Sony Xperia XZ, o ensaio ao topo de gama azul cobalto

Super câmara, design inconfundível, qualidade a rodos. Mas o preço estraga tudo.
9 Design
8 Construção
7 Inovação
9 Qualidade
7 Factor X5
8

Os Xázados conhecem a minha predilecção pelos telefones da Sony (tive todos os modelos Sony antes da joint-venture com a Ericsson, também curti os famosos P, e ainda consegui um Xperia Z2 graças a uma aventura inesquecível). Esta casa/redacção sofre ainda com o acidente que causou o falecimento desse Z2 (nenhum telefone sobrevive à centrifugação de uma máquina de lavar roupa meio cheia) mas que ainda recebe chamadas, tem alarme e tira fotografias… que não se conseguem ver através do ecrã partido a meio. Enfim, morituri te salutant.

Eis que chega a hora de tratar o novo topo de gama Xperia XZ, uma nomenclatura que não resistiu ao glamour da geração Z e que tenta fazer a ponte com essa fenomenal letra, o X. Existe em três acabamentos e qual deles o mais interessante: para os tradicionais, um negro opaco, para os vibrantes, um prata apenas fabuloso e para os modernos, um azul cobalto que tira a respiração a qualquer um. Chegou-me o cobalto às mãos para este último ensaio Xperia de 2016.

este azul cobalto é de uma elegância extrema

A primeira coisa que me seduz no XZ é o corpo e a forma como ele cabe na mão, pois o tamanho é perfeito enquanto o desenho, mais espesso que o normal mas também mais redondo e “orgânico”, serve como uma luva. A marca chama-lhe “design em loop” devido aos extremos arredondados e a adjectivação é muito acertada. O corpo é feito numa liga de alumínio bastante leve que depois leva um banho de um material que o faz parecer ter acabamento em vidro, o que relembra os anteriores topos de gama Z. A Sony esforçou-se para conseguir este tipo de sensação pois sabe bem que o toque é meio caminho andado para a felicidade do consumidor. Este corpo pode não parecer moderno como o Galaxy S7 Edge, mas basta agarrar num e no outro para perceber a diferença abismal de filosofia e de conforto de utilização. O Sony ganha aos pontos (embora eu seja fã do ecrã arredondado do Edge e do Note 7 com o sub-menu que lhe está associado).

Como máquina, o ZX apresenta-se bem composto: processador Qualcomm Snapdragon 820 de 64 bits, 3 GB de RAM, 32 GB de capacidade interna expansíveis até 256GB através de cartão. O ecrã não tem os 4K que encontramos no Z5, mas as 5,2″ Full HD (1080p) com tecnologia TRILUMINOS e processador de imagem X-Reality são mais do que suficientes para qualquer acção (digo eu que não fiquei particularmente convencido com a reprodução em 4K do Z5 sob certas e determinadas condições especiais). Portanto, so far so good, mesmo que a concorrência ofereça 4GB/64GB em modelos similares.

Mas o que salta mesmo à vista, agora que a qualidade fotográfica está na ponta da língua de todos quantos comentam smartphones, é a capacidade fotográfica desta nova geração Xperia. Se os anteriores Z, mesmo com hardware melhor, foram ultrapassados pelo software de processamento de imagem de três colossos imagéticos (S7, G5 e P9), o novo ZX quer recuperar o trono e vestiu-se de forma a consegui-lo sem apelo nem agravo: a câmara principal tem 23 MP com sensor Exmor RS de imagens móveis de 1/2,3’” e tecnologia de sensor de imagem triplo. Para tudo correr bem e depressa, visto que até é um chavão comercial, foi dedicada especial atenção à focagem: no ZX ela é automática híbrida preditiva que garante uma operação quase instantânea: apenas 0,6 segundos do modo off até à captura de uma imagem. Aliás, outra legenda que merece atenção porque possibilita uma focagem contínua por laser. Tudo muito rápido no papel, mas não tão extremista numa utilização quotidiana! As lentes G estão pensadas e desenvolvidas para mobile e a escolha de uma objectiva grande angular de 24 mm garante um maior campo de visão para além de contar com tecnologia que facilita os retratos com pouca luz.

Entrada sem necessidade de abertura por arame ou clip

Consegui, nessas condições com pouca luz, alguns resultados interessantes quando tive um qualquer ponto luminoso para acertar o foco. O ISO vai até aos 12800, mas não aconselho abusar desta bengala: o grão é evidente e o resultado apresenta bastante ruído. De resto, o que dizer? Esta câmara é soberba! Cores fiéis e “temperadas” realisticamente (se percebem onde quero chegar), contornos delineados, texturas bem replicadas. Mas no melhor pano cai a nódoa e os comandos não estão a par desta excelência: tudo é complicado em modo Manual. Aliás, basta tocar ao de leve com o dedo na parte superior do ecrã (por exemplo para definir um ponto de foco) para alterarmos, sem querer, o modo de acção (manual, auto ou filme) o que chateia, sendo particularmente frustrante quando o tentamos de propósito e não o conseguimos de imediato. Sim, existe uma curva de habituação, mas não deveria ser assim. A Sony também nos oferece alguns filtros criativos, uns bem catitas, mas ficam num menu específico o que faz demorar mais tempo na sua escolha. O design da aplicação não se altera desde os primeiros Z e começa a estar ultrapassado, assim como o próprio ambiente de trabalho.

Está na hora da Sony se decidir em mudar todo o seu UI (user interface) porque está muito datado. E é uma pena, pois tudo corre à velocidade da luz, sem qualquer tipo de engasgo. Toda a experiência de utilização é fantástica, como jogos a correr sem limite e reprodução Netflix com uma qualidade digna de registo. Sim, a Sony continua a saber fazer as coisas quando falamos de tecnologia pura e dura. Por fim, e quase que esquecida, a câmara frontal deste ZX: é uma lente grande angular de 22 mm com, pasme-se, 13MP.

Outra das grandes características deste XZ é a possibilidade de filmar com qualidade 4K e com resultados decentes, pois o já famoso SteadyShot com o Modo Inteligente Activo e a nova estabilização de imagem de 5 eixos são garante de planos estáveis e sem tremeliques.

A Sony também já nos habitou a uma bateria com mais… Stamina que as restantes. A que ocupa o espaço dentro do XZ tem 2900 mAh como modos específicos de extra duração e carregamento rápido, o que tem sido a norma na nova geração de smartphones. Dependendo do tipo de utilização, podemos ultrapassar o dia e meio de acção. Mas com jeitinho.

Existem mais razões para sonharmos com este XZ: pode ir ao banho até 30 minutos de duração, tem duas colunas frontais para um verdadeiro som estéreo (embora baixo), tomada USB-C e mantém a preciosa ficha 3,5mm. Tem ainda um sensor de impressões digitais colocado na lateral e cujo botão dobra função como on/off e que é, quanto a mim, o melhor posicionamento para este tipo de cursor.

Concluindo, este XZ é um smartphone de sonho mas enfrenta uma concorrência fortíssima com preços idênticos e até mais baixos. Se bem que o corpo seja em alumínio, as laterais são em plástico, o que lhe retira algum do feeling high-end. O interface da câmara pode ser um pesadelo para quem quer mesmo usar este Xperia como extraordinária câmara que é, mas pode ser uma questão de habituação com o passar dos meses. Gosto francamente dele e esta cor é muito bonita, mas por cerca de 900€ posso escolher um terminal super qualitativo e ainda poupar uns trocos.

PVP: 899.99€

 

Galeria de imagens Sony Xperia XZ: