.
As características
O sensor de 16.1 megapixels APS-C tem uma sensibilidade ISO de 100 a 16,000.
A exposição máxima chega ao meio minuto e a mais rápida é 1/4,000.
O processador BIONZ é tão rápido que permite 12 fotos por segundo!!! Verdade!
As fotos podem ser tiradas em Jpeg, Jpeg/Raw ou Raw.
O formato vídeo é AVCHD 2.0 a 1080 50p ou a 35p em MP4, ambos extraordinários servidos por zoom e auto-focus constante e ultra rápido.
As fotos
Estava muito curioso em relação à segunda geração destas Alpha, em parte porque um amigo comprou uma 55 e consegui brincar com ela há um ano atrás.
A a57 tem, quanto a mim, tudo o que se precisa numa câmara e isso começa logo pela facilidade de operação e termina nos resultados que sublinham todas as mais valias destas SLT, para além de que para mim o vídeo é de extrema importância e tudo o que lhe esteja relacionado.
Convém referir que tive, paralelamente, a Sony NEX F3 para teste, também com a objectiva kit 18-55, o que deu para, diariamente, perceber as manias de cada uma e os seus pontos fracos e fortes (e até referi, no teste já publicado da F3, que a preferia para retratos para além do tamanho que é bem menos intrusivo).
Pelas críticas que tenho lido, percebo que a lente kit zoom SAL 18-55 cumpre apenas o propósito e os resultados mudam drasticamente ao se optar por uma solução mais profissional. Mas sei também que muitas pessoas que vão comprar esta camara vão ficar muito tempo com esta lente e, sendo assim, são os resultados com ela que contam.
E eles são muito bons (imagino então com outras opções). Um dos que procurei imediatamente, visto que a minha própria camara é sofrível neste campo, era a geometria da lente e a desejável não distorção. Impecável! Fiquei logo mais descansado.
Uma boa camara, não sei porquê, quase que me obriga a fazer macros. É uma força maior que a minha e, depois, exijo resultados fantásticos. E é outro ponto em que a a57 “fica bem na fotografia”. O detalhe é impressionante, a focagem automática funciona (em vídeo então é um primor) e as cores são muito sólidas (para evitar jargão técnico), ricas em contraste e detalhe.
E se assim é em macro, a eficiência é total nos mais variados ambientes.
Ao contrário de muitas Sony, os tons azulados e frios são coisa do passado na a57. As cores são pujantes, quentes e com a luz adequada, é quase impossível falhar um boneco (em termos qualitativos). Mesmo em contraluz, e em modo automático, o processador encontra forma de nos fazer ficar bem.
Outra característica que busco num modelo para substituir a minha já antiga opção de 2010, é a capacidade de conseguir ser excelente em situações com pouca luz.
Como podem ver numa sequência tirada aqui à vizinhança, e puxando o Iso até valores máximos, dá para tornar a noite dia (logicamente com o grão e ruído dependentes dos valores escolhidos). Outros bonecos, à noite e com a parca iluminação do cais das colunas, são também demonstrativas.
Os destaques
A Sony já nos habituou a algumas invenções que, mais tarde, vieram a ser adoptadas pela concorrência. Uma delas é a sobejamente conhecida fotografia panorâmica (também a 3D).
A a57 demonstra mais uma vez a perfeita junção entre as várias fotos. Mas neste campo perde, por exemplo, para a extraordinária capacidade das Casio ZR que conseguem uma pan a 360 graus.
Uma das novas funções é o Auto Portrait Framing, ou seja, e tal como na F3 e a37, a própria camara analisa a foto que tirámos e reenquadra-a de acordo com as regras teóricas da fotografia, bem resumidas na memória deste artista computadorizado. E que grande artista é: muitas vezes dei por mim a admirar a capacidade de reenquadramento sobre o tema.
É também um bom crop made in camara, o que para utilizadores que não gostam de processamento posterior, pode ser uma ajuda.
O zoom digital é outra das mais valias das novas Sony (sim, também presente na F3 e na a37). Denominado Intelligent Zoom Mode (x2), funciona! E bem! E é utilizável, ver para crer. O lado positivo é conseguir duplicar o alcance da 18-55, por exemplo.
