ENSAIO À SONY NEX F3
A TERCEIRA GERAÇÂO CHEGOU
COM MAIS E MELHORES ATRIBUTOS
Introdução
Como muitos outros, fiquei pasmado com, ainda nem há três anos, a aposta da Sony numa tecnologia diferente e ousada, com as duas primeiras Nex 3 e 5.
Como muita gente, apeteceu-me comprar imediatamente uma e isto por várias razões (já lá vamos) mas quedei-me: o preço era alto e a novidade original demais. Queria, acima de tudo, esperar pelas ensaios e testes que todos nós lemos, confrontamos, elogiamos e criticamos.
Há aqueles muito bons, outros que mostram algumas tendências e ainda outros que não aquecem nem arrefecem. Mas lembro-me que a maior parte deles gostou muito desta alternativa “mirrorless” mas, como era assinada por uma marca “sem pedigree”, convinha esperar pela segunda e até terceira geração.
Ora aqui está a terceira geração que começou com a Nex 7, o topo de gama a preço proibitivo, e apresenta agora a F3 que sucede à C3. Ficamos a aguardar pela substituta da 5N que deve estar a estourar.
Vamos então às razões que mencionei um pouco antes. Ao contrário de muitos de vós, não sou um fotógrafo profissional, mas gosto de tirar bonecos. A minha especialidade é exactamente um olho com algum treino que foi adquirido ao longo da vida, no estudo de Cinema e cursos de Video. Tenho, portanto, uma “visão cinematográfica”. Uma câmara é para mim apenas um elemento necessário para conseguir um boneco interessante e não o mais importante objecto para o conseguir. Como alguns já devem ter percebido, e sim, vou dizê-lo, não sou um fã da Canon ou Nikon que detesta e abomina todas as restantes. Muito pelo contrário, olho para todas com muito respeito e procuro em cada uma aquilo que necessito para este ou aquele trabalho/objectivo.
Agora que já consegui chatear muitos leitores, ainda vou mais longe. Há tempos tinha uma Nex 5 que troquei por uma G12 que troquei por uma HX100 e agora procuro algo que me dê as três numa só. Todas foram excelentes para o que pretendia na altura, mas uma DSLR é demasiado grande, uma micro 4/3 fica descompensada com uma lente zoom (assim como as Nex) e as compactas começam a ser uma possibilidade muito, mas mesmo muito interessante, com a Fuji X10 a encabeçar uma lista que pode ter a Lumix LX7 e a Sony RX100 como companheiras.
Mas depois penso no teste que fiz às Sony NEX F3 e Alpha 57, repenso tudo e quero mas é uma intermutável ou uma DSLR…
Complicada esta escolha e a cada dia que passa há mais uma ou outra novidade que baralha tudo outra vez, como a surpresa compacta da Samsung NXF2 ou a muito aguardada Canon EOS M, a primeira CSC da marca.
Bom, chega! Vamos tratar então da F3 ou alpha57?
Começamos pela mais pequena e menos onerosa, a muito interessante F3.
O corpo e os botões
As diferenças para a C3 que vem substituir são notórias. As dimensões cresceram, os comandos foram redesenhados e reposicionados, o grip/punho é muito maior, o flash passou a estar integrado dentro do corpo e não como add-on e, para além de umas funções específicas, a grande aposta foi também no vídeo que de 720 passou para uns já obrigatórios 1080/24p e 1080i/60fps Full HD no formato AVCHD e num super ecrã lcd de 3” que roda 180° para cima, perfeito para auto retratos, mas que depois impede o mesmo movimento para baixo, nem mesmo chega aos 45° e isso é, quanto a mim, um dos pontos negativos desta F3.
O sensor APS-C com 16MP foi herdado na irmã mais antiga, mas tem agora a ajuda de um novo processador e um top ISO de 16,000 (mas 200-3200 em modo automático).
Vai ainda buscar coisas às manas maiores e mais recentes, como o “Pixel Super Resolution” e o “Auto Portrait Framing” que pediu emprestada à SLT Alpha57. Esta última função é, a todos os níveis, interessante. Grosso modo é o processador a repensar a fotografia que tirámos e a fazer um crop de acordo com o que acredita ser o melhor enquadramento. Ou seja, temos uma memória e inteligência artificial a criar por nós. E, garanto-vos, dei por mim a escolher alguns resultados deste “robot” que vive dentro da máquina, em detrimento dos meus próprios enquadramentos.
Também é bom saber que se pode adquirir um viewfinder externo assim como um microfone estéreo e até um flash mais potente. Neste caso, haja dinheiro.
Os comandos estão bem divididos e são de bom material e construção. Em cima estão o obturador, on/off e mais descaídos para o painel traseiro, o play e o botão de gravação vídeo. Existe ainda a sapata para acessórios, microfone estéreo e o espaço para o flash embutido.
O painel traseiro é dominado pelo grande ecrã LCD de 3” e tem 3 botões programáveis  mais o anel rotativo. Estes três botões podem ter várias funções, dependendo das nossas necessidades, e tornam mais fácil o que parece um mundo de menus e sub menus sem fim, numa tarefa muito mais dinâmica e rápida.
Do lado esquerdo temos as fichas USB (que é a forma de carregar a bateria nesta F3 o que é  bom pois evitamos ter de transportar um grande transformador, mas que é mau porque não nos permite usarmos a F3 enquanto carregamos uma segunda bateria) e HDMI. Na base, a secção para a bateria e a porta independente para o cartão de memória.
LCD e menus
Ter as duas novas Sony na mão ao mesmo tempo, permitiu-me chegar a uma conclusão: preciso de um visor óptico ou electrónico que acompanhe o LCD. Dei por mim várias vezes sem perceber totalmente o enquadramento que estava a tirar com a F3 e isto sob o sol e luz lisboeta. Sabemos que é forte, mas neste caso é mesmo um empecilho.  Solução? Ou se tiram 20 fotos mais ou menos enquadradas, ou se regressa ao local numa outra altura do dia (e sol) ou se compra o extra que é o FDA-EV1S.
É, quanto a mim, o ponto menos bom da F3. Por outro lado, e sob as condições normais do resto do dia e noite, o ecrã é fantástico, grande, super nítido e pormenorizado.
O outro plus deste ecrã é rodar 180° para cima o que permite fantásticos auto-retratos ou filmagens vídeo em que somos o comentador/apresentador.
O software incluso foi até programado para rodar a imagem em espelho para ficar tal e qual a vamos ver numa tv. Infelizmente, e porque já estava habituado tanto na Nex5 como na HX100, o ecrã não faz o mesmo para baixo, nem sequer chega aos 45°. O mecanismo que é tão bom para cima, trava quase tudo para baixo. O brilho e qualidade do ecrã também criam outro problema que é a vida útil da bateria que sofre devido à constante utilização (mas que mesmo assim dura muito tempo).
Passamos para a secção do interface de utilização. Como existem poucos botões físicos para as imensas opções desta F3, sabemos à priori que vamos encontrar menus e sub menus. É o caso, mas a Sony fez um bom trabalho neste campo, com menus coloridos e lettering muito legível, tudo muito bem arrumado e de fácil leitura e interpretação.
Para quem nunca usou um menu deste género, aviso que a linha de aprendizagem pode ser um pouco complicada, mais porque a câmara “pede-nos” para ser cada vez mais criativos (e escolher parâmetros em todos os campos) o que implica ter de rodar muitas vezes o diale a carregar outras tantas no botão Enter.
Podemos e teremos de programar três dos botões disponíveis, incluindo esse mesmo Enter, o que nos vai facilitar e muito a vida. Mas, na verdade, a F3 está apontada para o crescente mercado de entusiastas que querem passar de uma compacta point & shot para algo mais profissional e a marca crê que este tipo de utilizadores vai usar a F3 em modo automático durante a maior parte do tempo.
De qualquer forma, os menus são intuitivos e auto explicativos, embora torne lenta e por vezes confusa, a programação manual para um certo retrato, o que pode criar alguma ansiedade se o objecto for daqueles que nunca está quieto.
Em modo automático, a F3 chega a ser soberba.
Utilização e criatividade
A F3 tem aquele papel ingrato de corresponder a dois tipos muito diferentes de utilizadores: os totalmente amadores que não percebem grande coisa das funções manuais mas querem aprender e os profissionais que procuram uma segunda câmara para poder transportar todos os dias sem a mochila habitual que acompanha a DSLR.
Portanto, para além de ter de apresentar todas as funções profissionais, também tem de incluir os efeitos digitais que passaram a ser moda, muito mais depois do “acontecimento instagram”.
Neste campo, a F3 está também muito bem apetrechada com mais de uma dezena de filtros criativos, desde o Toy camera ao preto e branco com destaque para uma só cor e muitos etc. (a lista de todas estas características está no site da Sony).
Mas é curioso que, à conta de experimentar esta secção criativa, o “novo fotógrafo” vai perceber que a Sony lhe dá um conjunto de funções manuais que realmente o ajudam a aprender a mudar a dinâmica de uma fotografia, como por exemplo e em modo auto, um dos botões pré-programados apresenta a possibilidade de se escolher um fundo mais ou menos desfocado (sem lhe chamar DOF – Depth of Field). Como algumas dessas funções estão disponíveis aquando escolhemos um filtro criativo, é assim que se vai descobrindo a pouco e pouco as vantagens dos controlos manuais.
Mais um exemplo desta ajuda: em modo automático, e se escolhermos o Super Auto Mode, a F3 entra em modo HDR (tira um conjunto de 3 fotos, junta-as, filtra-as e vai escolher o melhor de cada uma, é mais ou menos isto, apresentando um resultado fantástico) sem “chatear” o utilizador com o jargão técnico.
Outra característica é a já obrigatória foto panorâmica que na Sony também se pode fazer em 3D. Mas a concorrência é feroz neste campo. Por exemplo, a pequena e menos onerosa Casio ZR200 é quase imbatível.
A qualidade de imagem parada e em movimento
Chegamos ao que interessa: a qualidade das fotografias e do vídeo.
Com um bom sensor e um processador de última geração, não é de estranhar que esta F3 consiga resultados dignos de nota. Convém realçar, sempre, que esta gama NEX não quer chegar ao nível de uma DSLR (para isso a marca tem outras propostas), mas sim destacar-se no campo intermédio entre as compactas e as semi-profissionais. E, sendo assim, tenho mesmo de realçar a qualidade geral, o detalhe bem trabalhado e a riqueza nos pormenores. Curiosamente e talvez devido à lente que vem com o kit (neste caso a já clássica zoom 14-55 E Mount), dei por mim a comparar retratos (sim, retratos de pessoas) entre a F3 e a a57. Neste caso, e contra todas as expectativas, prefiro o resultado da Nex. A temperatura é diferente, mais realista, menos “puxada”. E talvez devido ao menor corpo da F3, as pessoas não se sentiam tão “fotografadas” e estavam mais à vontade.
A questão do auto-focus é melindrosa. Na maior parte das vezes, ele funciona com rapidez e precisão, mas há alturas, quando existem mais elementos em movimento, em que se perde, andando furiosamente à procura do alvo principal.
Também há que ter cuidado com a velocidade de captação em movimento. Aconteceu-me, porque tinha feito o mesmo com a Alpha57 e com resultados muito interessantes, andar à volta de duas pessoas a clicar furiosamente para conseguir o maior numero de bonecos. Quando cheguei a casa reparei que mais de 70% estavam desfocadas. Ou seja, temos de ter a noção que este auto-focus pode mesmo ser um calcanhar de Aquiles da F3.
O vídeo é fabuloso! 1080p a 24 fps (imagens por segundo) garantem uma qualidade digna do melhor que já vi em câmaras fotográficas, mesmo batendo algumas DSLR (também estamos a falar de um campo que para a Sony é como estar em casa). Os pretos são densos, a imagem tem uma dinâmica extraordinária, a qualidade a média luz e mesmo durante a noite com a parca iluminação pública, encanta. Esta F3 abre muitos horizontes criativos ainda reforçados pelo notável sistema de anti-trepidação.
Outra grande vantagem, a bateria tem uma vida útil muito interessante, garantindo cerca de 600 fotografias e 20 minutos de vídeo em qualidade máxima por carga. Como só podemos carregá-la através do USB, é um mal a menos.
Concluindo, sim ou não?
A F3 foi buscar argumentos à Nex7 e Nex5n e mesmo às novas Alpha37 e 57.
Isto só pode ser bom. É uma excelente câmara para quem quer dar o pulo de uma compacta point&shote ainda não se sente preparado para andar com um mastodonte ao ombro.
A qualidade de imagem fotográfica e, principalmente, vídeo é um enorme atributo e uma razão para se escolher uma F3. O corpo cresceu e está bem mais adequado à mão, aprender os controlos e programar os botões não é tão difícil como se julga à primeira vista e, ao fim de um certo tempo de estudo e experiência, a “coisa” passa a ser rápida e automática.
A possibilidade Full Manual existe e é outra mais valia da F3, assim como o ecrã que permite auto-retratos com grande facilidade.
As coisas menos boas são o auto-focus que se perde com facilidade quando encontra mais elementos no enquadramento. A qualidade do LCD, sob luz forte, é uma dor de cabeça e pode ser mesmo um óbice para a compra.
Mas o PVP pedido contorna estes problemas.
625€ é bastante equilibrado e justo para esta F3. Podemos comprar uma DSLR de entrada, como, talvez, uma Canon 1100D, mas alguém já agarrou naquele corpo imenso de plástico?
A F3 é ideal para o amador que quer aprender algo mais e conseguir controlar alguns aspectos com comandos manuais. É também uma excelente opção como segunda unidade para o profissional mais equipado.
Dou-lhe uma nota bem positiva, pois agora que ando à procura de uma nova companheira, fiquei com dúvidas entre ela e a irmã alfa57 bem mais poderosa, equipada e… MAIOR!
E isso, para mim, é o sinal que a F3 vai agradar a muita gente.
Galeria foto

 

Fx tom amarelo

Sweep Panoramica
Com Zoom digital

Galeria Video  – a qualidade aqui colocada depois da conversão do blogger é tão má que decidi retirar o video para não criar uma imagem que não a real.

 

 Link oficial para lista de características aqui

Camila Hoffman

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