O vídeo
Para não ter de mencionar outra vez, existe uma entrada para um microfone externo, o que reflecte imediatamente a atenção que a marca colocou neste campo. Não consegui perceber a real qualidade (se tem ganho manual ou não) pois só tenho por aqui um mic com entrada 3,5mm bem medíocre e que não fez qualquer tipo de justiça (inclusive, gravou em mono). Os outros são em XLR…
Mas a qualidade de imagem… é impressionante e, desculpe-me toda a concorrência, neste momento não vejo, nesta gama de preço, qualquer adversário. Não nos podemos esquecer que estamos a falar de uma câmara que custa 825€ e que rivaliza com modelos que custam bem mais.
São 1080p a 60fps no formato AVCHD com o novo codec 2.0.
Existem alguns truques a ter em conta, por exemplo, a a57 só grava em full auto-focus em modo P. Mas é estonteante. Para ajustes manuais, tudo é possível.
Conseguiu, inclusive, fazer sombra à qualidade de imagem (diurna) da minha Canon Legria HF200, uma camcorder reconhecida pelas suas extraordinárias capacidades.
À noite é incomparavelmente melhor…
De qualquer forma, há um senão. O motor do auto-focus é bem captado pelo microfone… e como está sempre a compensar o que se filma… mas lá está, mude-se de objectiva e tudo melhora.
E o menos bom?
Há uma característica que me enerva. Se por um lado uma das grandes vantagens da A57 em relação a muita concorrência e até à mana A37 é o fabuloso ecrã LCD de 3” de ângulo multivariável, alguém não quis imitar o que é perfeito (Canon, Panasonic) e colocou o eixo na base em vez de na lateral esquerda. O que quer isto dizer? Quando se baixa o ecrã para conseguirmos um auto-retrato (ideal para vídeo), ele bate na cabeça do necessário tripé. É apenas mau demais para ser verdade.
Conclusão
Esta Alpha57 encantou-me.
Tem tudo o que preciso e faz tudo bem.
Para um amador com algumas noções como eu, é quase perfeita e tremendamente ajustável. É rapidíssima para fotografar desporto (o que na minha óptica são gatos a interagir, cães a brincar ou criançada a rir), excelente em termos dinâmicos, com cores muito sólidas, negros profundos, impecável contraste (muito notório nas macros), o último grito digital em filtros criativos (pouco os utilizei, pois a camara pede uma utilização mais profissional) e uma qualidade vídeo… imbatível nesta gama de equipamentos ou até bem acima.
O autofocus (phase detection em vez de contrast-based focus) é rapidíssimo, os controlos manuais facilitados pelo excelente desenho do corpo e boa distribuição dos comandos.
Não pesa tanto quanto supomos a olhá-la e tenho a certeza que, se os curiosos a pegarem, ficam logo aí rendidos.
A bateria dura bastante, o preço para o que oferece é extremamente apelativo e existe já um bom leque de lentes disponíveis (com especial atenção às Konika Minolta), campo que é sempre o contra ataque dos utilizadores Nikon/Canon.
Como também procuro a camara ideal, fiquei com esta no topo da lista. Eu quero mesmo uma A57. Em tudo é a minha cara e a resposta ao que preciso (bem mais) e que sei (bem mais).
Mas é enorme! Pesada, grande, dá muito nas vistas, tive até algum cuidado em tirá-la do saco e usá-la em algumas situações.
E gosto de me fazer pequenino no que respeita a imortalizar alguém…
Neste campo gostei muito da F3, mesmo não chegando aos calcanhares qualitativos desta Alpha.
Daí estar também à espera de soluções compactas com coração grande, como a Sony RX100, a Panasonic LX7, a Samsung EX2F…
Se pudesse ter duas, uma mais compacta e outra mais séria, escolhia esta Alpha57 que custa 825€, bem menos que as novas Nikon D3200 e Canon 650D.
Não é a mesma coisa, porque se trata de uma SLT em vez de uma dSLR, mas a Sony encontrou o caminho e já é um osso duro de roer para toda a concorrência. Mesmo a intocável.
Galeria foto  clique nas imagens para ampliar

Camila Hoffman

View all posts

Add comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *